sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Mulheres de hoje...

 

Ontem, numa aula de grupo de coaching, uma jovem mulher expressava a ansiedade gigante sobre o emprego atual que era demasiado físico e perigoso (trabalha no ramo industrial, com químicos) e dizia que adorava um dia ter uma relação - e até uma família (com filhos) - mas que isto a impedia de concretizar isso.

Fiquei pasmada. Eu e os outros que estavam a assistir. Pedi a palavra e dei-lhe a minha opinião sobre o assunto, partilhei o que achava. Depois disse-lhe que no Slack do programa que andamos a frequentar iria falar com ela em privado. 

Confesso que me espanta quando as pessoas logo de raiz se bloqueiam à força toda por coisas que ainda não aconteceram.

O curioso é que eu sempre fui aquela que sofre por antecipação, mas dadas as chapadas que uma pessoa vai tendo na vida já aprendi vagamente a lidar com a ansiedade. Bem. Tem dias. Muitas dias mesmo. Mas pronto, irei ajudá-la no que puder com alguma troca de ideias e conversa.

Às vezes acho que o meu propósito de vida é ser uma espécie de coach e motivadora de pessoas. Mas eu faria um modelo ligeiramente diferente. Primeiro dava uns valentes estaladões bem dados por causa de tanta estupidez que oiço, e depois ia consolar a ansiedade e ajudar então a iluminar ideias.

O risco

   

Mark Zuckerberg
foi categórico sobre medo de arriscar:
“o maior risco
é não correr nenhum risco”.



Vision board

 

Ando a ouvir as lições de uma míúda craque em literacia financeira que não deve ter nem 30 anos... e logo na 2a aula ela fala em sonhos. Apontei isto:

"Vision board é construir uma espécie de quadro onde colocas fotos ou frases, o que for, daquilo que queres ou daquilo que te motiva. É sobre a nossa vida.

Ter sonhos, ter objetivos, é algo que move a vida, que nos dá força e garra para a abraçar.

Sonhos sem um plano é a mesma coisa que deixar à toa nas mãos do destino, o que acontecer aconteceu. Temos de transformar os nossos sonhos em objetivos, e para os nossos objetivos temos de ter sempre um plano. Vamos então traçar um plano? Depois do vision board vamos transformar isso em coisas mais tangíveis: objetivos de curto prazo, médio prazo e longo prazo.

Importante: é preciso nós escrevermos os nossos objetivos, o tal algo que ainda não é real (isso ajuda sempre a visualizar melhor, a fazer algo mais do que manifestar ao universo). Quando nós escrevemos os nossos objetivos as coisas já ficam um passo acima, já saíram da nossa cabeça. E é assim que, com o tempo, eles vão ganhando forma."


No próximo texto irei começar a minha lista (ainda random) de sonhos/objetivos. 

A ver o que sai dali!

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Deprimida?

 

Sinto-me super deprimida.

A semana passada foi o largar tudo e fosse o que Deus quisesse, que aproveitasse o que havia para aproveitar.

Esta semana, no entanto, parece que o mundo caiu em cima de mim novamente e sinto-me super deprimida, triste, ansiosa. Parece que não tenho forças. Só me apetece chorar a toda a hora. Não sei se é o período que aí vem, se são as malditas hormonas da praxe que me provocam estas sensações.

Sinto-me séria e muito calada. 

Vou buscar os miúdos e mal pergunto coisas, mal falo. Estou noutro sítio, nem sei bem qual. Não tenho paciência para sorrir e ou brincar. Sinto-me séria, os lábios teimam em não sorrir.

Passei 2 dias a ser relativamente produtiva, finalmente. Mas com tudo tão instável - embora a sensação de estar a tratar de vários assuntos e pôr a máquina a andar seja boa - não me consigo sentir feliz por isso.

Agora ao fim da tarde os miúdos jogam nos computadores com amigos. Falam em alta voz com eles e oiço a voz aguda de todos. Todos gritam e falam alto. Peço para fecharem as portas. Não aguento este barulho depois de poucos dias alternando em silêncio profundo, ou com algum podcast aqui e ali ou com música. O barulho é insuportável.

Sinto-me do mais deprimida possível. Espero que o meu mal seja sono e hormonas, e que isto estabilize rapidamente. Not fun.


terça-feira, 15 de setembro de 2026

A senhora

 

Estou num museu. 

Vejo obras de Picasso, as várias fases da vida/obra dele. Tudo aquilo é fascinante.

(Entretanto descobri há dias que ele era um pulha e que batia nas mulheres que teve, e era intragável de feitio. Fiquei ligeiramente off...)

Por baixo do museu descubro que há uma exposição permanente de... ruínas romanas. Devem ter sido descobertas quando andaram a preparar o edifício para alguma remodelação (o edifício é uma casa antiga muito bonita no meio da cidade).

Não vejo interesse especial naquele bocado, já vi ruínas bem mais interessantes noutros sítios (até no meu país). Mas deambulo por lá com o mais novo ao meu lado, a contar qualquer coisa de um jogo "super importante".

O meu olhar, de repente, depara-se com uma senhora. Está sozinha. Não consigo perceber quantos anos tem, mas há algo ali que me deixa em transe quase. Pelo canto do olho vou-a observando. Parece ser bonita. É muito elegante. Tem vestido um conjunto de calças e camisola (já não sei se era t-shirt ou camisa, algo assim). Mas, se não me falha a memória, umas das peças é branca e outra azul. É loira, cabelo liso e esticado pelos ombros/queixo. E... o máximo dos máximos: tem um chapéu. Um panamá parece-me, claro com uma fita escura à volta.

Tem muito estilo e passeia absorta pelo local, alheia a toda a gente que passa por ela. Tiro-lhe uma foto à socapa. Penso: quem será ela. Porque está sozinha? É casada? Divorciada? Nunca se casou? O que faz na vida? Está aqui de passagem? Vive aqui na cidade? Quem és tu senhora elegante. 

Ela é um mistério. E eu adoro um bom mistério.

E gostava que um dia alguém olhasse para mim e também pensasse "mas quem é aquela senhora, dona daquela pose quase surreal e divina, cheia de estilo".

Foi um momento no tempo, vi-a durante uns minutos apenas. Mas acho que não me irei esquecer mais dela, daquele ar absorto, elegante e quase altivo (mas de um bom modo). Ela foi um poema na minha mente e imaginação.

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

A mulher das manhãs da escola

 


Durante anos cruzei-me com uma mulher lindissima (mais velha do que eu, diria, mas é melhor não apostar - curvilinea, cabelo preto comprido, olhos verdes bem maquilhados, uma espécie de Monica Bellucci mas de olhos verdes - essa mulher é mais ou menos o meu ícone de beleza) que levava o filho à escola ao mesmo tempo que eu levava os meus. 

Ou nos cruzávamos à ida (eles iam sempre com passo mais rápido e mais à frente) ou à vinda (ainda de manhã) quando ela voltava já da escola. Ela sorria e dizia Bom Dia, eu idem. Nunca trocámos mais palavras do que isto.

Ela parecia ser muito simpática e sorria-me sempre. Por vezes passou-me pela cabeça (aquele feeling que às vezes temos) que ela gostaria de parar e conversar um bocado. Mas a diferença entre nós é que ela descia calmamente algumas ruas a falar descontraidamente com o filho (pelo que soube hoje e já desconfiava, mora ali perto) e eu descia a rua em passo super rápido para ver se os 2 miúdos entravam rapidamente na escola, para eu depois voltar ao carro. Cheguei a ir para o carro a correr literalmente, tal era o stress e pressa, porque tinha mesmo de entrar no trabalho a horas (era super controlada e também queria sair a horas por causa... dos miúdos). Por isso, nunca houve grandes possibilidades de conversa. Nos últimos tempos, eu já não corro para o carro, mas também já não me cruzo tantas vezes com ela porque os meus horários e pressas mudaram ligeiramente...

Hoje tive de ir à escola com os miúdos. 

E, quase ao ir embora, esbarrei com uma pessoa que estava na fila da papelaria. Esse alguém voltou a sorrir-me imenso como se fossemos velhas conhecidas. Sorri também enquanto dentro da minha cabeça pensava furiosamente em que era ela afinal... mãe de quem, etc etc. Depois percebi. E pela primeira vez em anos (sim...ANOS) falámos um pouco. Ela perguntou se estavamos bem, comentou que os miúdos estavam super crescidos, parecia agradada e espantada. Percebi que o filho dela tinha entrado para a mesma área que o meu mais velho, etc. 

E, de repente, disse uma coisa que teve algum impacto em mim e que achei muita piada. Ela parecia refletir na vida quando afirmou o seguinte, ao olhar para eles com curiosidade: "Eles estão mesmo grandes e é muito curioso, olho para eles e lembro-me de quando eram bem mais pequenos e com ar bem novinho. É giro... eu, durante anos, vi-os crescer. Vi-os quase todos os dias, meses, anos a passarem por mim, tenho-os visto crescer ao longe, mas tenho."

Caramba. Que bonito e que profundo. Ela nem nos conhece, nem os conhece. E, no entanto, a passagem do tempo por eles teve algum impacto nela, deixou memória. 

Curiosamente e infelizmente eu não tenho a mesma análise do que ela... Via-a a passar sim, mas mal me lembro do filho dela mais novo. Só me lembro de ir para a escola a correr e sair de lá a correr também. Estava ainda na famosa roda dos ratos, sentia-me completamente assoberbada. O que me saltava sempre à vista eram aqueles olhos incrivelmente bonitos, ainda por cima numa cara super calorosa.

Foi giro o nosso encontro de hoje. Ela perguntou-nos o nome e disse o dela e o do filho. De repente, ela tem um nome o que é estranho. Talvez da próxima vez que nos cruzarmos já comece a surgir um novo tipo de interação menos fugidia. 

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Questions

 


If you were confident enough... 

what would you be, 

what would you do.


(question asked by some random guy, in some random street, to some random people)

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Tatuagens

 

O jovem mais velho quer fazer uma tatuagem com a mãe. Fala nisso há uns 2 ou 3 anos, não sei qual é a pancada. O engraçado é que eu gosto de tatuagens (nos sítios certos, com o tamanho certo) mas como não faço ideia do que quereria taturar para sempre na pele, fico quieta. E o "para sempre" é sempre assustador.

Este verão ele voltou à carga. Gostava de eventualmente fazer uma tatuagem e queria fazê-la comigo. Algo pequeno, os dois. Acho que sim é uma ideia, mas não já. Ele é novinho. Mas é começar a pensar.

O mais engraçado é que hoje uma amiga minha disse-me exatamente o mesmo. Que ela e o filho estavam a pensar fazer uma tatuagem. Mas iam começar primeiro por furos na orelha. Ela tem alguns já e quer mais, ele não tem nenhum.

Depois ela teve a ideia de que eu e ela podiamos também fazer uma tatuagem juntas. Ela vem cá em dezembro e achou que seria ótima ideia lol 

Tá tudo louco...

(mas às vezes é bom pensar em loucuras)

terça-feira, 25 de agosto de 2026

A chegada

 

Ele telefona-me.
Vem do norte; está a caminho e chega depois de almoço (tal como tinha previsto no dia anterior) com mais azeite, batatas e cebolas.
(Já não sei o que fazer com tanto azeite... vender? mas gosto sempre de o receber e as batatas e cebolas idem. Que não...)
Telefona e diz que está cá à hora x, se estou em casa e se pode passar aqui e descarregar as coisas antes de ir para casa finalmente. Digo que afinal não vou conseguir estar já em casa, que íamos almoçar fora mas que o restaurante estava inexplicavelmente cheio e só conseguiam ter mais gente a uma hora mais tardia.
A malta tinha ido fazer exercício e estava suada e iam tomar tomar banho, o que demora, e neste caso até dava jeito, para conciliar as horas todas.
Menos com ele.
O tom dele muda...
Leio o pensamento dele: disseste ontem que ias estar em casa e agora estás a borrifar-te para mim, eu que te disse que ia chegar depois de almoço, e agora eu que me lixe, eu que te trazia coisas e me dava jeito dar-tas já agora.
Ele diz: Ai é... ah ok... pois, pois... está bem!
O tom sai ligeiramente irritado.
Eu desculpo-me: Não tenho culpa, isto atrasou tudo e o restaurante, que até costuma estar sempre livre, só tem vagas mais tarde. Mas como estamos de férias não havia problema. E também não há problema com a tua chegada... vai diretamente para casa tratar das tuas coisas e descansar que quando sairmos do restaurante passamos por aí sem problema.
Ele: Vá... (num tom de És sempre a mesma coisa)
Eu tento continuar a falar.
E de repente, não se ouve nada.
A chamada foi desligada.
Cai-me aquela humilhaçãozinha ego adentro, aquela que já senti outras vezes, aquela que por vezes roça o desrespeito, aquela ação que acha que não faz mal ter comigo porque sou quem sou em relação a ele. E no ranking... eu venho em baixo. E principalmente, fiz algo que ele não gostou, que não lhe dava jeito.
E eu a achar que o ajuste de planos não era nada de mais...
Almoço.
Fui para lá calada. Estou com uma nuvem a pairar na minha cabeça. As férias já foram e a realidade começa. Está tudo bem por fora, por dentro sou novamente uma mulher bipolar que tenta justificar-se com as variações hormonais desta fase. Penso mais uma vez que tenho de voltar a tentar correr mais certinho e passar a fazer ginásio a sério ou treinos de força em casa (mas aí falta-me a discipina). Furiosamente tenho de pôr o meu físico em forma e a minha mente saudável.
Continuando.
Tento estar atenta às comversas durante o almoço. Mas incrivelmente agora passa tudo por carros, os que se vêm nas revistas, os clássicos, os modernos, os híbridos, os electricos, os baratos, os caros, os que se teria se houvesse dinheiro total disponível, os que as estrelas por aí têm, os carros que o Rowan Atkinson tem, o facto de ele ter agora uma nova namorada muito mais nova (a crise dos 60, será? sempre ouvi falar mais na crise dos 40 - nos homens -  e dos 50 - nas mulheres (quando decidem que estão fartas de ser fadas do lar a fazer tudo para agradar à família). É-me dito pelo homem mais velho que ele é uma pessoa super interessante e culta. Eu digo que acredito piamente nisso, mas que não seria namorada dele ainda assim (se bem que o dinheiro que ele tem deve ser incrivelmente atraente ahahahaha). Supreso contesta; ele é um homem interessante.
Para ti! Para mim não.
Ele é super culto!!
Sim, o ser culto é um fator que entra no desejo sim e no interesse de uma mulher, mas não vejo ali grande atração física.
Ele é um homem charmoso.
Não para mim. Seria aguém que gostaria de ter no meu círculo de amigos e conhecidos provavelmente, agora se queria ser NAMORADA... isso implica mais coisas, certo? (enfim... não pude ser mais explícita. Há homens super super cultos que sabem tudo e mais alguma coisa, mas isso não quer dizer que os queiramos foder, certo? uma pessoa tem de sentir algo, certo?)
Carro.
Telefono e estou em alta voz.
Digo: Já acabámos de comer...
Começaa responder: Parabéns!...
E completo já a esmorecer e ainda fria depois do telefone desligado na cara: ... e estamos a ir para aí.
Responde: Ok, quando chegares diz que tens de levar o carro para a zona da garagem.
Chegamos e assim acontece. Garagem. Levar as coisas para o carro.
Ele fala com os miúdos. As piadas de sempre, as namoradas, se viram alguma espanhola para ele, que altos, etc:
Depois pergunta como foi a viagem e tal.
Nunca olha para mim.
Às vezes sim, mas é de raspão, parece sempre que sou ali o sidekick, o plus one, a acompanhante. Serei eu assim tão desinteressante? Se calhar sim. Lá está, é como o que escrevi no outro texto: ele já sabe quem eu sou, então não há muito mais a saber.
A conversa continua e eu continuo calada.
Ainda digo qualquer coisa, mas não tem grande eco.
E também não tenho grande vontade de falar.
Oiço.
Sobre várias coisas de converseta que são ditas, mas que não nos meus olhos, nos olhos de outro.
Ele diz que está cansado da viagem e admite que é por isso que preferia ir levar as coisas a minha casa.
Não percebo.
Ele diz que assim não tinha tido o trabalho de tirar as coisas da mala do carro para o chão da garagem.
Continuo sem perceber; desta vez a lógica do pensamento. As coisas não podiam ter ficado no carro dele e depois nós passávamos para o nosso sem ser preciso ele levantar um dedo?
Colocamos as coisas no carro. Não são assim tantas.
Ele despede-se.
Uma palmada nas costas do homem.
Abraços às crianças.
Um encosto de face a mim, nas duas faces. Aquele proform que se faz com as pessoas.
Discretamente uma mão passa na minha cabeça.
Eu sei que é de apoio. Mas desvio.
Não preciso do consolo de ninguém. 
São anos e anos desta relação pouco emocional. Custa, mas já estou batida.
No carro idem. Não afasto, mas não revelo qualquer emoção. 
Já revelei emoções a mais por hoje.
Amanhã é um novo dia.
Siga.

Ser ou não ser...

 

Aqui há tempos vi um filme que adorei. O meu tipo de filme. Aqueles filmes leves e românticos que nos fazem sonhar e pensar que ainda há finais interessantes e óbvios.

Claro que estamos a falar de filmes com malta de 20 e tal anos. Sem filhos, sem grandes responsabilidades, que viajam e se divertem sem preocupações, para quem a grande questão é "será que ele/a gosta de mim".


Agora primeiro:

Sobre o que fala o filme? O filme acompanha acompanha Poppy e Alex, dois amigos que são praticamente opostos: Poppy é espontânea, aventureira e adora viajar. Alex é mais reservado, organizado e prefere uma vida tranquila. Apesar das diferenças, os dois tornam-se melhores amigos e, durante vários anos, decidem fazer uma viagem juntos todos os verões. Ela anima-o e incentiva as suas aventuras amorosas e ele idem. O problema é que, depois de uma viagem que corre mal, passam dois anos sem se falar. Quando ela percebe que não se sente feliz com a vida que tem, convence Alex a fazerem mais uma viagem juntos, numa tentativa de recuperar a amizade. Naturalmente, começam a surgir sentimentos que talvez sempre tenham estado ali restringidos… A clássica história da amizade que se transforma em amor.


Segundo, e sobre o que eu queria falar:

Pergunto-me muitas vezes sobre esta necessidade de ir para outro lugar, de temer ficar presa a algum sítio, de pensar sempre se haverá um outro sítio onde estaria melhor, este sentimento eterno de procura, de busca de algo que nunca sei bem definir o que é, daquele sentimento de que "assim é que vou conseguir estar em paz". (mas será que a alma humana está alguma vez satisfeita? se calhar algumas almas sim, eu desconfio que a minha não).  Enquanto via o filme quase tive a resposta a esta questão. A certa altura, a protagonista confessa ao amigo uma situação super embaraçosa que aconteceu quando era teenager. E refere: " No dia seguinte, na escola, todos se riam de mim". E continua: "Quando decidem quem és, acabou-se. É por isso que quero viajar (a profissão dela estava relacionada com isso). Podes ser quem quiseres, em vez de quem dizem que és."

Esta frase marcou-me. É isto.

Quando se passa muito tempo no mesmo lugar, com as mesmas pessoas, a mesma "comunidade", a mesma paisagem, os mesmos hábitos, as pessoas criam uma imagem tua na cabeça delas. Acham que te conhecem. E conhecem, até podem conhecer... mas conhecem a versão que lhes dás porque isso responde ao estímulo que elas também te dão, ao que te entregam. Se te entregam uma infinita possibilidade coisas (não falo em coisas materiais, falo em pensamentos, mentalidade, ações, vontades, etc) isso influencia-te de uma maneira e passas a ser um tipo de pessoa. Se te entregam outro tipo de coisas diferentes (ou até menos desafiantes), acredito que, por osmose, também te torna um bocado o reflexo disso. 

E assim, os outros definem o teu perfil. Decidem, mesmo sem querer e sem quereres, quem tu és, segundo o que elas próprias são e o que acham que conhecem de ti. E não consegues sair dali. Dessa imagem que fizeram de ti e que decidiu quem tu és para o mundo.

Quando sais dessa zona (mental e lugar físico) quando abres uma página em branco (o que acontece muitas vezes quando conheces pessoas novas, quando fazes coisas novas, ou quando visitas outros lugares) de repente estás livre. Livre para seres quem tu quiseres. És uma folha em branco para os outros (mesmo que a cor da tua página já tenha o tom que ficou impresso pelas tuas experiências passadas) e para ti próprio. Vês o mundo de outro modo, vês coisas novas, podes sacar outras versões que existem dentro de ti, de repente és infinito, poderoso e livre.

Por isso é que nos meus vintes quis sair de onde estava. Quis sair de casa dos pais, ir para outro lugar onde ninguém me conhecesse, provar(-me) do que era capaz, provar que era capaz de ir sem ajuda de ninguém, estar me myself and i, conhecer pessoas novas, mentalidades novas, realidades diferentes. Sempre achei que evoluir era ir andado aqui e ali. Mudando. E mudando de sítio também. Não conseguia perceber quem vivia na casa dos pais a vida toda, quem tinha o mesmo namorado (e casava com ele!) a vida toda, quem não saía do mesmo emprego a vida toda, quem ia aos mesmos lugares a vida toda, quem se resignava e não ia ver o que se passava além do seu perimetro confortável. Mas pior, quem ficava nesse perímetro e não conseguia sequer então apreciar as pequenas coisas belas que iam acontecendo mesmo que no mesmo lugar. Coisas essas que eram também pequenas mudanças e evoluções, mesmo que parecessem não o ser à primeira vista.

Quando voltei do sítio onde vivi fora algum tempo, regressar à casa dos pais sem ter nada mais em vista, foi um golpe no meu ego e esperança. Sim, tinha conforto, comida e cama lavada. Mas estava perdida e sem norte, e caí em depressão. Durou uns valentes meses e não sabia bem como dar a volta. Falava com amigas e nada de mais havia para contar. Elas não tinham saído da cidade onde moravam, ou das casas onde moravam, mas pior... não tinham saído da mentalidade do "ah, não se passa nada, tudo na mesma, tudo a andar". Epa se nunca há nada de especial para contar (pensamentos, algo que se viu ou leu, a aldeia que visitámos, o novo desafio que o trabalho nos trouxe, as flores que plantámos) epa é preferível morrer...

Eu queria crescer e fazer coisas. Viver.

Depois fui morar para um apartamento, saí da casa dos pais. Isso foi um marco: o meu segundo pseudo grito do ipiranga. Depois, anos mais tarde, em conversa sobre a casa onde cresci (a última) poder ser vendida, fiquei de pé atrás... Inicialmente o que era dito era "mas se ninguém vier para aqui... para quê um dia mantê-la". Porque ela é linda? (mesmo que a precisar de umas remodelações) e tem umas condições de condomínio incríveis? 

Mas eu não queria pensar sequer em voltar a viver lá. Na minha cabeça, isso era o retrocesso total. Era voltar ao espaço físico onde tinha sido criança, depois adolescente e depois adulta. Onde vi e vivi coisas que não adoro lembrar-me, onde também vivi momentos giros e caricatos. 

Mas a casa era o que a rapariga do filme dizia. Era o sítio onde quem eu era já tinha sido definido, por tudo o que se tinha passado ali. Aquela casa conhecia-me - pelo menos a minha versão dos 11 aos 21 anos (seguidos, depois mais tarde ainda passei lá mais ou menos 3 anos, às turras com a minha mãe). Aquela casa ditava quem eu era. Conhecia os meus medos, esperanças, amores e desamores, ilusões e desilusões. Portanto, aquela casa não era o futuro, não era quem eu queria ser (fosse isso o que fosse), aquela casa não era o mundo de possibilidades que eu queria à minha frente. Não era liberdade, seja isso o que for também...

Depois a vida correu e, apesar de ainda não me sentir confortável com o pensamento de voltar a viver em sítios onde já vivi (sinto sempre que voltei trás na vida), também aprendi que quem somos e queremos ser (e vamos ser) só está nas nossas mãos e não no espaço que habitamos. Não nos sítios que visitamos. Essas casas já não terão lá as pessoas que tinham antes, os móveis mudam, o chão muda, as decorações mudam, a vida muda. Percebi que a nossa mentalidade é que define tudo, indepentemente do local. Só temos de estar abertos a mudar esses sítios como nós queremos, à imagem do que queremos ser e do modo como queremos estar. Tudo depende da nossa perspectiva.

Eu não quero que decidam quem eu sou. Nem a sociedade, nem a minha idade ou género, nem nada. Quero continuar a acreditar ainda que "quando for grande" poderei ser quem eu quiser. A questão é que já sou grande. E ainda quero ser tanta coisa.

E agora? Sou quem eu quero ser ou sou quem dizem que eu sou?

E quem sou eu?




sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Not today

 


Ainda me falta a tal reflexão simples que queria escrever.
Mas escrevo amanhã. O dia hoje foi longo e ocupado.


Mas veio deste filme da Netflix, de um diálogo dela: 



"mores" da vida...

 

Ontem, apenas porque sim, e porque já imensa gente viu e comentou e eu quis ver e dar os meus palpites também, comecei a ver o documentário da família Patrocínio (sim, aquelas famosas manas portuguesas). No meio da filmagem a mostrar a vida de uma delas, a mais velha, ela e o marido (um segundo casamento com um pelos vistos conhecido "empresário da noite") eram filmados a jantar com os filhos todos, e outras situações random. E... era "mor" para aqui, "mor" para ali, "mor" para acolá. Não sei. Era estranho. 

Não me identifico com essa nomeclatura fofinha a toda a hora; não digo que não se diga Amor!, mas pessoalmente nunca me dirigi a ninguém assim (sim, devo ser traumatizada, ou então um coração de gelo) e então em substituição do nome próprio... lol... de todo mesmo. 

Pode-se chamar alguém carinhosamente claro, algum termo engraçado e fofo, ou o "inho" ou "inha" no fim (que, de qualquer modo, me lembra sempre a maneira como chamamos os nossos filhos ou seres mais indefesos, não propriamente o nosso par romântico que está ao nosso nível). 

Mas "mor" a toda a hora? A pessoa não tem nome?

É mais queque assim? Ou mais fino? Ou mais cool? Ou ama-se mais porque se diz essa palavra a toda a hora??

Ah!, isso lembra-me quem tem no telemóvel o nome do namorado ou marido etc escrito como "Amor" ou outras cenas do estilo. Tens um marido que se chama João, mas o nome que aparece no telemóvel é "Amor". Quem vir já sabe que a pessoa é o amor... ou um amor... ou isso tudo. Mas não sabe o nome. 

A pessoa tem um treco na rua, queremos ajudar, e vamos telefonar ao... Amor. E não ao João, António, José, Martim, etc... "Está lá? Sr. Amor? Era só para dizer que venha para casa, ou vá ter ao hospital, porque a Marta caiu redonda no chão, ou partiu uma perna, etc."

"Amor". "mor". "loves", etc...

É porque deve ser "suposto" tratar assim, imagino. Assim mostra-se ao mundo o quão apaixonado se está, o quanto se ama...


terça-feira, 30 de junho de 2026

Negrume

 

E há dias negros assim.

Um sufoco no peito.
O dia de sol lá fora que não anima nem uma célula do corpo. 
A solidão de mais um dia em casa, ao computador, no meio da incerteza que ele ainda me traz.
A seca do que vejo à frente na tela.
As notícias sobre o país que me chegam.
Aquela constante pergunta interior de se o que está noutro país talvez seja melhor do que aqui.
O já ter vivido mil vidas mas parecer que, por fora, regresso à mesma de sempre.
O ter tudo e sentir que ainda não tenho nada.
Aquela sombra que paira a toda a hora sobre mim, intercalada por dias em que, de repente, essa névoa escura se afasta e eu consigo estar leve e sorrir genuinamente.
Aquela ansiedade.
Aquele medo, nem sei eu bem de quê.
Aquela tristeza e vontade de chorar, pontilhada por momentos alegres.
Uma inconstância como eu nunca senti.
Aquela vontade forte de pegar na cabeça e batê-la violentamente na parede (re pe ti da men te) para ver se isto passa.
Aqueles dias em que tudo parece bem e confortável.
Aqueles dias em que nada parece bem e tudo é desconftortável.
E a angústia.
Meu Deus.
Nunca ninguém me tinha falado nela.
Já nem falo em nada especificamente (trabalho, amor, finanças, etc).
É algo que simplesmente um dia se acorda e está lá.
E passa um dia.
Passam 2 ou mais.
E a sensação continua lá.
E tenta-se rir, depois é-se agressiva, depois parva, depois leve, depois seca, depois sarcástica.
E não se acredita mais em nada.
Não há em fé em nada.
Tudo é negro.
Tudo é negro dentro da mente.
Depois saímos e tentamos distrair-nos.
Por vezes conseguimos.
Mas não podemos escapar da nossa mente.
E assim que nos encontramos sozinhas,
A escuridão desce.
Encontra-nos
por muito positivas que queiramos estar.
A vontade de lutar foi-se.
A vontade do que quer que seja foi-se.
Temos de curtir o silêncio.
Toda e qualquer pessoa a falar numa entrevista aborrece.
As redes sociais são mais do mesmo.
Sonhos, menopausa, ambição, finanças, ilustração, CV, como conseguir não sei o quê, relações, ser mulher, etc, etc, etc...
O cansaço mental é brutal.
É real.

Não sei se é isto que é a menopausa, a chegada dela.
Estou-me a borrifar se já não sou fértil. Já fiz o meu "suposto" nesse campo, biologicamente falando.
Se engordar uns kg engordo. Se ganhar umas banhas, ganho. Se ficar com mais rugas, fico. Se ficar com calores, fico. Dá para lidar com isso, diria. Até com aquela névoa mental que às vezes chega, aquele esquecimento do nada.
Mas este negrume mental que às vezes assola... É brutal. 

Depois chega o filho mais velho a casa, todo alegre a falar dos ensaios de hoje e da boa vida que anda a ter. Contagia um bocado. Salva um bocado.
Depois penso como deve ser bom sentir novamente que temos todo o tempo do mundo e simplesmente ir andando.
Depois sento-me ao computador e continuo esta seca de sempre que ando a fazer.
Estou tão farta. Não quero fazer isto o resto da vida.

Depois, é hora de ir buscar o mais novo.

A vida não espera por nós.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Tecnicalidades "pequenas"

 

Hoje consegui uma pequena grande façanha (para mim).

Talvez para alguém super técnico e tecnológico isto não fosse nada de mais... mas, hoje estava no carro com o iPad e precisava de aceder ao Google. Ali não tinha wi-fi, obviamente. 

Lembrei-me então de usar o hotspot móvel do meu telemóvel android. Já tinha visto malta usar aquilo para fornecer wi-fi, mas nunca tinha experimentado eu fazê-lo, especialmente sem ter alguém ao meu lado a dizer-me como o fazer (regra geral, as pessoas fazem, nós vemos, e 7 dias depois já não nos lembramos, porque não fomos nós a fazê-lo... é o eterno erro da minha vida - deixar que outros possam fazer aquilo que tenho de ser eu a fazer, para aprender).

E... viva o tio Google, viva o desenrascanço. 

Consegui! Consegui que o meu iPad se conectasse e recebesse rede do telemóvel. Ficou o meu servidor de rede durante uns minutos.

Uma pequena coisa para qualquer um de vós, um passo gigante para mim. Senti-me imbatível, independente, confiante! 

É o que eu quero este ano: ser eu a fazer as coisas, ser eu a pôr a mão na massa, ser eu. Não deixar para os outros. Quero provar a mim própria que consigo afzer tudo o que me propuser.

terça-feira, 9 de junho de 2026

O ajudante

 


Estou com a minha mãe no carro.

Vamos tratar de alguns assuntos dela e aproveito e levo no carro roupa minha para dar. Roupa, mochilas velhas com rodinhas, sapatos velhos. Tudo o que não vou vender. 

Depois dos assuntos tratados, vou lá deixar tudo. O portão grande da instituição está fechado, apenas uma parte dele está aberto. Alguns homens (negros, sobretudo) trabalham ali em qualquer coisa no chão. Algum cano roto, algo. É hora de almoço e um deles está sentado a descansar, mesmo em frente ao sítio onde tenho o carro estacionado (mal, com 4 piscas ligados). 

Saio do carro, olho para ele (ignorá-lo seria má educação na minha opinião, ele está ali mesmo à minha frente e observa os meus gestos), cumprimento-o com um Olá Boa Tarde e sorrio ligeiramente, e levanto o capô traseiro. Começo, muito despachada, a tirar alguns sacos.

Quando me preparo para os levar para a zona de recolha de bens usados, ele levanta-se de repente e diz-me apenas: deixe estar que eu levo. Digo que não é preciso e tal, mas ele já está a caminho. Levamos cada um uns 2 sacos/mochilas. Agradeço e desejo-lhe a continuação de um bom trabalho. Não recebo qualquer resposta de volta (pelo menos não a ouvi), mas não faz mal.

Entro no carro.

A minha mãe está surpreendida. Quem era aquele homem e porque me ajudou a levar os sacos?

Reflito 4 segundos... não sei quem era, e talvez tenha ajudado porque eu não o ignorei. Ele estava ali e eu podia ter passado sem dizer nada. Mas talvez, dado que eu mostrei reparar na existência dele, ele tenha decidido que eu merecia o pequeno gesto dele.

Nunca saberei.

Mas fiquei a pensar depois... será que nos ignoramos assim tanto uns aos outros que já achamos estranho quando alguém nos dirige a palavra apenas para dizer Bom Dia. Será que é assim tão estranho alguém nos querer ajudar com sacos?

Talvez se não andassemos tão de nariz empinado e vissemos quem está à nossa volta o mundo fosse mais suave.

Just saying...


quinta-feira, 4 de junho de 2026

A trabalhar

 

Estou a trabalhar e de repente, com música a tocar livremente no Youtube, aparece-me esta velha e fantástica canção. Que maravilha...!!



 Entre o prestar atenção ao trabalho em si e à letra da música perguntei ao Google sobre o que falava esta canção:

 Keane's hit "Somewhere Only We Know" is a nostalgic ballad about longing for safety, simplicity, and emotional connection. Written by the band's pianist Tim Rice-Oxley, it explores the comfort of returning to a private sanctuary—either a physical childhood spot or a secure relationship—amid the exhaustion of growing up and life changes.

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Cândido

 


Este texto já vai um dia ou dois tarde. Mas vai. Tudo vai a tempo e "tudo vale a pena quando a alma não é pequena" já diz o povo. O Cândido Mota morreu. Esse radialista que era um Senhor. Esse homem que parecia banal de aspecto, mas que bastava abrir a boca para se perceber que era uma mente extraordinária, cheia de vivências e pensamentos cheios. Tinha um tom de voz potente, diferente. Eu gostava muito de o ouvir. 

Eu tinha uns 15 ou 16 anos quando comecei a ter o hábito de ouvir música ou rádio à noite. Levava o walkman para a cama, colocava os phones e lá começava eu a minha viagem noturna, a sonhar acordada até me cansar e finalmente adormecer.

Mas havia dias em que queria qualquer coisa diferente. E então comecei a ouvir um programa de rádio com um certo locutor. Acho que o nome do programa era Passageiro da Noite e dava já mais tarde, noite dentro (começava às 00h e eu com aulas no dia a seguir...). Devo ter parado nele por acaso, presa por algum tema específico. E depois fiquei mesmo presa àquilo. Os assuntos eram sempre interessantes, adorava sempre para onde ia a conversa (eram conversas com ouvintes que telefonavam para lá). 

Fui-me apaixonando por aquela voz e por aquela experiência de vida. Ele era muito interessante. Explorava qualquer assunto com sabedoria, uma espécie de voz da experiência que eu, com os meus poucos 16 anos, não tinha ainda, mas admirava profundamente. 

Comecei a ansiar pela hora do programa, por ouvir aquela voz. Foi uma altura curiosa. Lembro-me que, ao início, nem queria saber como era aquele homem fisicamente (mais tarde lá percebi quem era porque também aparecia na televisão) para manter tudo meio difuso e poder eu imaginar a persona, aquele crush vocal.

Algum tempo mais tarde o programa acabou, infelizmente. (penso que só durou 2 anos e eu cheguei lá apenas nos últimos meses). Mas foi bom, deu-me outra visão sobre um homem adulto (que não me fosse próximo, o meu pai por exemplo), abriu-me horizontes, ajudou-me a mim própria a pensar e entrar num outro mundo de pensamento mais maduro. Foi fascinante.

Long live the king.

Nunca me conheceste, era uma formiga anónima no teu universo, mas tiveste impacto no meu. 

So long Cândido,
que Deus ou os deuses, ou as moléculas do universo, ou simplesmente a terra e as plantas te tratem bem.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Coisas que leio por aí...

 

Texto de uma psicóloga que sigo no Instagram.

Estava a fazer scroll, deparei-me com isto e pensei: é que é isto mesmo, é por isso que as pessoas não mudam nada nas suas vidas, não arriscam, não experimentam fazer coisas em que saiam da sua zona de conforto, não evoluem e ficam paralizadas. Isto que ela diz é tão, mas tão verdade. 

Eu não quero ser assim. Não quero que a dor ou o medo me limitem, não quero ter medo de falhar e de me frustrar (aliás parte da minha profissão sempre me deu obrigatoriamente um pequeno colete resistente às balas). Não quero ser passiva.






Grande, grande texto!






terça-feira, 5 de maio de 2026

Coisas que me irritam

 


Cenas da vida adulta que me irritam:

Pais adultos que sempre que chega um email da escola com alguma informação,
vão logo a correr espetar aquilo no grupo de whatsapp. 

Apetece-me dizer,

Meu/Minha... eu também tenho email, por favor não me faças ter mais uma notificação parva no telemóvel sobre uma coisa que vou ver DE QUALQUER MODO no email, seja agora seja mais logo.

FUCKING HELL

Thanks but no thanks

Tatuagens

 


No outro dia falava com o mais velho sobre tatuagens. Não sei a que propósito, mas falava. Ele dizia que quando for mais velho gostava de ter tatuagens aqui e ali (já o diz há uns anos). (Lá está, quando crescer fará o que achar melhor.) Eu disse quais os sítios onde gostava mais de ver tatuagens nas pessoas, etc e tal.

Gosto de tatuagens sim. Não gosto de qualquer coisa, mas é uma forma de expressão como outra qualquer. O senão? É permanente, não sai (ficar gasto e esborratado não é opção, ainda é pior) e a tinta entra no nosso sistema linfático, é agressora.

No entanto, nunca pus de parte essa ideia, caso houvesse algo que quisesse mesmo mesmo fixar no corpo.

E então disse ao miúdo: Se alguma dia achares que vais mesmo avançar para uma tattoo diz-me. Eu considerarei se é esse o momento em que perco a vergonha e desenho algo no corpo (seria certamente discreto e elegante) e vamos os dois partilhar essa aventura.

Ficou todo contente por saber que eu talvez alinhasse (seria uma "cena de família").

Eu também fiquei, só de imaginar o momento.

Não sei se algum dia o faremos, mas só a hipótese já me faz sorrir.