sábado, 7 de março de 2026

A fotografia

EVA

"Estou sentada à secretária. Mais um fim de semana a trabalhar, depois de uns últimos dias mal geridos em termos de trabalho. É de tarde e aproveito o espaço de tempo entre o ir buscar o mais velho a um almoço de anos para avançar no trabalho.

Houve uma pequena visita cá a casa, um adulto e uma criança, e o meu namorado, enquanto arruma o que a criança desarrumou, a certa altura olha para mim e comenta Não tens fotos nenhumas aí na secretária, pois não? A trabalhar digo. 

Eu não quero fotos, pareço um boneco Michelin, enchouriçado, e sinto-me como se estivesse dentro de um Iglô, tal é o frio. Não estou na mood para fotos, com mantas nas pernas, etc. Ainda assim, ele acha que estou bem e tira-me uma fotografia na mesma e mostra-ma para eu ver. Eu encolho os ombros, nem estou bem, nem estou mal. Estou. Sou eu de óculos, a trabalhar, e a olhar para um ecrãn.

Ele diz brincalhão e a sorrir: Haja alguém que te aprecie.

...

Faço um ligeiro trejeito com a boca... Nem sei bem se ele repara e, se sim, o que interpretou disso.

Tenho tudo e não tenho nada a dizer-lhe.

Mantenho-me em silêncio."

Encontros imediatos

Olá meus caros,

Hoje encontrei uma pessoa conhecida, em mais um daqueles momentos da vida em que nada o fazia prever. Fazia eu "tempo" entre as minhas funções de Uber quando decidi aproveitar e ir ao supermercado da zona. Deambulava por ali, já com o carrinho algo composto, quando olho para a frente e vejo uma mulher da minha idade que repara em mim ao mesmo tempo que eu.

Cabelo comprido preto, morena, olhos esverdeados, a mesma estutura de sempre. Ela e eu sorrimos, e tenho a certeza que ambas tivemos aquele milésimo de segundo em que nos passou pela cabeça "como é que isto vai ser? estranho e desconfortável? ou afável e bom?"

Já não nos víamos há quase 2 anos e o balanço final até foi bom. Os sorrisos tímidos iniciais deram lugar a sorrisos abertos e felizes com o encontro. Demos um bom abracinho. E do nada, parecia que estavamos a continuar uma conversa qualquer do dia anterior, como se nada de mais se tivesse passado, como se o tempo não tivesse sido interrompido entre nós.

Afinal de contas, trabalhámos juntas, cadeira com cadeira, todos os dias, durante quase 10 anos, os últimos 5 anos muito intensamente, para o bom e para o mau. Eu sabia muita coisa da vida dela, o que pensava, o que a fazia feliz, o que a fazia infeliz, etc. Umas vezes concordava com a filosofia de vida, outras não, mas fui muitas vezes confidente. Ela também sabia bastantes coisas da minha vida, embora eu sempre tenha sido mais reservada. Estávamos em posições diferentes...

Quis o destino (ou a minha vontade) que a nossa relação tenha sido cortada por vários motivos e ficámos sem falar durante muito tempo. Penso que ainda vamos continuar nesse regime, nada de mais mudou. Mas de algum modo a porta ficou aberta, a conversa correu bem, havia algumas novidades e emoção. Foi bom tê-la encontrado. Tenho algumas saudades de estar (só) com ela, entendiamo-nos relativamente bem. Foi alguém que levei muito tempo a conhecer porque era muito fechada e também muito sarcástica (mas eu era-o também e dava para nos rirmos a tentar adivinhar quem estava a falar a sério ou não). Mas, na altura, a parte má imperou. Hoje, acho que o que sobrou foi a parte boa e daí a conversa ter sido animada.

Às vezes penso nisso, como são curiosos estes encontros imediatos. Do nada, em vinte minutos, fiquei a saber informações interessantes. Tivesse eu virado o carrinho para outro lado naquele corredor, um minuto antes, e nunca me teria cruzado com ela.


segunda-feira, 2 de março de 2026

Objetivos 2

 

Das 3 coisas na minha lista para este mês que tenho e quero absolutamente fazer,
2 já estão em andamento. Siga! Sempre em frente.


Se eu não me conseguir "corresponder" em tudo no que quero, ninguém o fará!


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Objetivos

Tenho de colocar isto na minha parede do "escritório", para me lembrar de pôr tudo o que quero fazer na minha agenda. A lista já está feita. Agora é executar. E com prazos.


"Um objetivo nada mais é do que um sonho com limite de tempo."

Joel L. Griffith


No final de março tenho de ter pelo menos 3 das coisas feitas. 


Ready, 

set, 

go.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

O cabelo

Ela olhou-se ao espelho.

O cabelo ainda húmido que, ao secar naturalmente ao ar, ia ficando às ondas. Sempre que o secava ao ar ficava assim, naturalmente ondulado. Estava enorme. A começar a ficar mais seco novamente. Mas algumas mechas de cabelo estavam mais onduladas e a franja comprida também. Gostava. Dava um ar natural e ligeiramente selvagem.

Despiu-se para ir tomar banho. Espelho. 

O cabelo dava-lhe pelo meio das costas. Era bonito e ela pretendia mantê-lo assim por muito tempo. Era agora a sua marca e quem não gostasse ou criticasse que olhasse para o lado. O cabelo caia-lhe pelos ombos primeiro e depois deslizava pelas costas. E ela sentia-lhe bonita. As poucas rugas que tinha ainda não chegavam para lhe abalar a confiança.

Mas ia começar a trabalhar mais o corpo e a barriga. O objetivo era chegar ao verão mais tonificada. É bom ter objetivos. Mas objetivos racionais à parte... Sentia-se bonita, sim.

E conseguia ver-se muitas vezes pelas lentes dele. Aí sim, era a mulher mais bonita do mundo. Não era a mãe de alguém, filha de alguém, profissional, espectadora de algo, cliente de algo... nada disso.

Era apenas uma mulher.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

E de repente...

... eu que não sabia nada de nada sobre gráficos e tabelas e nomes e cenas...

Já só oiço e penso em:


1. Mapas Mentais

2. Gráficos/Tabelas de Gantt


para estruturar workflows...


Conheciam estes nomes? aplicam-nos no dia a dia?

Eu até aplicava dantes, mas num sistema muito rudimentar...


Agora, só sei que nada sei!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Um dia de cada vez

Mais uma noite.

Mais uma direta.

Direta das quase 11h da noite às 7 da manhã. 

Sem encontrar posição, a tentar não pensar em nada, mas com o corpo ainda em super estado de alerta sem conseguir descansar.

Ponto positivo: não chorei.

São 3 dias sem dormir absolutamente nada. Olheiras até aos pés, cinzentas-azuladas... nem sei de que cor são. Papos inchados.

Mas não chorei.

Quando me levantei hoje não estava escuro, estava alguma luz (mas não sol). Ajuda a animar.

Perguntaram-me: dormiste bem?

Respondi apenas: Não.

Não quis acrescentar mais nada. Não há nada a explicar ou inventar. Não, não domi bem. De facto não dormi mesmo nada, zero. Mas essa informação não interessa.

Já não me foi perguntado mais nada de volta. Acho que o meu tom foi: não quero mais perguntas.

Outro ponto positivo: o gato veio novamente dormir comigo. Já o tinha feito há uma semana, por aí. É muito muito raro fazê-lo. Curiosamente da outra vez que o fez foi também num momento em que parecia o fim do mundo (e era o começo do fim do mundo, eu é que ainda não tinha percebido). Esta noite, a meio da noite foi-se aninhar novamente ao lado das minhas pernas, encosta o lombo ali e sinto o peso dele e sinto-o a descontrair para dormir. Já da outra vez pensei o mesmo que pensei hoje: é curioso como os animais parecem detetar o nosso estado de espírito, quando precisamos de.. alguma coisa.. algum sinal.. algum conforto. As pessoas dizem que as crianças são o melhor do mundo. Acho que são uma coisa incrível sim, especialmente as nossas que são parte de nós, mas o melhor do mundo continuo a achar que são os animais. Aquela pureza toda não se encontra em mais lado nenhum. Acho que foi por isso que quis incluir um animal no meu novo desenho. É o símbolo de algo puro e simples.

Sinto-me mais calada do que o normal. Sem chorar, mas em silêncio absoluto. Não quero ouvir música ou podcasts, nada nos ouvidos. Quero silêncio.

Ao trabalho.