terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Os chapéus

Há muitos anos ouvi falar de uma teoria: a teoria dos Seis Chapéus do Pensamento, de Edward de Bono. Cada chapéu tinha uma cor e cada cor analisava um problema ou uma situação de modo diferente.

Coloco aqui um resumo:
  • Branco (Factos): Foca-se em dados, informações disponíveis e factos concretos, sem interpretações.
  • Vermelho (Emoções): Permite a expressão de sentimentos, intuições e emoções (gut feeling) sem necessidade de justificação.
  • Preto (Cautela): Representa o pensamento crítico, identificando riscos, problemas e desvantagens de forma lógica.
  • Amarelo (Otimismo): Foca-se nos pontos positivos, benefícios, valor e oportunidades da ideia.
  • Verde (Criatividade): Convida a gerar alternativas, novas ideias, possibilidades e soluções criativas.
  • Azul (Processo): Controla o processo de pensamento, organizando a agenda, definindo o uso dos outros chapéus e sintetizando as conclusões.

Durante muito tempo analisei e vivi uma situação à luz do chapéu vermelho, e lutei para ir ao mesmo tempo pensando em hipóteses e possibilidades (chapéu verde), mas foi-me sempre tirado esse chapéu e fui acabando por desistir de pensar sequer em voltar a colocá-lo tal era o feedback. Fui desanimando e muito. Mas mesmo assim, mes mo lá no fundo havia sempre uma luzinha, uma pequena esperança. E fui esperando e adiando. Tudo rodava à volta dessa questão. Sabotei pessoas, comprei brigas, tornei-me numa pessoa amarga e triste, ao mesmo tempo que vivia intensamente cada bocado possível com o tal chapéu vermelho e o amarelo também. 

Mas de repente, por ter querido muito voltar a usar o chapéu verde e o azul, o conflito estalou. E levei com o chapéu branco na cara, sem cerimónias. Durante uma semana ainda era a incerteza. Mas num espaço de 2 dias percebi, e por mensagem, que era melhor eu queimar esse chapéu vermelho de vez e de preferência voltar a usar um chapéu preto (um chapéu que sempre usei muito a vida toda).

Um dia em conversa, já agastada pela situação, referi algo como "Estou a desleixar uma parte da minha vida que tem de ter absoluta prioridade agora e ainda por cima se calhar a apostar no cavalo errado." Foi algo assim. O feedback foi "Essa doeu." Doeu? A sério que sim? Diria que eu sim sou o cavalo errado afinal.

Confesso que não sei que chapéu usar agora no meu dia a dia. Sucumbo à tristeza? Volto a trancar tudo a sete chaves e ser a menina de cara sorridente e meiga, mas prática? Não sei como me comportar.

O que faço eu agora?
Vou ser obrigada a fazer o quê? 
Vou ter de me esforçar muito para cuidar de mim. ..
Não sei como.
Não sei o que fazer.

Só de pensar em voltar à mulher distante e fria... Mas provavelmente terá de ser. Tenho de congelar tudo: pensamento, ações, coração. O frio ajuda a preservar. Vou ter de me obrigar a afastar pensamentos bastante intrusivos sobre alguns temas.

Mas não está fácil. Em dois dias de repente percebi que o jogo tinha mudado a sério, e foi de repente, ao contrário do que eu pensava que estava a acontecer - em que estava tudo em aberto. 

Quando eu entro no prédio do meu pai e ele me abre a porta, oiço sempre uma voz automática que diz: A porta está aberta, feche-a depois de entrar.

Agora li de repente, e por mensagem: a porta está fechada, volte para o seu lugar.

E nem posso desabafar com ninguém. Terei de fazer a melhor cara possível enquanto sangro por dentro.

A porta está fechada. Nem acredito que foi assim de repente.

Mas porque é que eu investi tanto nisto? Foi burrice ter usado os chapéus vermelho e amarelo, não foi? 

Eu sabia...


Estou incrédula com o desfecho, em choque. Como é que se passou de ver imagens lindas e quase comoventes e perceber ali algumas coisas, para o "A porta está fechada".


Ainda não sei que cara vou conseguir fazer hoje frente a toda a gente. Juro que não sei. Estou a tremer. Lá vou eu ter novamente de me reiventar. Ou isso ou é depressão total.

Só quero dormir e desaparecer.

Ok, a porta fechou então.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Not bye bye


Meus caros,

Muita preguiça (por enquanto) de parar isto e criar novo e anónimo blogue.


Not goobye for now.





"Torna-te aquilo que és."
- Friedrich Nietzch


Muitos se perguntarão o que são eles, no entanto...


"Devemos julgar um homem mais pelas perguntas do que pelas respostas." - Voltaire


"Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe." - Oscar Wilde






sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Conversas filhas da p.

Fui levá-lo a algum lado. 
Está grande e é o meu orgulho. 
Consigo ter conversas cada vez mais adultas e, ao mesmo tempo, dizer coisas cada vez mais disparatadas e arrojadas, sem medo.

Estamos só os 2 no carro e a certa altura um outro carro faz uma manobra perigosa, mesmo ao pé de nós, que nos podia ter posto em perigo. Irritada disparo logo (mais à-vontade porque estou sozinha com ele) e digo: "Filho da puta!!" 
Ele concorda, o outro foi mesmo idiota e perigoso.

Eu tento aliviar a minha malcriadice do momento (deveria dar o exemplo, nao é?) e digo-lhe "Desculpa o meu francês... aliás, dizendo como se costuma dizer a boa da expressão: Pardon my 'french'."
Ele responde: "Também podias dizer, como diz o J.(que é mesmo francês): Fis de pute!"
Eu: "Ele diz Fis de Pute?? Pensei que era Fis de Putain."
Ele: "Bem, não sei... ele diz assim."
Eu: "Mas eu sempre achei que puta era putain em francês, sempre ouvi assim." 
Ele: "Se calhar dá para dizer das duas maneiras."
Eu: "Provavelmente... Hás de lhe perguntar. Sim? Fiquei curiosa."
Ele: "Mais oui."

Seguem-se as cenas dos próximos capítulos. Se o meu se lembrar de lhe perguntar...

ADENDA
Explicação de um francês:
"Putain" dito sozinho, é como dizer "Merda!"
"Fis de Pute" é a expressão certa para Filho da P...
:)

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Cansada

Hoje li isto no LinkedIn...  - sítio onde toda a santa alminha despeja as suas grandes conquistas e feitos (mesmo que depois se vá a ver e estejam infelizes até ao tutano). Dizia uma moça chamada Marlene, em jeito de comentário ao um lamento de mais uma rapariga desempregada:

Compreendo bem o que sentes! Também estou à espera que o ciclo passe, também me sinto esmagada pelas vidas perfeitas das redes sociais, também me sinto obrigada a vir aqui e a mostrar a profissional que sou (e eu que não sou nada boa a "vender-me") porque tenho de recomeçar a trabalhar antes que dê em louca. Também penso duas vezes se devo partilhar este comentário porque não é boa onda falarmos das nossas fragilidades. Também eu estou cansada que me digam: aproveita o tempo livre para fazeres coisas de que gostas. Também eu me sinto culpada porque me queixo sempre da falta de tempo para os meus hobbies e agora sobra-me tempo e não me apetece fazer nada com ele. Também eu queria carregar no off e só voltar quando tudo fizer sentido outra vez. Não estás sozinha. E até suspeito que muitos dos que aqui partilham as suas histórias de sucesso nos acompanhem. Mas como sabes: não é bom não mostrarmos quão felizes estamos nos nossos desafios, quão gratos estamos à vida! Temos de andar para a frente... é o que é!

Podiam ser minhas as palavras dela. Isto de vidas perfeitas: só vistas de fora mesmo.

Mas não desisto. Um dia vou conseguir erguer-me novamente. Aos poucos isto tem de ir... só pode. Para trás nunca, para a frente sempre. O problema é a puta do ponto de interrogação, do não saber de todo o rumo disto. Por um lado aquela sensação de: há mil oportunidades à tua frente. Por outro é saber qual vai bater à minha porta, ou qual aquela pela qual vale a pena lutar.

Aqui e ali algo surge, mas qualquer dia tem de surgir algo grande mesmo! Senão, não dá.

É uma merda.

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

O batom

Num almoço com uma pessoa próxima de família, após a refeição, dei por mim a retocar (virada para um espelho) o batom dos lábios que estava já semidesaparecido. Ou tenho batom, ou não tenho batom. Quando fica aquele "mais ou menos"... não gosto.

Estava "na minha", nem muito discreta, nem espalhafatosa a fazer isso. Simplesmente saquei do batom e corrigi os lábios.

Essa pessoa olhou então para mim supreendida e não se coibiu de dizer alto: Vais a algum sítio agora? Vais sair?

Respondi que não ia a lado nenhum de especial e perguntei porque perguntava. Disse-me que era por me estar a ver a retocar o batom...

E é nestas situações que me salta interiormente a tampa, embora me mantenha polida e educada, e penso cá para mim Ok, vá, é outra geração... 

Mas...

1º: Preciso de algum motivo especial para pôr batom nos lábios?

2º: Preciso de ouvir isto à frente de outras pessoas? (mesmo que sejam família...).

3º: O assunto é assim tão importante que mereça o comentário/pergunta?

4º: Preciso de pensar 2 vezes antes de considerar pôr-me "bonita" se me apetecer? Ou tenho de andar o mais "normal" e "natural" possível só porque não estou em algum sítio que "valha o esforço"?

Posso olhar para o espelho e ser vaidosa só porque sim? E não ser alvo de comentários que no fundo só servem para estar a questionar o meu simples gesto?

Sim? Ok. 

Obrigada.

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Obcecada...

 ... por mais esta música da Halsey.

Há tantas dela que gosto. Passo semanas a ouvir a mesma. Agora é a vez desta. A partir do meio da música há um tom mais apoteótico e místico que adoro. Gosto mesmo. 


Isto é a parte boa do meu dia.

A parte menos boa é que sinto uma ansiedade brutal. Nem sei bem porquê? (hormonas?).

Tenho de tentar estar o máximo possível a trabalhar. 

E o mínimo indispensável em casa. Amanha faça chuva ou faça sol, apanhe trovões ou raios de sol, saio.