segunda-feira, 2 de março de 2026

Saudades

(ficção)


EVA

(carta ao meu amor, escrito no diário que tenho desde os 15 anos, perfumado e com cadeado dourado)


"Meu caro,

Às vezes perguntas-me se tenho saudades, se sinto falta, e se... tanta coisa.

Sinto sim. 

Claro que sim.

Se gosto de o dizer? 

Não gosto. Sinto-me estranha. Vulnerável. 

E eu não posso ser assim, não quero, não me traz nada. 

É dares-te a alguém e eu tenho muito medo de me dar a alguém. No fundo, a verdade é que se pensar no total da minha vida, entregar mesmo... só foi a ti. Ainda falta algo, tenho mais para dar, mas tenho pavor. Tremo ao pensar nisso.

Depois, ao mesmo tempo, tento respirar fundo e controlar tudo o que sinto sobre tudo o se faz ali noutro lado. Penso racionalmente. Tento ser prática e fria. E sou. Durante uns minutos. 

Depois só me apetece cometer um crime e esmagar e esfaquear alguém. Violentamente mesmo. É nessas alturas que penso que daria uma excelente assassina, aquelas fantásticas dos filmes: charmosa e cruel, que sorri como se nada fosse no fim.

Mas as assassinas não se apaixonam. E eu caí novamente. Caramba. Luto para me "descair".

Se não sentisse saudades e ciúmes e tudo isso, não estaria sempre a escrever e dizer algo. Cortava. Por agora não corto, não consigo. Corto muitas vezes mentalmente. Verbalizo e manifesto em voz alta (não é o que se diz para fazer?) que não estou para isto, que erro que isto foi, o que fomos fazer, e agora como vai ser. Penso todos os dias: trabalha mas é, e ignora tudo. Concentra-te nas tuas coisas. É só sexo, vá, nada de mais.

Mas mesmo que fosse apenas... não consigo lidar com o facto de poder haver sexo noutro lado. Odeio, odeio, odeio.

Vivo novamente o amor, sim. Caramba. Eu mereço. Depois de tudo, mereço voltar a abrir-me com alguém e não ficar só à espera de ser cuidada por alguém.

Tenho muitas saudades sim. Mesmo que me irrites, mesmo que eu seja picuinhas e chata por tudo e por nada, mesmo com todas as dúvidas e o saber que ainda me vou lixar... Mesmo assim o meu coração continua aqui, elástico e com muitas cicatrizes também. 

Mal posso esperar para te abraçar e estarmos ali os dois naquela sede de amor e sexo, aquela coisa carnal e extrema, mas doce ao mesmo tempo. Os nossos corpos juntos (a descansar ou não) é a coisa mais fantástica que já vi. Tenho essa imagem sempre comigo, como um retrato na minha cabeça.

Cada vez leio mais sobre estas situações, confissões anónimas na net, nas redes sociais. Anda tudo trocado. Toda a gente. Tudo com umas pessoas e a sonhar com outras. Mas porquê? E agora com as novas guerras e mundo virado ao contrário, sinto tudo aflito e perdido, a querer pensar que o melhor mesmo é só amar enquanto podemos e estamos vivos.

E eu quero estar viva. 

Eu quero-te a ti também.

Quero-te. 

Parvo... "

Objetivos 2

 

Das 3 coisas na minha lista para este mês que tenho e quero absolutamente fazer,
2 já estão em andamento. Siga! Sempre em frente.


Se eu não me conseguir "corresponder" em tudo no que quero, ninguém o fará!


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Objetivos

Tenho de colocar isto na minha parede do "escritório", para me lembrar de pôr tudo o que quero fazer na minha agenda. A lista já está feita. Agora é executar. E com prazos.


"Um objetivo nada mais é do que um sonho com limite de tempo."

Joel L. Griffith


No final de março tenho de ter pelo menos 3 das coisas feitas. 


Ready, 

set, 

go.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

O cabelo

Ela olhou-se ao espelho.

O cabelo ainda húmido que, ao secar naturalmente ao ar, ia ficando às ondas. Sempre que o secava ao ar ficava assim, naturalmente ondulado. Estava enorme. A começar a ficar mais seco novamente. Mas algumas mechas de cabelo estavam mais onduladas e a franja comprida também. Gostava. Dava um ar natural e ligeiramente selvagem.

Despiu-se para ir tomar banho. Espelho. 

O cabelo dava-lhe pelo meio das costas. Era bonito e ela pretendia mantê-lo assim por muito tempo. Era agora a sua marca e quem não gostasse ou criticasse que olhasse para o lado. O cabelo caia-lhe pelos ombos primeiro e depois deslizava pelas costas. E ela sentia-lhe bonita. As poucas rugas que tinha ainda não chegavam para lhe abalar a confiança.

Mas ia começar a trabalhar mais o corpo e a barriga. O objetivo era chegar ao verão mais tonificada. É bom ter objetivos. Mas objetivos racionais à parte... Sentia-se bonita, sim.

E conseguia ver-se muitas vezes pelas lentes dele. Aí sim, era a mulher mais bonita do mundo. Não era a mãe de alguém, filha de alguém, profissional, espectadora de algo, cliente de algo... nada disso.

Era apenas uma mulher.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

E de repente...

... eu que não sabia nada de nada sobre gráficos e tabelas e nomes e cenas...

Já só oiço e penso em:


1. Mapas Mentais

2. Gráficos/Tabelas de Gantt


para estruturar workflows...


Conheciam estes nomes? aplicam-nos no dia a dia?

Eu até aplicava dantes, mas num sistema muito rudimentar...


Agora, só sei que nada sei!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Um dia de cada vez

Mais uma noite.

Mais uma direta.

Direta das quase 11h da noite às 7 da manhã. 

Sem encontrar posição, a tentar não pensar em nada, mas com o corpo ainda em super estado de alerta sem conseguir descansar.

Ponto positivo: não chorei.

São 3 dias sem dormir absolutamente nada. Olheiras até aos pés, cinzentas-azuladas... nem sei de que cor são. Papos inchados.

Mas não chorei.

Quando me levantei hoje não estava escuro, estava alguma luz (mas não sol). Ajuda a animar.

Perguntaram-me: dormiste bem?

Respondi apenas: Não.

Não quis acrescentar mais nada. Não há nada a explicar ou inventar. Não, não domi bem. De facto não dormi mesmo nada, zero. Mas essa informação não interessa.

Já não me foi perguntado mais nada de volta. Acho que o meu tom foi: não quero mais perguntas.

Outro ponto positivo: o gato veio novamente dormir comigo. Já o tinha feito há uma semana, por aí. É muito muito raro fazê-lo. Curiosamente da outra vez que o fez foi também num momento em que parecia o fim do mundo (e era o começo do fim do mundo, eu é que ainda não tinha percebido). Esta noite, a meio da noite foi-se aninhar novamente ao lado das minhas pernas, encosta o lombo ali e sinto o peso dele e sinto-o a descontrair para dormir. Já da outra vez pensei o mesmo que pensei hoje: é curioso como os animais parecem detetar o nosso estado de espírito, quando precisamos de.. alguma coisa.. algum sinal.. algum conforto. As pessoas dizem que as crianças são o melhor do mundo. Acho que são uma coisa incrível sim, especialmente as nossas que são parte de nós, mas o melhor do mundo continuo a achar que são os animais. Aquela pureza toda não se encontra em mais lado nenhum. Acho que foi por isso que quis incluir um animal no meu novo desenho. É o símbolo de algo puro e simples.

Sinto-me mais calada do que o normal. Sem chorar, mas em silêncio absoluto. Não quero ouvir música ou podcasts, nada nos ouvidos. Quero silêncio.

Ao trabalho.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Delírios

(ficção)

Meus caros,

Às vezes deliro. São coisas simples:


"Estou num evento qualquer. Um casamento, uma festa, um almoço. Não interessa o quê.
Estou a falar com alguém e quando ergo o olhar estás tu ao fundo da sala a falar com outras pessoas. Há entre nós um sorriso imperceptível, só nosso. Uma espécie de telepatia que não diz nada, mas diz tudo.
A música à nossa volta toca e as pessoas dançam. A certa altura o registo da música muda, é mais intimista. E tu fazes uma coisa que nunca fizeste, levantas-te e vais-me buscar. E dançamos lentamente, juntos, abraçados, naquele conforto só nosso. Nada é forçado. E eu derreto-me ali (nunca achei confortável dançar de modo intimo porque nunca me dei ou permiti ter essa intimidade simples com alguém). Não quero saber quem olha para nós. E acho que tu também não. O mundo desaparece e sou só tu e eu por mais uns minutos. Lentamente."