segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

E de repente...

... eu que não sabia nada de nada sobre gráficos e tabelas e nomes e cenas...

Já só oiço e penso em:


1. Mapas Mentais

2. Gráficos/Tabelas de Gantt


para estruturar workflows...


Conheciam estes nomes? aplicam-nos no dia a dia?

Eu até aplicava dantes, mas num sistema muito rudimentar...


Agora, só sei que nada sei!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Um dia de cada vez

Mais uma noite.

Mais uma direta.

Direta das quase 11h da noite às 7 da manhã. 

Sem encontrar posição, a tentar não pensar em nada, mas com o corpo ainda em super estado de alerta sem conseguir descansar.

Ponto positivo: não chorei.

São 3 dias sem dormir absolutamente nada. Olheiras até aos pés, cinzentas-azuladas... nem sei de que cor são. Papos inchados.

Mas não chorei.

Quando me levantei hoje não estava escuro, estava alguma luz (mas não sol). Ajuda a animar.

Perguntaram-me: dormiste bem?

Respondi apenas: Não.

Não quis acrescentar mais nada. Não há nada a explicar ou inventar. Não, não domi bem. De facto não dormi mesmo nada, zero. Mas essa informação não interessa.

Já não me foi perguntado mais nada de volta. Acho que o meu tom foi: não quero mais perguntas.

Outro ponto positivo: o gato veio novamente dormir comigo. Já o tinha feito há uma semana, por aí. É muito muito raro fazê-lo. Curiosamente da outra vez que o fez foi também num momento em que parecia o fim do mundo (e era o começo do fim do mundo, eu é que ainda não tinha percebido). Esta noite, a meio da noite foi-se aninhar novamente ao lado das minhas pernas, encosta o lombo ali e sinto o peso dele e sinto-o a descontrair para dormir. Já da outra vez pensei o mesmo que pensei hoje: é curioso como os animais parecem detetar o nosso estado de espírito, quando precisamos de.. alguma coisa.. algum sinal.. algum conforto. As pessoas dizem que as crianças são o melhor do mundo. Acho que são uma coisa incrível sim, especialmente as nossas que são parte de nós, mas o melhor do mundo continuo a achar que são os animais. Aquela pureza toda não se encontra em mais lado nenhum. Acho que foi por isso que quis incluir um animal no meu novo desenho. É o símbolo de algo puro e simples.

Sinto-me mais calada do que o normal. Sem chorar, mas em silêncio absoluto. Não quero ouvir música ou podcasts, nada nos ouvidos. Quero silêncio.

Ao trabalho.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Delírios

(ficção)

Meus caros,

Às vezes deliro. São coisas simples:


"Estou num evento qualquer. Um casamento, uma festa, um almoço. Não interessa o quê.
Estou a falar com alguém e quando ergo o olhar estás tu ao fundo da sala a falar com outras pessoas. Há entre nós um sorriso imperceptível, só nosso. Uma espécie de telepatia que não diz nada, mas diz tudo.
A música à nossa volta toca e as pessoas dançam. A certa altura o registo da música muda, é mais intimista. E tu fazes uma coisa que nunca fizeste, levantas-te e vais-me buscar. E dançamos lentamente, juntos, abraçados, naquele conforto só nosso. Nada é forçado. E eu derreto-me ali (nunca achei confortável dançar de modo intimo porque nunca me dei ou permiti ter essa intimidade simples com alguém). Não quero saber quem olha para nós. E acho que tu também não. O mundo desaparece e sou só tu e eu por mais uns minutos. Lentamente."

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Fins de semana, glúten, amigos e conhecidos


(...)

Foi num sábado de manhã que a ansiedade veio. Eve tinha dormido bem, muito bem até, sentia-se com o corpo meio amassado o que ajudava sempre a descansar. E, de repente, acordou sobressaltada. Era muito cedo e ainda não havia luz lá fora. Mas o coração dela estava descompassado e levou uns segundos a perceber o porquê. Deviam ser 6h da manhã e a sensação era a de ter acordado depois de um pesadelo. Depois lembrou-se... naquele tempo matinal de sono já não-profundo tinha imaginado/sonhado que daí a umas 2h abria o telemovel e deparava-se com a mensagem que ela não queria mas teria de ler um dia. Uma mensagem que começaria com algo do estilo "Sei que não é fácil ler isto, mas já aconteceu isto e aquilo..., desculpa." Depois tomou consciência: se calhar estava a acontecer agora mesmo, nesse preciso momento. Seria uma promonição? Teria acordado assim repentinamente porque tinha pressentido algo? O coração começou a bater a um ritmo insurdecedor, a ansiedade era grande. Será? Depois tentou respirar fundo e repetiu o mantra "Não stresses nem dês mais importância do que a que tem às coisas que não podes controlar". Eventualmente acalmou, respirou fundo e decidiu não pensar mais. Eventualmente conseguiu voltar a dormitar e descansar mais um bocado antes do dia atarefado que ia ter.

Levantou-se e tentou não pegar no telemóvel. Sabia que ia ficar com o dia estragado se lesse mensagens antes do grande almoço que ia ter, em que tinha de mostrar o seu melhor sorriso e energia. Mas, raciocinou, então o melhor era ler logo para o caso de ter mensagens desagradáveis, assim tinha tempo de mastigar tudo e tentar não pensar muito o resto do dia. "Não quero saber." repetiu. 

O grande almoço de festa foi bom. Os miúdos ficaram numa mesa com outros miúdos e eventualmente o mais velho lá começou a falar sobre a vida com um outro que já tinha entrado na faculdade e lhe ia contando algumas peripécias. Eve e o marido ficaram noutra mesa com outras pessoas que não conheciam. Eve não estava nos seus dias de socialite. Sentia-se ansiosa. Era acarinhada pelo marido e, no entanto, sentia-se triste e algo desconfortável. Ele basicamente salvou a tarde: tinha assunto e falava com todos, o que é sempre bom. Mas como ninguém naquela mesa se conhecia, o mentor da festa lá foi apresentando as pessoas e foi dizendo: olha este é o X e é da área de marketing, este é o Y e é da aviação, etc etc. As primeiras trocas foram sobre em que trabalhavam todos, para encontrarem pontos comuns. Ora claro... nessa altura isso era um assunto sensível para Eve. Ela teria preferido falar sobre que livro andavam a ler, ou hobbies, peripécias de infância, etc... mas parece que isso eram temas que só surgiam quando as pessoas já eram amigas (e vá... é normal falar de trabalho).

Eventualmente, as conversas foram parar aos filhos e o que iam eles seguir ou fazer (os que já tinham 16 ou 19 anos). Estava um casal ao lado de Eve (nem todos na mesa eram casais) muito simpático e elegante. Ele curiosamente tinha uma pancada por parques temáticos e ia todos os anos a Orlando (EUA) uns dias para se divertir por lá (aparentemente há coisas novas todos os anos nos parques). Depois eram os cruzeiros. Falavam lindamente de cruzeiros (nunca digam nunca, mas barcos, navios, etc, nunca tinham sido um must para Eve). E então ela ouviu durante muito tempo quais os melhores cruzeiros a escolher, quais aqueles a evitar, o conselho da praxe de ir em alturas de época baixa (eles tinham um filho com quase 30 anos e já não se prendiam por épocas escolares). Parecia tudo tão fácil e fluido. Lá se falou no assunto favorito da malta no geral: viagens. Falou-se de episódios caricatos, alergias alimentares, etc etc. Ao ir buscar algo para comer (era volante) Eve captou uma conversa sobre glúten e chegou-se a 2 mulheres que falavam nisso. Uma delas era celíaca assim como o filho. Meteu conversa e ficou a falar com ela um bocado. Era sempre um tema valioso.

Algures durante o almoço e numa das vezes em que Eve estava de pé, um homem veio ter com ela. Inicialmente pensou: "Esta cara não me é nada estranha, é familiar. Mas de onde?" E então Eve animou-se! Ele era o assistente de bordo que os ajudara a ver que voos estavam disponíveis na ida e vinda ao Japão. Era o homem que num dia de folga seu lá, se tinha encontrado para jantar com eles e os conhecer. Era super simpático e melhor, era daqueles que falava com Eve e interagia tanto com ela como com o marido (muitas vezes em conversas onde Eve não tinha a mesma área profissional que outros homens, eles mal trocavam palavras com ela, e ela ficava apenas a ouvir ou ia fazer a ronda para outro lado). Este homem lembrava-se de coisas de há 2 anos que tinham falado, e ela idem. Foi um reecontro breve mas muito giro. 

Passadas 2h, Eve e a família rumaram para bem mais longe, para comemorar mais aniversários. Desta vez com alguma família e amigos da família. Desta vez um ambiente mais descontraído com um toddler irrequieto e charmoso que fazia as delicias de todos. Mais uma vez fazer conversa com conhecidos que vemos 1 vez por ano, falar sobre IA, como a usar no trabalho, quais as melhores ferramentas, etc etc. Eve gostou, mas estava mentalmente cansada. Um dia inteiro de fim de semana sem direito a fazer ronha no sofá um bocado não era fim de semana... E depois aquela sensação estranha de ver casais que pareciam super cool, in love e sintonizados - igual a ver beijos apaixonados no cinema. Eve sentia-se sempre tão estranha e triste.

Depois no caminho de regresso a casa à meia-noite: dar boleia a um rapaz conhecido. Era um simpático e espírito livre e lá contara que vivia em Espanha com a namorada (Eve já sabia) depois de uns anos a viver aqui e ali e a fazer coisas diferentes (do estilo: dar aulas a crianças no Peru, etc). Era engenheiro civil de formação e tinha trabalhado uns anos fora onde tinha ganho algum dinheiro e poupado. E o que ganhara investira cá (há uns anos) em 2 ou 3 casas que alugava agora como AL. Vivia das rendas. Eve pensou: "Bolas, isso é que era! Ter um negócio de AL." Às vezes pensava: "Onde é que eu fui tão burra que não pensei bem cedo em ir para algum país trabalhar e ganhar um bom dinheiro para depois regressar e viver bem". Porque raio é que não tinha ido para alguma companhia de aviação como assistente de bordo, etc e tal. Ou fazer trabalhos que ninguém gosta de fazer nos EUA, mas que bem poupado dá para voltar e ter um valente pé de meia? Algo que dê para pensar em futuros negócios, projetos, rendimentos? 

Eve secretamentente culpava os pais pela falta de orientação e aventura. Tinham protegido tanto que deram poucos empurrões para ela se soltar. Umas das palavras-chave da mãe era Medo, do pai era Estabilidade. Aquela filosofia pacata e académica demais. Ninguém se tinha esforçado por lhe abrir os olhos. Agora que os tinha bem mais abertos perguntava-se se era tarde de mais. O país estava o caos, o mundo à beira de uma 3a Guerra Mundial, a sua vida privada era melhor nem pensar muito, e a sua vida profissional era a incógnita perfeita. 

Eve tinha dias com esperança e otimismo. Mas tinha dias em que tudo ia por ali abaixo, onde lutava por se manter à tona para bem da harmonia familiar. Depois olhava para as fotografias tiradas nos almoços e jantares e parecia que nada se passava, que era só animação.

Depois eram os dias de votação, os resultados e os candidatos à 2a volta. E Eve esmorecia com a burrice do seu país...

E depois a semana começava e a luta recomeçava.


(...)

sábado, 10 de janeiro de 2026

Velhice



 A velhice acontece quando paramos de aprender.

Diálogos que oiço por aí

(...)

- ...na realidade nunca vemos os pequenos passos que damos, só o resultado final...

- A jornada de toda a gente começa embaraçosamente (para nós) pequena. (...) Ser humilde e ter compaixão pela nossa pessoa. Tomar ações que vão crescendo, mesmo que ao início não pareçam ser dignas de registo: ex. hoje fui andar. No dia a seguir: hoje aprendi isto. Etc. Fiz uma pequeníssima coisa que me fez andar em direção ao meu objetivo. É uma pequena vitória. Ao início não sabemos bem o que fazer, depois já sabemos o que fazer mas não sabemos como o fazer. Mas podemos sempre ir perguntar ao ChatGPT, pesquisar no Google, YouTube, telefonar a um amigo que sabemos que percebe daquele assunto e perguntar como se faz isto ou aquilo. A procrastinação muitas vezes vem quando sabemos o temos de fazer mas não sabemos como o fazer. É a questão de ação e de skills, e ambas geralmente são facilmente ultrapassáveis. 

- Li algures que há quem procrastine porque têm medo do que vão descobrir sobre elas se experimentarem fazer aquilo...

- O aspeto "bom" de procrastinarmos algo, de nunca experimentarmos fazer algo, é nunca sentir peso de falhar. Ou o peso da rejeição. (...) Se eu disser a mim próprio que tudo é uma merda e que nada nunca irá melhorar sentir-me-ei dispensado de alguma vez tentar algo. É mais confortável ser fatalista do que ser pragmático, e assim achamos que ser positivo é apenas ser ilusório... Assim é mais fácil e confortável. Mas isso é cinismo. O oposto disto é ser entusiasta. E é ótimo rodearmo-nos de pessoas entusiastas.



......


- Li algures que a falta de confinaça mata mais sonhos do que a falta de skills. (...) A confiança é aquela primeira peça que permite depois que as outras peças do dominó comecem a mexer. A questão é: eu acredito que consigo fazer isto?

- Vou dizer isto: eu acho que muita gente acredita que o acreditar em nós é a resposta. Mas nós podemos apenas fazer coisas, podemos fazê-las de qualquer modo. Podemos fazê-las cansados, sem acreditar em nós, fazê-las quando não queremos, podemos fazer algo que não vai resultar. É só fazê-las. E eu aprendi que podemos não ter autoestima e fazer as coisas de qualquer modo, podemos não acreditar em nós e ainda assim as coisas correrem bem. O Ryan Holiday diz "self belief is overrated generate evidence" (A autoconfiança é sobrevalorizada; constrói evidências). Yap... evidências. Quero a prova de que sou quem digo ser. Pessoalmente sou a cara do síndrome de impostor. Nunca pensei estar onde estou hoje. Sou teimoso. E ser teimoso significou que continuei a mostrar e a fazer coisas. Isso passou a ser considerado consistência. Queres escrever um livro por exemplo. Todas as semanas escreves umas linhas, todos os meses escreves 500 palavras. Num ano e pouco tens um livro. Parabéns! Já podes dizer que és escritor. Podes até consegui-lo editar. Um dia mais tarde a Penguin até quer publicar o teu livro...e parabéns!! Já conseguiste ser um autor publicado! E tudo começou com o pensamento e a ação de: deixa comçar a fazer esta pequena coisa. 

- (...) Às vezes fazemos as coisas porque se não as fizermos sentimos um vazio incrível. Não há como não fazer. (...)

. Sim. Outra coisa, um exemplo. Tens alguém que mora num sítio que não adora, uma casa minúscula, cheia de bolor - mas é perto do trabalho. Essa pessoa também trabalha num sítio onde tem uma chefia má, um ambiente razoável mas que não puxa, não pagam muito mas também não têm de trabalhar muito. Vou dizer isto: essa pessoa estaria melhor se estivessem em piores condições! Porque se sentiriam motivadas a melhorar as coisas, esta zona da complacência confortável vai assentar e ficar durante muito tempo e isso é perigoso. Porque é aquela zona em que as coisas não estão mesmo más para ficarem más, mas também não estão boas para serem mesmo boas. E esta zona cinzenta faz com que vás andando, mas não vás avançando mesmo. 


(conversa entre Chris Williamson e Steven Bartlett, recomendo ouvir, conversa informal e brilhante no podcast Diário de um CEO)

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

A luz que se foi

Olá meus amores,

Já há algum tempo que não venho aqui (faz sentido continuar a vir aqui?), por isso trago um momento que partilhei com uma amiga de longa data há uns dias. Não estavámos fisicamente presentes há muitos meses e, no que se está a tornar o sítio do café habitual, lá partilhámos a nossa vida atual e fizemos o update dos últimos meses. É um bom exercício e quase o sinto como uma espécie de terapia versão light (saímos dos encontros com amigas com pelo menos um destes sentimentos: mais leves, mais instrospectivas, mais divertidas, mais solidárias). Desta vez saí introspectiva.

Falámos dela e da sua vida atribulada nos últimos tempos e depois foi a minha vez. Contei-lhe a versão filtrada. A versão total... acho que ninguém acreditaria, é intensa e demasiado twilight zone.

A certa altura ela começou a suspirar. Ia pondo uma mão mais para cima e outra mais para baixo (a simular uma balança) consoante eu ia desabafando algumas coisas. Dizia-me: agora estás a pensar aqui, agora estás a pensar ali. Ela também partilhava as suas questões e iamos rindo, ela por vezes no seu tom quase profissional de quem já tem umas ferramentas extra (que as tem). 

De repente - o tempo do nosso encontro já estava a acabar - ela dá um grande suspiro e diz: "Olha, queres saber o que eu sinto como amiga quando te oiço? É como se estivessemos numa sala vazia e às escuras, com uma vela acesa no meio. Essa vela dá luz, mas quando começas a falar, a pensar alto, a fugir... é como se essa vela se apagasse. Tu apága-la. E eu fico às escuras contigo. Fica tudo escuro."

Fiquei em silêncio e confesso que em choque. Não soube o que dizer.

Nesse dia estava bem e risonha. Sentia-me no meu modo prático e despachado, no modo "fazer coisas", com energia. 

Aquela frase calou-me.

Até hoje não lhe quis perguntar o que queria exatamente dizer com aquilo.