(ficção)
Eva senta-se no sofá. Mas senta-se porque é hábito, na realidade ela quer é ir para a cama. Avisa logo que o fará cedo, daí a 30 minutos.
Ele senta-se ao lado dela também, não deixando um centimetro de espaço sequer.
A impaciência e trauma saltam logo ao de cima dela. Vai-se mexendo de modo a afastar-se ligeiramente e discretamente. Só precisa de não tocar em nada. Ela quer estar sozinha.
Minutos depois ele arranja modo de voltar a estar colado e aí ela já tem de avisar. Diz-lhe: estás completamente a invadir o meu espaço pessoal assim de repente, não consegues chegar-te só um bocado mais para lá? É só mesmo só um bocadinho senão tenho a sensação que nem me consigo mexer.
Vê o esgar de desagrado momentâneo dele. Mas não consegue evitar... Porque será que as pessoas assumem que as outras querem ser tocadas só porque vivem na mesma casa? E que tal...sei lá... perguntar?... Ele suspira frustrado porque não percebe de onde surgem estes limites todos novamente. Dá o desconto como sempre.
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Eva está no WC a lavar os dentes e, ao ver o quarto desarrumado, começa a organizar coisas enquanto escova os dentes. O quarto está como ela gosta de noite, com a luz da mesa de cabeceira ligada mas amena (ela coloca um livro por cima para a luz ser ainda mais suave). Precisa de ir acalmando, acompanhando a noite. Está entregue aos seus pensamentos (a tudo e a nada) e de repente ele sai do closet (que estava às escuras). Sai silenciosamente e ela não tinha percebido que ele estava no quarto. Eva assusta-se e dá um pequeno grito (acontece frequentemente em casa, porque ela está muitas vezes na lua e já toda a gente conhece os pequenos gritos de susto dela). Ai pá, parecias um fantasma a sair do nada... Ele ri-se e diz: continuas igual a ti própria, és mesmo uma queriducha.
Eva fica a pensar.
Eu, querida?
Não.
Não me conheces bem.