terça-feira, 30 de junho de 2026

Negrume

 

E há dias negros assim.

Um sufoco no peito.
O dia de sol lá fora que não anima nem uma célula do corpo. 
A solidão de mais um dia em casa, ao computador, no meio da incerteza que ele ainda me traz.
A seca do que vejo à frente na tela.
As notícias sobre o país que me chegam.
Aquela constante pergunta interior de se o que está noutro país talvez seja melhor do que aqui.
O já ter vivido mil vidas mas parecer que, por fora, regresso à mesma de sempre.
O ter tudo e sentir que ainda não tenho nada.
Aquela sombra que paira a toda a hora sobre mim, intercalada por dias em que, de repente, essa névoa escura se afasta e eu consigo estar leve e sorrir genuinamente.
Aquela ansiedade.
Aquele medo, nem sei eu bem de quê.
Aquela tristeza e vontade de chorar, pontilhada por momentos alegres.
Uma inconstância como eu nunca senti.
Aquela vontade forte de pegar na cabeça e batê-la violentamente na parede (re pe ti da men te) para ver se isto passa.
Aqueles dias em que tudo parece bem e confortável.
Aqueles dias em que nada parece bem e tudo é desconftortável.
E a angústia.
Meu Deus.
Nunca ninguém me tinha falado nela.
Já nem falo em nada especificamente (trabalho, amor, finanças, etc).
É algo que simplesmente um dia se acorda e está lá.
E passa um dia.
Passam 2 ou mais.
E a sensação continua lá.
E tenta-se rir, depois é-se agressiva, depois parva, depois leve, depois seca, depois sarcástica.
E não se acredita mais em nada.
Não há em fé em nada.
Tudo é negro.
Tudo é negro dentro da mente.
Depois saímos e tentamos distrair-nos.
Por vezes conseguimos.
Mas não podemos escapar da nossa mente.
E assim que nos encontramos sozinhas,
A escuridão desce.
Encontra-nos
por muito positivas que queiramos estar.
A vontade de lutar foi-se.
A vontade do que quer que seja foi-se.
Temos de curtir o silêncio.
Toda e qualquer pessoa a falar numa entrevista aborrece.
As redes sociais são mais do mesmo.
Sonhos, menopausa, ambição, finanças, ilustração, CV, como conseguir não sei o quê, relações, ser mulher, etc, etc, etc...
O cansaço mental é brutal.
É real.

Não sei se é isto que é a menopausa, a chegada dela.
Estou-me a borrifar se já não sou fértil. Já fiz o meu "suposto" nesse campo, biologicamente falando.
Se engordar uns kg engordo. Se ganhar umas banhas, ganho. Se ficar com mais rugas, fico. Se ficar com calores, fico. Dá para lidar com isso, diria. Até com aquela névoa mental que às vezes chega, aquele esquecimento do nada.
Mas este negrume mental que às vezes assola... É brutal. 

Depois chega o filho mais velho a casa, todo alegre a falar dos ensaios de hoje e da boa vida que anda a ter. Contagia um bocado. Salva um bocado.
Depois penso como deve ser bom sentir novamente que temos todo o tempo do mundo e simplesmente ir andando.
Depois sento-me ao computador e continuo esta seca de sempre que ando a fazer.
Estou tão farta. Não quero fazer isto o resto da vida.

Depois, é hora de ir buscar o mais novo.

A vida não espera por nós.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Tecnicalidades "pequenas"

 

Hoje consegui uma pequena grande façanha (para mim).

Talvez para alguém super técnico e tecnológico isto não fosse nada de mais... mas, hoje estava no carro com o iPad e precisava de aceder ao Google. Ali não tinha wi-fi, obviamente. 

Lembrei-me então de usar o hotspot móvel do meu telemóvel android. Já tinha visto malta usar aquilo para fornecer wi-fi, mas nunca tinha experimentado eu fazê-lo, especialmente sem ter alguém ao meu lado a dizer-me como o fazer (regra geral, as pessoas fazem, nós vemos, e 7 dias depois já não nos lembramos, porque não fomos nós a fazê-lo... é o eterno erro da minha vida - deixar que outros possam fazer aquilo que tenho de ser eu a fazer, para aprender).

E... viva o tio Google, viva o desenrascanço. 

Consegui! Consegui que o meu iPad se conectasse e recebesse rede do telemóvel. Ficou o meu servidor de rede durante uns minutos.

Uma pequena coisa para qualquer um de vós, um passo gigante para mim. Senti-me imbatível, independente, confiante! 

É o que eu quero este ano: ser eu a fazer as coisas, ser eu a pôr a mão na massa, ser eu. Não deixar para os outros. Quero provar a mim própria que consigo afzer tudo o que me propuser.

terça-feira, 9 de junho de 2026

O ajudante

 


Estou com a minha mãe no carro.

Vamos tratar de alguns assuntos dela e aproveito e levo no carro roupa minha para dar. Roupa, mochilas velhas com rodinhas, sapatos velhos. Tudo o que não vou vender. 

Depois dos assuntos tratados, vou lá deixar tudo. O portão grande da instituição está fechado, apenas uma parte dele está aberto. Alguns homens (negros, sobretudo) trabalham ali em qualquer coisa no chão. Algum cano roto, algo. É hora de almoço e um deles está sentado a descansar, mesmo em frente ao sítio onde tenho o carro estacionado (mal, com 4 piscas ligados). 

Saio do carro, olho para ele (ignorá-lo seria má educação na minha opinião, ele está ali mesmo à minha frente e observa os meus gestos), cumprimento-o com um Olá Boa Tarde e sorrio ligeiramente, e levanto o capô traseiro. Começo, muito despachada, a tirar alguns sacos.

Quando me preparo para os levar para a zona de recolha de bens usados, ele levanta-se de repente e diz-me apenas: deixe estar que eu levo. Digo que não é preciso e tal, mas ele já está a caminho. Levamos cada um uns 2 sacos/mochilas. Agradeço e desejo-lhe a continuação de um bom trabalho. Não recebo qualquer resposta de volta (pelo menos não a ouvi), mas não faz mal.

Entro no carro.

A minha mãe está surpreendida. Quem era aquele homem e porque me ajudou a levar os sacos?

Reflito 4 segundos... não sei quem era, e talvez tenha ajudado porque eu não o ignorei. Ele estava ali e eu podia ter passado sem dizer nada. Mas talvez, dado que eu mostrei reparar na existência dele, ele tenha decidido que eu merecia o pequeno gesto dele.

Nunca saberei.

Mas fiquei a pensar depois... será que nos ignoramos assim tanto uns aos outros que já achamos estranho quando alguém nos dirige a palavra apenas para dizer Bom Dia. Será que é assim tão estranho alguém nos querer ajudar com sacos?

Talvez se não andassemos tão de nariz empinado e vissemos quem está à nossa volta o mundo fosse mais suave.

Just saying...


quinta-feira, 4 de junho de 2026

A trabalhar

 

Estou a trabalhar e de repente, com música a tocar livremente no Youtube, aparece-me esta velha e fantástica canção. Que maravilha...!!



 Entre o prestar atenção ao trabalho em si e à letra da música perguntei ao Google sobre o que falava esta canção:

 Keane's hit "Somewhere Only We Know" is a nostalgic ballad about longing for safety, simplicity, and emotional connection. Written by the band's pianist Tim Rice-Oxley, it explores the comfort of returning to a private sanctuary—either a physical childhood spot or a secure relationship—amid the exhaustion of growing up and life changes.

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Cândido

 


Este texto já vai um dia ou dois tarde. Mas vai. Tudo vai a tempo e "tudo vale a pena quando a alma não é pequena" já diz o povo. O Cândido Mota morreu. Esse radialista que era um Senhor. Esse homem que parecia banal de aspecto, mas que bastava abrir a boca para se perceber que era uma mente extraordinária, cheia de vivências e pensamentos cheios. Tinha um tom de voz potente, diferente. Eu gostava muito de o ouvir. 

Eu tinha uns 15 ou 16 anos quando comecei a ter o hábito de ouvir música ou rádio à noite. Levava o walkman para a cama, colocava os phones e lá começava eu a minha viagem noturna, a sonhar acordada até me cansar e finalmente adormecer.

Mas havia dias em que queria qualquer coisa diferente. E então comecei a ouvir um programa de rádio com um certo locutor. Acho que o nome do programa era Passageiro da Noite e dava já mais tarde, noite dentro (começava às 00h e eu com aulas no dia a seguir...). Devo ter parado nele por acaso, presa por algum tema específico. E depois fiquei mesmo presa àquilo. Os assuntos eram sempre interessantes, adorava sempre para onde ia a conversa (eram conversas com ouvintes que telefonavam para lá). 

Fui-me apaixonando por aquela voz e por aquela experiência de vida. Ele era muito interessante. Explorava qualquer assunto com sabedoria, uma espécie de voz da experiência que eu, com os meus poucos 16 anos, não tinha ainda, mas admirava profundamente. 

Comecei a ansiar pela hora do programa, por ouvir aquela voz. Foi uma altura curiosa. Lembro-me que, ao início, nem queria saber como era aquele homem fisicamente (mais tarde lá percebi quem era porque também aparecia na televisão) para manter tudo meio difuso e poder eu imaginar a persona, aquele crush vocal.

Algum tempo mais tarde o programa acabou, infelizmente. (penso que só durou 2 anos e eu cheguei lá apenas nos últimos meses). Mas foi bom, deu-me outra visão sobre um homem adulto (que não me fosse próximo, o meu pai por exemplo), abriu-me horizontes, ajudou-me a mim própria a pensar e entrar num outro mundo de pensamento mais maduro. Foi fascinante.

Long live the king.

Nunca me conheceste, era uma formiga anónima no teu universo, mas tiveste impacto no meu. 

So long Cândido,
que Deus ou os deuses, ou as moléculas do universo, ou simplesmente a terra e as plantas te tratem bem.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Coisas que leio por aí...

 

Texto de uma psicóloga que sigo no Instagram.

Estava a fazer scroll, deparei-me com isto e pensei: é que é isto mesmo, é por isso que as pessoas não mudam nada nas suas vidas, não arriscam, não experimentam fazer coisas em que saiam da sua zona de conforto, não evoluem e ficam paralizadas. Isto que ela diz é tão, mas tão verdade. 

Eu não quero ser assim. Não quero que a dor ou o medo me limitem, não quero ter medo de falhar e de me frustrar (aliás parte da minha profissão sempre me deu obrigatoriamente um pequeno colete resistente às balas). Não quero ser passiva.






Grande, grande texto!






terça-feira, 5 de maio de 2026

Coisas que me irritam

 


Cenas da vida adulta que me irritam:

Pais adultos que sempre que chega um email da escola com alguma informação,
vão logo a correr espetar aquilo no grupo de whatsapp. 

Apetece-me dizer,

Meu/Minha... eu também tenho email, por favor não me faças ter mais uma notificação parva no telemóvel sobre uma coisa que vou ver DE QUALQUER MODO no email, seja agora seja mais logo.

FUCKING HELL

Thanks but no thanks