sexta-feira, 8 de maio de 2026

Cândido

 


Este texto já vai um dia ou dois tarde. Mas vai. Tudo vai a tempo e "tudo vale a pena quando a alma não é pequena" já diz o povo. O Cândido Mota morreu. Esse radialista que era um Senhor. Esse homem que parecia banal de aspecto, mas que bastava abrir a boca para se perceber que era uma mente extraordinária, cheia de vivências e pensamentos cheios. Tinha um tom de voz potente, diferente. Eu gostava muito de o ouvir. 

Eu tinha uns 15 ou 16 anos quando comecei a ter o hábito de ouvir música ou rádio à noite. Levava o walkman para a cama, colocava os phones e lá começava eu a minha viagem noturna, a sonhar acordada até me cansar e finalmente adormecer.

Mas havia dias em que queria qualquer coisa diferente. E então comecei a ouvir um programa de rádio com um certo locutor. Acho que o nome do programa era Passageiro da Noite e dava já mais tarde, noite dentro (começava às 00h e eu com aulas no dia a seguir...). Devo ter parado nele por acaso, presa por algum tema específico. E depois fiquei mesmo presa àquilo. Os assuntos eram sempre interessantes, adorava sempre para onde ia a conversa (eram conversas com ouvintes que telefonavam para lá). 

Fui-me apaixonando por aquela voz e por aquela experiência de vida. Ele era muito interessante. Explorava qualquer assunto com sabedoria, uma espécie de voz da experiência que eu, com os meus poucos 16 anos, não tinha ainda, mas admirava profundamente. 

Comecei a ansiar pela hora do programa, por ouvir aquela voz. Foi uma altura curiosa. Lembro-me que, ao início, nem queria saber como era aquele homem fisicamente (mais tarde lá percebi quem era porque também aparecia na televisão) para manter tudo meio difuso e poder eu imaginar a persona, aquele crush vocal.

Algum tempo mais tarde o programa acabou, infelizmente. (penso que só durou 2 anos e eu cheguei lá apenas nos últimos meses). Mas foi bom, deu-me outra visão sobre um homem adulto (que não me fosse próximo, o meu pai por exemplo), abriu-me horizontes, ajudou-me a mim própria a pensar e entrar num outro mundo de pensamento mais maduro. Foi fascinante.

Long live the king.

Nunca me conheceste, era uma formiga anónima no teu universo, mas tiveste impacto no meu. 

So long Cândido,
que Deus ou os deuses, ou as moléculas do universo, ou simplesmente a terra e as plantas te tratem bem.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Coisas que leio por aí...

 

Texto de uma psicóloga que sigo no Instagram.

Estava a fazer scroll, deparei-me com isto e pensei: é que é isto mesmo, é por isso que as pessoas não mudam nada nas suas vidas, não arriscam, não experimentam fazer coisas em que saiam da sua zona de conforto, não evoluem e ficam paralizadas. Isto que ela diz é tão, mas tão verdade. 

Eu não quero ser assim. Não quero que a dor ou o medo me limitem, não quero ter medo de falhar e de me frustrar (aliás parte da minha profissão sempre me deu obrigatoriamente um pequeno colete resistente às balas). Não quero ser passiva.






Grande, grande texto!






terça-feira, 5 de maio de 2026

Coisas que me irritam

 


Cenas da vida adulta que me irritam:

Pais adultos que sempre que chega um email da escola com alguma informação,
vão logo a correr espetar aquilo no grupo de whatsapp. 

Apetece-me dizer,

Meu/Minha... eu também tenho email, por favor não me faças ter mais uma notificação parva no telemóvel sobre uma coisa que vou ver DE QUALQUER MODO no email, seja agora seja mais logo.

FUCKING HELL

Thanks but no thanks

Tatuagens

 


No outro dia falava com o mais velho sobre tatuagens. Não sei a que propósito, mas falava. Ele dizia que quando for mais velho gostava de ter tatuagens aqui e ali (já o diz há uns anos). (Lá está, quando crescer fará o que achar melhor.) Eu disse quais os sítios onde gostava mais de ver tatuagens nas pessoas, etc e tal.

Gosto de tatuagens sim. Não gosto de qualquer coisa, mas é uma forma de expressão como outra qualquer. O senão? É permanente, não sai (ficar gasto e esborratado não é opção, ainda é pior) e a tinta entra no nosso sistema linfático, é agressora.

No entanto, nunca pus de parte essa ideia, caso houvesse algo que quisesse mesmo mesmo fixar no corpo.

E então disse ao miúdo: Se alguma dia achares que vais mesmo avançar para uma tattoo diz-me. Eu considerarei se é esse o momento em que perco a vergonha e desenho algo no corpo (seria certamente discreto e elegante) e vamos os dois partilhar essa aventura.

Ficou todo contente por saber que eu talvez alinhasse (seria uma "cena de família").

Eu também fiquei, só de imaginar o momento.

Não sei se algum dia o faremos, mas só a hipótese já me faz sorrir.


How to make real connections

 


How to make real connection with people?


GO OFFLINE


Meet people in the flesh, 

talk to them, 

do activities with them.


If you don't gather your own little community, you're on your own, and what a lonely place to be.

terça-feira, 28 de abril de 2026

Conversas "one on one"

 

No outro dia tive de ir despachar um assunto com o mais velho. Deu para, nos entretantos, esperar muito tempo em pé, ouvir música, ver um site de uma marca de ténis que eu não conhecia e que ele me mostrou (os amigos andam a usar aquilo, está na moda - e entretanto até já vi o Nuno Markl a usar uns dessa marca portuguesa, chama-se Sanjo, ver aqui)

No meio daquilo tudo começou a mostrar-me motas. E motards conhecidos. E carros. Não se cala com isso agora. Todos os vídeos que vê são sobre isso. Isso e música. Quer ter uma mota. Pede-me uma. Já pediu milhares de vezes. Digo que não. Nao tem idade e os outros na estrada também não têm juízo. Felizmente o pai concorda: andar na estrada hoje em dia não é o mesmo que há uns anos, é muito mais perigoso. Mas o rapaz quer e insiste que quando for adulto, e puder, comprará uma mota. Respondo que nessa altura será dono e senhor de si próprio e que tomará as decisões que entender. Ele finge chorar e abraça-me e diz que queria tantoooo...

Agora volta e meia conta-me coisas de motards portugueses conhecidos. E já o vi a interagir com eles. Parece que há uma espécie de código simpático entre amantes de motas, em que se alguém na rua fizer um gesto com a mão e pulso como se estivesse a acelerar (a mota), o motard dá umas aceleradelas no manípulo e ouve-se o barulho forte. Geralmente são os miúdos que pedem isso, e os tipos das motas acedem. Vejo a malta toda sorridente nesse momento. É giro.

Entretanto, passa um carro clássico na estrada. Ele baba-se com aquilo. Viver na vila/cidade onde vivo é confrontarmo-nos constantemente com aquilo que não temos (grandes luxos e grandes carros), mas ainda assim sonhar em almejar por mais. No caso do meu miúdo, cobiça uma bela mota ou carro. Acabamos por falar daqueles programas americanos em que 1 ou 2 amantes de carros (e mecânicos) vivem a vida a recuperar carros antigos (regra geral carros velhos cujos filhos os herdaram dos pais já falecidos, ou então carros especiais em 2a mão a cair de podre que os colecionadores compram). 

Surpreendentemente o meu miúdo diz que se via a fazer aquilo no futuro. Diz que queria aprender mais e gostava até de construir ele uma mota, se soubesse. Que, se em adulto tivesse uma oficina para recuperar carros antigos, ia gostar muito. E fala de alguém que segue nas redes que faz isso (penso ser daí que a ideia dele ter surgido).

Digo-lhe que pode sempre, qualquer dia, tentar fazer isso numa oficina para ir aprendendo. Ir falar com o dono de uma e ir para lá ajudar e aprender, 1 dia por semana, o que fosse. É ir a algumas e ver se seria possível. Ou trabalhar numa, num verão qualquer. Nada como perguntar e tentar.

Enquanto isso não acontece, este verão irá trabalhar 15 dias algures nos trabalhos para jovens, fomentados pela Câmara Municipal. Que valorize cada minuto.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

O mais velho


O meu filho é um sábio...

Volta e meio digo numa frase um quase ou um talvez... e às vezes sai-se com esta famosa tirada:


Uma vida de "quases", é uma vida de "nuncas".


E é verdade. Daí eu querer retirar essas palavras da minha boca sempre que falo em algo que quero fazer. Há pequenas palavras e ações que nos condicionam de facto. É uma uma questão de treino da mente. O modo como falamos condiciona o modo como agimos e até como pensamos. 


Quero pensar positivo. E, sobretudo, quero fazer algo. Não quero só tentar. Quero fazer. Mesmo que falhe. Sem fazer, nada resultará.

Em frente!