Olá meus caros,
Hoje encontrei uma pessoa conhecida, em mais um daqueles momentos da vida em que nada o fazia prever. Fazia eu "tempo" entre as minhas funções de Uber quando decidi aproveitar e ir ao supermercado da zona. Deambulava por ali, já com o carrinho algo composto, quando olho para a frente e vejo uma mulher da minha idade que repara em mim ao mesmo tempo que eu.
Cabelo comprido preto, morena, olhos esverdeados, a mesma estutura de sempre. Ela e eu sorrimos, e tenho a certeza que ambas tivemos aquele milésimo de segundo em que nos passou pela cabeça "como é que isto vai ser? estranho e desconfortável? ou afável e bom?"
Já não nos víamos há quase 2 anos e o balanço final até foi bom. Os sorrisos tímidos iniciais deram lugar a sorrisos abertos e felizes com o encontro. Demos um bom abracinho. E do nada, parecia que estavamos a continuar uma conversa qualquer do dia anterior, como se nada de mais se tivesse passado, como se o tempo não tivesse sido interrompido entre nós.
Afinal de contas, trabalhámos juntas, cadeira com cadeira, todos os dias, durante quase 10 anos, os últimos 5 anos muito intensamente, para o bom e para o mau. Eu sabia muita coisa da vida dela, o que pensava, o que a fazia feliz, o que a fazia infeliz, etc. Umas vezes concordava com a filosofia de vida, outras não, mas fui muitas vezes confidente. Ela também sabia bastantes coisas da minha vida, embora eu sempre tenha sido mais reservada. Estávamos em posições diferentes...
Quis o destino (ou a minha vontade) que a nossa relação tenha sido cortada por vários motivos e ficámos sem falar durante muito tempo. Penso que ainda vamos continuar nesse regime, nada de mais mudou. Mas de algum modo a porta ficou aberta, a conversa correu bem, havia algumas novidades e emoção. Foi bom tê-la encontrado. Tenho algumas saudades de estar (só) com ela, entendiamo-nos relativamente bem. Foi alguém que levei muito tempo a conhecer porque era muito fechada e também muito sarcástica (mas eu era-o também e dava para nos rirmos a tentar adivinhar quem estava a falar a sério ou não). Mas, na altura, a parte má imperou. Hoje, acho que o que sobrou foi a parte boa e daí a conversa ter sido animada.
Às vezes penso nisso, como são curiosos estes encontros imediatos. Do nada, em vinte minutos, fiquei a saber informações interessantes. Tivesse eu virado o carrinho para outro lado naquele corredor, um minuto antes, e nunca me teria cruzado com ela.