sábado, 28 de março de 2026

Momentos

(ficção)


EVA

Estou em casa. É de manhã e estou no quarto a dobrar as milhares de pequenas peças de roupa pousadas sobre um pequeno cadeirão. O sol entra pela janela e bate na cama e no chão, o que me anima.

Sinto-me ligeiramente angustiada e tento pensar no que vou fazer o resto dia. Ele está mal do estômago e tem de fazer dieta, o do meio está hiper constipado porque julga que é verão e não se agasalha... Provavelmente não se vai a lado nenhum. 

E sinto-me a sufocar. Penso imeditamente que algures vou precisar de sair sozinha e fazer algo (correr, o que seja...). Preciso de apanhar ar na cara, fazer algum tipo de esforço físico que não seja limpar paredes com partes pretas (surgiram novos sítios, raios partam este tempo). Estou ligeiramente de mau humor, mas tento respirar fundo.

Ele vai tomar banho. Quando sai, está nu. 

Dá a volta por trás de mim para ir buscar roupa interior. De repente, olha para mim e diz: "Estou aqui." Eu, que dobrava roupa enquanto ele saía do banho, levanto a cabeça e olho-o nos olhos: "Eu sei.", digo.

Faço um ar desentendido e algo supreendido, como se estivesse ausente porque estava concentrada na roupa à minha frente e não tivesse percebido o que ele queria dizer. Interiormente, sei bem o que ele quis dizer. Agi como se ele fosse invisível, nem um olhar de esguelha quando abriu a porta do wc, nem um único olhar ou ação, nada, zero. Nem um ligeiro sorriso ou uma palavra de "O banho foi bom?". Nada.

Mas depois pergunto-me...

Porquê?

Porque me fazes tu isto?

Porque te sujeitas tu a isto, fazendo-me essa pergunta?

Porque nos fazes isto?


E a vida segue. E vamos comer e ver algum filme. E vou continuar a limpar bolor, enquanto penso nos meus projetos que têm mesmo de arrancar o quanto antes.

Siga.

quarta-feira, 25 de março de 2026

Músicas

Olá meus caros,

Aqui há umas semanas o Spotify presenteou-me (fui obrigada a ouvir as sugestões dele) com esta bela versão do Time After Time da Cindy Lauper. Adorei. É uma versão mais despida e mais doce até, da Lennon Stella. Uma maravilha... Deixo-vos aqui https://www.youtube.com/watch?v=np8uJEogkVM

segunda-feira, 2 de março de 2026

Objetivos 2

 

Das 3 coisas na minha lista para este mês que tenho e quero absolutamente fazer,
2 já estão em andamento. Siga! Sempre em frente.


Se eu não me conseguir "corresponder" em tudo no que quero, ninguém o fará!


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Objetivos

Tenho de colocar isto na minha parede do "escritório", para me lembrar de pôr tudo o que quero fazer na minha agenda. A lista já está feita. Agora é executar. E com prazos.


"Um objetivo nada mais é do que um sonho com limite de tempo."

Joel L. Griffith


No final de março tenho de ter pelo menos 3 das coisas feitas. 


Ready, 

set, 

go.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

O cabelo

Ela olhou-se ao espelho.

O cabelo ainda húmido que, ao secar naturalmente ao ar, ia ficando às ondas. Sempre que o secava ao ar ficava assim, naturalmente ondulado. Estava enorme. A começar a ficar mais seco novamente. Mas algumas mechas de cabelo estavam mais onduladas e a franja comprida também. Gostava. Dava um ar natural e ligeiramente selvagem.

Despiu-se para ir tomar banho. Espelho. 

O cabelo dava-lhe pelo meio das costas. Era bonito e ela pretendia mantê-lo assim por muito tempo. Era agora a sua marca e quem não gostasse ou criticasse que olhasse para o lado. O cabelo caia-lhe pelos ombos primeiro e depois deslizava pelas costas. E ela sentia-lhe bonita. As poucas rugas que tinha ainda não chegavam para lhe abalar a confiança.

Mas ia começar a trabalhar mais o corpo e a barriga. O objetivo era chegar ao verão mais tonificada. É bom ter objetivos. Mas objetivos racionais à parte... Sentia-se bonita, sim.

E conseguia ver-se muitas vezes pelas lentes dele. Aí sim, era a mulher mais bonita do mundo. Não era a mãe de alguém, filha de alguém, profissional, espectadora de algo, cliente de algo... nada disso.

Era apenas uma mulher.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

E de repente...

... eu que não sabia nada de nada sobre gráficos e tabelas e nomes e cenas...

Já só oiço e penso em:


1. Mapas Mentais

2. Gráficos/Tabelas de Gantt


para estruturar workflows...


Conheciam estes nomes? aplicam-nos no dia a dia?

Eu até aplicava dantes, mas num sistema muito rudimentar...


Agora, só sei que nada sei!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Um dia de cada vez

Mais uma noite.

Mais uma direta.

Direta das quase 11h da noite às 7 da manhã. 

Sem encontrar posição, a tentar não pensar em nada, mas com o corpo ainda em super estado de alerta sem conseguir descansar.

Ponto positivo: não chorei.

São 3 dias sem dormir absolutamente nada. Olheiras até aos pés, cinzentas-azuladas... nem sei de que cor são. Papos inchados.

Mas não chorei.

Quando me levantei hoje não estava escuro, estava alguma luz (mas não sol). Ajuda a animar.

Perguntaram-me: dormiste bem?

Respondi apenas: Não.

Não quis acrescentar mais nada. Não há nada a explicar ou inventar. Não, não domi bem. De facto não dormi mesmo nada, zero. Mas essa informação não interessa.

Já não me foi perguntado mais nada de volta. Acho que o meu tom foi: não quero mais perguntas.

Outro ponto positivo: o gato veio novamente dormir comigo. Já o tinha feito há uma semana, por aí. É muito muito raro fazê-lo. Curiosamente da outra vez que o fez foi também num momento em que parecia o fim do mundo (e era o começo do fim do mundo, eu é que ainda não tinha percebido). Esta noite, a meio da noite foi-se aninhar novamente ao lado das minhas pernas, encosta o lombo ali e sinto o peso dele e sinto-o a descontrair para dormir. Já da outra vez pensei o mesmo que pensei hoje: é curioso como os animais parecem detetar o nosso estado de espírito, quando precisamos de.. alguma coisa.. algum sinal.. algum conforto. As pessoas dizem que as crianças são o melhor do mundo. Acho que são uma coisa incrível sim, especialmente as nossas que são parte de nós, mas o melhor do mundo continuo a achar que são os animais. Aquela pureza toda não se encontra em mais lado nenhum. Acho que foi por isso que quis incluir um animal no meu novo desenho. É o símbolo de algo puro e simples.

Sinto-me mais calada do que o normal. Sem chorar, mas em silêncio absoluto. Não quero ouvir música ou podcasts, nada nos ouvidos. Quero silêncio.

Ao trabalho.