terça-feira, 28 de abril de 2026

Conversas "one on one"

 

No outro dia tive de ir despachar um assunto com o mais velho. Deu para, nos entretantos, esperar muito tempo em pé, ouvir música, ver um site de uma marca de ténis que eu não conhecia e que ele me mostrou (os amigos andam a usar aquilo, está na moda - e entretanto até já vi o Nuno Markl a usar uns dessa marca portuguesa, chama-se Sanjo, ver aqui)

No meio daquilo tudo começou a mostrar-me motas. E motards conhecidos. E carros. Não se cala com isso agora. Todos os vídeos que vê são sobre isso. Isso e música. Quer ter uma mota. Pede-me uma. Já pediu milhares de vezes. Digo que não. Nao tem idade e os outros na estrada também não têm juízo. Felizmente o pai concorda: andar na estrada hoje em dia não é o mesmo que há uns anos, é muito mais perigoso. Mas o rapaz quer e insiste que quando for adulto, e puder, comprará uma mota. Respondo que nessa altura será dono e senhor de si próprio e que tomará as decisões que entender. Ele finge chorar e abraça-me e diz que queria tantoooo...

Agora volta e meia conta-me coisas de motards portugueses conhecidos. E já o vi a interagir com eles. Parece que há uma espécie de código simpático entre amantes de motas, em que se alguém na rua fizer um gesto com a mão e pulso como se estivesse a acelerar (a mota), o motard dá umas aceleradelas no manípulo e ouve-se o barulho forte. Geralmente são os miúdos que pedem isso, e os tipos das motas acedem. Vejo a malta toda sorridente nesse momento. É giro.

Entretanto, passa um carro clássico na estrada. Ele baba-se com aquilo. Viver na vila/cidade onde vivo é confrontarmo-nos constantemente com aquilo que não temos (grandes luxos e grandes carros), mas ainda assim sonhar em almejar por mais. No caso do meu miúdo, cobiça uma bela mota ou carro. Acabamos por falar daqueles programas americanos em que 1 ou 2 amantes de carros (e mecânicos) vivem a vida a recuperar carros antigos (regra geral carros velhos cujos filhos os herdaram dos pais já falecidos, ou então carros especiais em 2a mão a cair de podre que os colecionadores compram). 

Surpreendentemente o meu miúdo diz que se via a fazer aquilo no futuro. Diz que queria aprender mais e gostava até de construir ele uma mota, se soubesse. Que, se em adulto tivesse uma oficina para recuperar carros antigos, ia gostar muito. E fala de alguém que segue nas redes que faz isso (penso ser daí que a ideia dele ter surgido).

Digo-lhe que pode sempre, qualquer dia, tentar fazer isso numa oficina para ir aprendendo. Ir falar com o dono de uma e ir para lá ajudar e aprender, 1 dia por semana, o que fosse. É ir a algumas e ver se seria possível. Ou trabalhar numa, num verão qualquer. Nada como perguntar e tentar.

Enquanto isso não acontece, este verão irá trabalhar 15 dias algures nos trabalhos para jovens, fomentados pela Câmara Municipal. Que valorize cada minuto.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

O mais velho


O meu filho é um sábio...

Volta e meio digo numa frase um quase ou um talvez... e às vezes sai-se com esta famosa tirada:


Uma vida de "quases", é uma vida de "nuncas".


E é verdade. Daí eu querer retirar essas palavras da minha boca sempre que falo em algo que quero fazer. Há pequenas palavras e ações que nos condicionam de facto. É uma uma questão de treino da mente. O modo como falamos condiciona o modo como agimos e até como pensamos. 


Quero pensar positivo. E, sobretudo, quero fazer algo. Não quero só tentar. Quero fazer. Mesmo que falhe. Sem fazer, nada resultará.

Em frente!

terça-feira, 14 de abril de 2026

O que leio por aí...

 



"Ser velho é ser jovem há mais tempo do que os outros."

- Philippe Geluck



"Para mim foi ali que tudo começou: eles contaram-nos histórias.
E os velhos (...) contam o passado como ninguém. Não vale a pena procurar nos livros ou nos filmes: como ninguém."

"Naquele dia compreendi que, aos idosos, basta que os toquemos, lhes tomemos a mão,
para que eles contem. Como quando se escava um buraco na areia seca à beira-mar e a água sobe sistematicamente debaixo dos dedos."

- Os esquecidos de domingo, Valérie Perrin

Dinheiro


Hoje, ao ver um vídeo qualquer, ouvi a seguinte frase:


"O dinheiro ajuda a resolver (quase) tudo."


E tenho de concordar. Seguramente não traz felicidade porque são as pessoas à nossa volta e a relação que temos com elas, os afetos, o gostarmos do que fazemos na vida, os objetivos que temos, a saúde, etc... É todo um conjunto de coisas que verdadeiramente nos ajudam a ser felizes. Mas o dinheiro ajuda a não ter preocupações, ajuda a não temermos pelas condições de vida que temos ou as dos nossos filhos, ajuda muitas vezes a concretizar sonhos ou planos, . Ajuda a mais oportunidades. 

Por isso digo: venha ele.


Que eu o consiga conquistar e duplicar.


domingo, 12 de abril de 2026

Obsessões

 

Estou a trabalhar. É dia de semana e tenho prazos e coisas a entregar. A semana não correu bem como tinha planeado, mas tenho de dar o litro na mesma. O concerto já lá foi, mas a emoção de alguns sons ainda paira em mim. Ele está em casa e, ao passar por perto, comenta: "ah essa música... é verdade... Tens ouvido o álbum?". Penso "Ah é verdade?! mas... ele viu o mesmo que eu vi? sentiu algo? não tem pensado no que viu e ouviu? sou só eu?" Respondo que não tenho ouvido o albúm todo, apenas as músicas de que gostei mais... 

Ele ri-se:

- Acho que já é a 3a vez que a estou a ouvir agora, essa música...

- Não é, é a segunda apenas desde que me sentei à bocado. E foi porque o YouTube a repetiu automaticamente. Eu não a selecionei de propósito. Mas se queres saber: hoje já ouvi isto umas X vezes..

- Xi... que exagero... - ri-se mais uma vez.

Não digo nada.

Aí está.

Essa é a diferença entre nós.

Eu exploro o que a arte e a emoção me faz sentir até ao tutano (quando gosto). Enquanto não estiver farta (agora falo de música especificamente) oiço algo ininterruptamente. No outro dia passei um dia inteiro sentada ao computador e enquanto trabalhava fiz uma música passar em loop pelo menos a manhã toda (à tarde, variei entre essa e mais duas). Não ouvi mais nada a não ser isso o dia todo.

Não sei se oiço o som apenas, os diferentes instrumentos, se sonho acordada enquanto oiço e trabalho, mas aquilo transporta-me a outros lugares. E preciso de ouvir várias vezes porque 3 ou 4 minutos de música para mim não são suficientes, é muito pouco tempo.

Nem me dei ao trabalho de explicar ou contar isso. Não percebe. Não lhe interessa perceber. Não tem curiosidade e a que tiver terá algo de prático na raiz. Nunca saberá que saber tal pormenor seria conhecer-me um bocadinho melhor. 

Não sabe o que é estar obcecado por algo. 

A não ser, claro, que seja um desafio técnico, a não ser que não esteja a perceber porque é que no programa X a caixa Y não entra na slot Z para formar não sei o quê. E aí sim. Serão horas e dias e o tempo que for de volta daquilo. 

Curiosamente nunca percebeu que na minha mente há grandes obsessões. Podem até ser simples. Mas existem. E são minhas. Não as conto. Para quê?




quinta-feira, 9 de abril de 2026

Rosalia

 

E foi a noite passada que ouvi pela primeira vez a canção de abertura do concerto da Rosalia. Chama-se Relíquia. Ouvir aqui

Que maravilha...

Nunca achei o som daquele pavilhão uma coisa fantástica, mas todo o início, a voz linda dela (muito mais poderosa do que se ouve nas músicas online ou na TV), as nuances da voz, das letras, e da música em si (som, instrumentos, variações, vários estilos numa só canção, ver esta Porcelana (ouvir aqui)). O som alto, a trepidação dos baixos a ressoarem no corpo. De facto, nada bate ver um espetáculo ao vivo...

Conhecia bem umas 4 músicas dela, apenas. Umas semanas antes tinha pensado em ouvir os álbuns dela para entrar no espírito. Mas o meu espírito, de facto, está noutro lado. E ciente disso, decidi que não ia ouvir absolutamente nada. Ia partir do zero e ouvi-la com ouvidos frescos.

Foi o melhor que fiz.

Ela tocou várias músicas desse álbum novo, Lux (ouvir aqui) e concordo: é uma obra-prima. Junta uma língua que adoro, o espanhol (bom, vá... sou suspeita... eu aprecio o som de várias línguas) com muitas outras (ucraniano, hebraico, italiano e muitas outras... li algures que ela cantava em 20 línguas) com música clássica, tecno, reggaeton, etc. Um ambiente muito teatral. Ah, e umas letras muito "à frente", muito dark, bonitas, com um grande toque religioso mas rebelde. 

O curioso foi entrar no pavilhão e ver uma vibe geral de Madonna, anos 90, Like a Virgin, com vestidos brancos de renda (uns curtos e outros compridos), colares com cruzes, véus, alguns rapazes vestidos de padre.

Adorei o concerto! No entanto - vou agora armar-me em crítica - mudaria o alinhamento. Ela começou com várias músicas do último álbum (muito criativo e diferente a nível musical e super teatral e "barroco") e depois mergulhou nos álbuns anteriores que têm mais tecno e dance music. Confesso que esperava ali mais algum flamenco teatral, e seguir a linha das primeiras canções. Começou num tom bastante apoteótico e bonito e, para mim, foi descendo. A euforia inicial que se criou em mim foi apagando aos poucos. Se não fosse acabar com esta canção aqui (é sobre a morte, é linda! o cenário aí estava simples mas adequado à música - foi criado uma espécie de corredor pelo qual ela entra a cantar e depois no fim sai, com uma luz intensa a amarela por trás dela, parece uma espécie de Lázaro a sair da caverna, tudo meio celestial)... se não fosse isso, teria saído de lá algo frustrada com o caminho que levou (a nível de espetáculo em si).

A Carminho foi lá cantar também. Tudo ao rubro, ouvi dizer que foi a primeira vez que cantaram a música (que lançaram juntas) ao vivo. Foi bonito e tal, mas não é o meu som de todo... 

Foi um excelente concerto. Teria no entanto colocado uns cenários mais exuberantes. Estava sóbrio, simples e bonito, mas... simples demais? Ou será que sou eu que visualmente já estou habituada a ver coisas complexas e espero sempre isso? Mas esperava ver um cenário físico mais rico e barroco ou religioso, algo assim. E ecrãs por trás dela que contassem histórias.

Isso não aconteceu. O espetáculo era "só" ela e alguns objetos em palco e muitos bailarinos. Não me posso é esquecer da incrível orquestra que estava a meio da plateia a tocar as músicas todas! Simplesmente espetacular! Deram espetáculo, sem dúvida.