Pergunta: porque é que quando as coisas correm bem, às vezes tentamos sabotá-las?
Resposta: Porque, às vezes, aquilo que desejamos também é aquilo que mais nos assusta.
Quando as coisas começam a correr bem, deixamos de estar no território conhecido da expectativa e passamos para o da possibilidade real. E isso pode ativar medos que estavam escondidos: “E se isto acabar?”, “E se eu me magoar?”, “E se eu não for suficiente?”, “E se for bom demais para ser verdade?”
Então, paradoxalmente, podemos começar a criar problemas onde antes não existiam. Afastamo-nos, procuramos defeitos, interpretamos demasiado, provocamos discussões, testamos a outra pessoa ou arranjamos razões para desistir.
Há uma espécie de lógica inconsciente nisso:
“Se eu estragar primeiro, pelo menos não podem ser eles a magoar-me depois.”
Também pode acontecer porque estamos mais habituados ao caos do que à tranquilidade. Se durante muito tempo associámos relações a incerteza, tensão ou luta, uma relação saudável pode parecer estranhamente desconfortável. Não porque haja alguma coisa errada, mas porque é diferente daquilo a que estamos habituados.
E existe ainda o medo da vulnerabilidade. Quando alguém começa realmente a importar-nos, já não conseguimos fingir que não nos interessa. Ter algo a perder torna-nos vulneráveis.
Por isso, às vezes, sabotamos precisamente aquilo que mais queremos.
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