Ela olhou-se ao espelho.
O cabelo ainda húmido que, ao secar naturalmente ao ar, ia ficando às ondas. Sempre que o secava ao ar ficava assim, naturalmente ondulado. Estava enorme. A começar a ficar mais seco novamente. Mas algumas mechas de cabelo estavam mais onduladas e a franja comprida também. Gostava. Dava um ar natural e ligeiramente selvagem.
Despiu-se para ir tomar banho. Espelho.
O cabelo dava-lhe pelo meio das costas. Era bonito e ela pretendia mantê-lo assim por muito tempo. Era agora a sua marca e quem não gostasse ou criticasse que olhasse para o lado. O cabelo caia-lhe pelos ombos primeiro e depois deslizava pelas costas. E ela sentia-lhe bonita. As poucas rugas que tinha ainda não chegavam para lhe abalar a confiança.
Mas ia começar a trabalhar mais o corpo e a barriga. O objetivo era chegar ao verão mais tonificada. É bom ter objetivos. Mas objetivos racionais à parte... Sentia-se bonita, sim.
E conseguia ver-se muitas vezes pelas lentes dele. Aí sim, era a mulher mais bonita do mundo. Não era a mãe de alguém, filha de alguém, profissional, espectadora de algo, cliente de algo... nada disso.
Era apenas uma mulher.
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