(ficção)
Meus caros,
Às vezes deliro. São coisas simples:
"Estou num evento qualquer. Um casamento, uma festa, um almoço. Não interessa o quê.
Estou a falar com alguém e quando ergo o olhar estás tu ao fundo da sala a falar com outras pessoas. Há entre nós um sorriso imperceptível, só nosso. Uma espécie de telepatia que não diz nada, mas diz tudo.
A música à nossa volta toca e as pessoas dançam. A certa altura o registo da música muda, é mais intimista. E tu fazes uma coisa que nunca fizeste, levantas-te e vais-me buscar. E dançamos lentamente, juntos, abraçados, naquele conforto só nosso. Nada é forçado. E eu derreto-me ali (nunca achei confortável dançar de modo intimo porque nunca me dei ou permiti ter essa intimidade simples com alguém). Não quero saber quem olha para nós. E acho que tu também não. O mundo desaparece e sou só tu e eu por mais uns minutos. Lentamente."
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