No outro dia tive de ir despachar um assunto com o mais velho. Deu para, nos entretantos, esperar muito tempo em pé, ouvir música, ver um site de uma marca de ténis que eu não conhecia e que ele me mostrou (os amigos andam a usar aquilo, está na moda - e entretanto até já vi o Nuno Markl a usar uns dessa marca portuguesa, chama-se Sanjo, ver aqui)
No meio daquilo tudo começou a mostrar-me motas. E motards conhecidos. E carros. Não se cala com isso agora. Todos os vídeos que vê são sobre isso. Isso e música. Quer ter uma mota. Pede-me uma. Já pediu milhares de vezes. Digo que não. Nao tem idade e os outros na estrada também não têm juízo. Felizmente o pai concorda: andar na estrada hoje em dia não é o mesmo que há uns anos, é muito mais perigoso. Mas o rapaz quer e insiste que quando for adulto, e puder, comprará uma mota. Respondo que nessa altura será dono e senhor de si próprio e que tomará as decisões que entender. Ele finge chorar e abraça-me e diz que queria tantoooo...
Agora volta e meia conta-me coisas de motards portugueses conhecidos. E já o vi a interagir com eles. Parece que há uma espécie de código simpático entre amantes de motas, em que se alguém na rua fizer um gesto com a mão e pulso como se estivesse a acelerar (a mota), o motard dá umas aceleradelas no manípulo e ouve-se o barulho forte. Geralmente são os miúdos que pedem isso, e os tipos das motas acedem. Vejo a malta toda sorridente nesse momento. É giro.
Entretanto, passa um carro clássico na estrada. Ele baba-se com aquilo. Viver na vila/cidade onde vivo é confrontarmo-nos constantemente com aquilo que não temos (grandes luxos e grandes carros), mas ainda assim sonhar em almejar por mais. No caso do meu miúdo, cobiça uma bela mota ou carro. Acabamos por falar daqueles programas americanos em que 1 ou 2 amantes de carros (e mecânicos) vivem a vida a recuperar carros antigos (regra geral carros velhos cujos filhos os herdaram dos pais já falecidos, ou então carros especiais em 2a mão a cair de podre que os colecionadores compram).
Surpreendentemente o meu miúdo diz que se via a fazer aquilo no futuro. Diz que queria aprender mais e gostava até de construir ele uma mota, se soubesse. Que, se em adulto tivesse uma oficina para recuperar carros antigos, ia gostar muito. E fala de alguém que segue nas redes que faz isso (penso ser daí que a ideia dele ter surgido).
Digo-lhe que pode sempre, qualquer dia, tentar fazer isso numa oficina para ir aprendendo. Ir falar com o dono de uma e ir para lá ajudar e aprender, 1 dia por semana, o que fosse. É ir a algumas e ver se seria possível. Ou trabalhar numa, num verão qualquer. Nada como perguntar e tentar.
Enquanto isso não acontece, este verão irá trabalhar 15 dias algures nos trabalhos para jovens, fomentados pela Câmara Municipal. Que valorize cada minuto.
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