Olá meus amores,
Já há algum tempo que não venho aqui (faz sentido continuar a vir aqui?), por isso trago um momento que partilhei com uma amiga de longa data há uns dias. Não estavámos fisicamente presentes há muitos meses e, no que se está a tornar o sítio do café habitual, lá partilhámos a nossa vida atual e fizemos o update dos últimos meses. É um bom exercício e quase o sinto como uma espécie de terapia versão light (saímos dos encontros com amigas com pelo menos um destes sentimentos: mais leves, mais instrospectivas, mais divertidas, mais solidárias). Desta vez saí introspectiva.
Falámos dela e da sua vida atribulada nos últimos tempos e depois foi a minha vez. Contei-lhe a versão filtrada. A versão total... acho que ninguém acreditaria, é intensa e demasiado twilight zone.
A certa altura ela começou a suspirar. Ia pondo uma mão mais para cima e outra mais para baixo (a simular uma balança) consoante eu ia desabafando algumas coisas. Dizia-me: agora estás a pensar aqui, agora estás a pensar ali. Ela também partilhava as suas questões e iamos rindo, ela por vezes no seu tom quase profissional de quem já tem umas ferramentas extra (que as tem).
De repente - o tempo do nosso encontro já estava a acabar - ela dá um grande suspiro e diz: "Olha, queres saber o que eu sinto como amiga quando te oiço? É como se estivessemos numa sala vazia e às escuras, com uma vela acesa no meio. Essa vela dá luz, mas quando começas a falar, a pensar alto, a fugir... é como se essa vela se apagasse. Tu apága-la. E eu fico às escuras contigo. Fica tudo escuro."
Fiquei em silêncio e confesso que em choque. Não soube o que dizer.
Nesse dia estava bem e risonha. Sentia-me no meu modo prático e despachado, no modo "fazer coisas", com energia.
Aquela frase calou-me.
Até hoje não lhe quis perguntar o que queria exatamente dizer com aquilo.