(...)
- ...na realidade nunca vemos os pequenos passos que damos, só o resultado final...
- A jornada de toda a gente começa embaraçosamente (para nós) pequena. (...) Ser humilde e ter compaixão pela nossa pessoa. Tomar ações que vão crescendo, mesmo que ao início não pareçam ser dignas de registo: ex. hoje fui andar. No dia a seguir: hoje aprendi isto. Etc. Fiz uma pequeníssima coisa que me fez andar em direção ao meu objetivo. É uma pequena vitória. Ao início não sabemos bem o que fazer, depois já sabemos o que fazer mas não sabemos como o fazer. Mas podemos sempre ir perguntar ao ChatGPT, pesquisar no Google, YouTube, telefonar a um amigo que sabemos que percebe daquele assunto e perguntar como se faz isto ou aquilo. A procrastinação muitas vezes vem quando sabemos o temos de fazer mas não sabemos como o fazer. É a questão de ação e de skills, e ambas geralmente são facilmente ultrapassáveis.
- Li algures que há quem procrastine porque têm medo do que vão descobrir sobre elas se experimentarem fazer aquilo...
- O aspeto "bom" de procrastinarmos algo, de nunca experimentarmos fazer algo, é nunca sentir peso de falhar. Ou o peso da rejeição. (...) Se eu disser a mim próprio que tudo é uma merda e que nada nunca irá melhorar sentir-me-ei dispensado de alguma vez tentar algo. É mais confortável ser fatalista do que ser pragmático, e assim achamos que ser positivo é apenas ser ilusório... Assim é mais fácil e confortável. Mas isso é cinismo. O oposto disto é ser entusiasta. E é ótimo rodearmo-nos de pessoas entusiastas.
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- Li algures que a falta de confinaça mata mais sonhos do que a falta de skills. (...) A confiança é aquela primeira peça que permite depois que as outras peças do dominó comecem a mexer. A questão é: eu acredito que consigo fazer isto?
- Vou dizer isto: eu acho que muita gente acredita que o acreditar em nós é a resposta. Mas nós podemos apenas fazer coisas, podemos fazê-las de qualquer modo. Podemos fazê-las cansados, sem acreditar em nós, fazê-las quando não queremos, podemos fazer algo que não vai resultar. É só fazê-las. E eu aprendi que podemos não ter autoestima e fazer as coisas de qualquer modo, podemos não acreditar em nós e ainda assim as coisas correrem bem. O Ryan Holiday diz "self belief is overrated generate evidence" (A autoconfiança é sobrevalorizada; constrói evidências). Yap... evidências. Quero a prova de que sou quem digo ser. Pessoalmente sou a cara do síndrome de impostor. Nunca pensei estar onde estou hoje. Sou teimoso. E ser teimoso significou que continuei a mostrar e a fazer coisas. Isso passou a ser considerado consistência. Queres escrever um livro por exemplo. Todas as semanas escreves umas linhas, todos os meses escreves 500 palavras. Num ano e pouco tens um livro. Parabéns! Já podes dizer que és escritor. Podes até consegui-lo editar. Um dia mais tarde a Penguin até quer publicar o teu livro...e parabéns!! Já conseguiste ser um autor publicado! E tudo começou com o pensamento e a ação de: deixa comçar a fazer esta pequena coisa.
- (...) Às vezes fazemos as coisas porque se não as fizermos sentimos um vazio incrível. Não há como não fazer. (...)
. Sim. Outra coisa, um exemplo. Tens alguém que mora num sítio que não adora, uma casa minúscula, cheia de bolor - mas é perto do trabalho. Essa pessoa também trabalha num sítio onde tem uma chefia má, um ambiente razoável mas que não puxa, não pagam muito mas também não têm de trabalhar muito. Vou dizer isto: essa pessoa estaria melhor se estivessem em piores condições! Porque se sentiriam motivadas a melhorar as coisas, esta zona da complacência confortável vai assentar e ficar durante muito tempo e isso é perigoso. Porque é aquela zona em que as coisas não estão mesmo más para ficarem más, mas também não estão boas para serem mesmo boas. E esta zona cinzenta faz com que vás andando, mas não vás avançando mesmo.
(conversa entre Chris Williamson e Steven Bartlett, recomendo ouvir, conversa informal e brilhante no podcast Diário de um CEO)
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