(ficção)
EVA
"Era verão no Alentejo. Estava calor. Muito calor. A casa onde estavam era afastada do centro e, ao longe, viam-se mais casas todas brancas, umas com um andar, outras com dois, e todas elas com piscina. Ninguém aguentava o verão naquela terra sem água. Ou eram piscinas ou eram tanques.
Era fim de tarde... umas 18h. Todos tinham almoçado cedo e enquanto uns dormiam a sesta, outros tinham dado uns passeios, outros jogavam às cartas ou ao telemóvel. Os miúdos mais novos entretinham-se entre ambos - cartas e telemóvel. Desta vez só lá estavam os mais novos. Os mais velhos estavam com as namoradas e/ou amigos, tinham ficado nas casas de origem.
Era fim de semana prolongado, 3 dias, e sair da casa usual sabia sempre bem.
Os mais idosos estavam a começar a preparar o jantar, aos poucos e sem pressas. Todos tinham ido ajudar a fazer compras à tarde ou a tirar vegetais da horta logo de manhã cedo para o jantar. Eva tinha ido à horta logo de manhã com o homem mais velho da casa. Adorava ajudar na horta. Ficavam muito tempo ali a ajustar o que tinha de ser feito na terra e contavam histórias um ao outro. Havia muito para contar e descobrir, afinal de contas. Eva olhava para as mãos cheias de terra e para a unhas pretas até ao tutano e ria-se. Adorava aquilo e o cheiro da terra.
Mas já eram 18h e, num intervalo entre novos e velhos, ela tinha ido vestir o biquini e ia rapidamente dar um mergulho sem dizer a ninguém. Eram os seus 10 ou 15 minutos, se possível, sozinha, com os seus pensamentos ou até nenhuns.
Ele tinha saído com o irmão. Tinham ido os dois correr e, de repente, já estavam de volta. Ele a suar por todos os poros queria tomar banho, mas antes de ir olha para os miúdos com um sorriso nos lábios. Um ano antes era só "ele é chato", "ela é chata", "ele é parvo", "ela é parva e chata", "não quero dormir no mesmo quarto que ele!!!", "não gosto delaaaa!". Agora ainda mandavam piropos volta e meia, mas claramente o hábito instalara-se e sempre tinham companhia em idade próxima para brincar ou jogar no dia a dia. Não queriam admitir, mas davam-se bem.
Ele observa toda a gente espalhada pela casa, mas não a vê a ela. A miúda repara no olhar dele e a certa altura diz: "Foi à piscina!! posso ir também?". E, sem esperar pela resposta, lá vai ela a correr a vestir o biquini e buscar uma toalha. Ele sai para o alpendre e lá está ela. Claramente cansada das várias braçadas que já deu, deitada na borda de pedra da piscina, a secar. O sol quente bate-lhe na pele, o tom já ligeiramente mais corado do que o habitual, aquelas formas familiares que ele tanto ama. Aproxima-se e a sua sombra cobre subitamente a cara dela.
Ela abre os olhos e lá está ele, moreno, lindo, com a camisola colada ao corpo, calções, corpo possante, mas olhos meigos e intensos cor de mel. Todo ele exalava sensualidade... Sem dizerem nada dão um beijo lento. Nada molhado ou sexual. Mas um beijo longo, daqueles lentos em que os lábios depois se descolam um do outro devagar. Ele diz-lhe em voz rouca e baixa: "Estou ko, mas preciso de ir tomar banho... queres... juntar-te?" Ela acena com um sorriso misterioso. Só um bocadinho não faz mal e não tira tempo a ninguém. A miúda entretanto chega, saltitante e cheia de energia. Nenhum dos dois a quer deixar ali sozinha na água e então, enquanto ele se senta à beira da piscina a observar a cena, Eva e a miúda brincam um bocado. Dão 10 mergulhos para dentro da piscina, fazem 2 concursos para ver quem consegue aguentar mais tempo debaixo de água sem respirar, fazem 1 número de equilibrismo com Eva a segurar a rapariga de pé nos seus ombros...
São 19h e o jantar deverá ser daí a mais 15 ou vinte minutos, se tanto... A miúda ainda vai jogar mais um jogo para 2 com o rapazito, no telemóvel, enquanto se seca ao sol.
Eles os dois seguem silenciosamente para a casa de banho. É tempo de lavar e secar rapidamente, mas é sobretudo tempo de apagar o fogo que o sol quente em dois corpos com pouca roupa provocou... Não é preciso dizer muito, já conhecem o olhar silencioso um do outro, é só começar a tactear suavemente quando a porta se fecha.
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