quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Tatuagens

 

O jovem mais velho quer fazer uma tatuagem com a mãe. Fala nisso há uns 2 ou 3 anos, não sei qual é a pancada. O engraçado é que eu gosto de tatuagens (nos sítios certos, com o tamanho certo) mas como não faço ideia do que quereria taturar para sempre na pele, fico quieta. E o "para sempre" é sempre assustador.

Este verão ele voltou à carga. Gostava de eventualmente fazer uma tatuagem e queria fazê-la comigo. Algo pequeno, os dois. Acho que sim é uma ideia, mas não já. Ele é novinho. Mas é começar a pensar.

O mais engraçado é que hoje uma amiga minha disse-me exatamente o mesmo. Que ela e o filho estavam a pensar fazer uma tatuagem. Mas iam começar primeiro por furos na orelha. Ela tem alguns já e quer mais, ele não tem nenhum.

Depois ela teve a ideia de que eu e ela podiamos também fazer uma tatuagem juntas. Ela vem cá em dezembro e achou que seria ótima ideia lol 

Tá tudo louco...

(mas às vezes é bom pensar em loucuras)

terça-feira, 25 de agosto de 2026

A chegada

 

Ele telefona-me.
Vem do norte; está a caminho e chega depois de almoço (tal como tinha previsto no dia anterior) com mais azeite, batatas e cebolas.
(Já não sei o que fazer com tanto azeite... vender? mas gosto sempre de o receber e as batatas e cebolas idem. Que não...)
Telefona e diz que está cá à hora x, se estou em casa e se pode passar aqui e descarregar as coisas antes de ir para casa finalmente. Digo que afinal não vou conseguir estar já em casa, que íamos almoçar fora mas que o restaurante estava inexplicavelmente cheio e só conseguiam ter mais gente a uma hora mais tardia.
A malta tinha ido fazer exercício e estava suada e iam tomar tomar banho, o que demora, e neste caso até dava jeito, para conciliar as horas todas.
Menos com ele.
O tom dele muda...
Leio o pensamento dele: disseste ontem que ias estar em casa e agora estás a borrifar-te para mim, eu que te disse que ia chegar depois de almoço, e agora eu que me lixe, eu que te trazia coisas e me dava jeito dar-tas já agora.
Ele diz: Ai é... ah ok... pois, pois... está bem!
O tom sai ligeiramente irritado.
Eu desculpo-me: Não tenho culpa, isto atrasou tudo e o restaurante, que até costuma estar sempre livre, só tem vagas mais tarde. Mas como estamos de férias não havia problema. E também não há problema com a tua chegada... vai diretamente para casa tratar das tuas coisas e descansar que quando sairmos do restaurante passamos por aí sem problema.
Ele: Vá... (num tom de És sempre a mesma coisa)
Eu tento continuar a falar.
E de repente, não se ouve nada.
A chamada foi desligada.
Cai-me aquela humilhaçãozinha ego adentro, aquela que já senti outras vezes, aquela que por vezes roça o desrespeito, aquela ação que acha que não faz mal ter comigo porque sou quem sou em relação a ele. E no ranking... eu venho em baixo. E principalmente, fiz algo que ele não gostou, que não lhe dava jeito.
E eu a achar que o ajuste de planos não era nada de mais...
Almoço.
Fui para lá calada. Estou com uma nuvem a pairar na minha cabeça. As férias já foram e a realidade começa. Está tudo bem por fora, por dentro sou novamente uma mulher bipolar que tenta justificar-se com as variações hormonais desta fase. Penso mais uma vez que tenho de voltar a tentar correr mais certinho e passar a fazer ginásio a sério ou treinos de força em casa (mas aí falta-me a discipina). Furiosamente tenho de pôr o meu físico em forma e a minha mente saudável.
Continuando.
Tento estar atenta às comversas durante o almoço. Mas incrivelmente agora passa tudo por carros, os que se vêm nas revistas, os clássicos, os modernos, os híbridos, os electricos, os baratos, os caros, os que se teria se houvesse dinheiro total disponível, os que as estrelas por aí têm, os carros que o Rowan Atkinson tem, o facto de ele ter agora uma nova namorada muito mais nova (a crise dos 60, será? sempre ouvi falar mais na crise dos 40 - nos homens -  e dos 50 - nas mulheres (quando decidem que estão fartas de ser fadas do lar a fazer tudo para agradar à família). É-me dito pelo homem mais velho que ele é uma pessoa super interessante e culta. Eu digo que acredito piamente nisso, mas que não seria namorada dele ainda assim (se bem que o dinheiro que ele tem deve ser incrivelmente atraente ahahahaha). Supreso contesta; ele é um homem interessante.
Para ti! Para mim não.
Ele é super culto!!
Sim, o ser culto é um fator que entra no desejo sim e no interesse de uma mulher, mas não vejo ali grande atração física.
Ele é um homem charmoso.
Não para mim. Seria aguém que gostaria de ter no meu círculo de amigos e conhecidos provavelmente, agora se queria ser NAMORADA... isso implica mais coisas, certo? (enfim... não pude ser mais explícita. Há homens super super cultos que sabem tudo e mais alguma coisa, mas isso não quer dizer que os queiramos foder, certo? uma pessoa tem de sentir algo, certo?)
Carro.
Telefono e estou em alta voz.
Digo: Já acabámos de comer...
Começaa responder: Parabéns!...
E completo já a esmorecer e ainda fria depois do telefone desligado na cara: ... e estamos a ir para aí.
Responde: Ok, quando chegares diz que tens de levar o carro para a zona da garagem.
Chegamos e assim acontece. Garagem. Levar as coisas para o carro.
Ele fala com os miúdos. As piadas de sempre, as namoradas, se viram alguma espanhola para ele, que altos, etc:
Depois pergunta como foi a viagem e tal.
Nunca olha para mim.
Às vezes sim, mas é de raspão, parece sempre que sou ali o sidekick, o plus one, a acompanhante. Serei eu assim tão desinteressante? Se calhar sim. Lá está, é como o que escrevi no outro texto: ele já sabe quem eu sou, então não há muito mais a saber.
A conversa continua e eu continuo calada.
Ainda digo qualquer coisa, mas não tem grande eco.
E também não tenho grande vontade de falar.
Oiço.
Sobre várias coisas de converseta que são ditas, mas que não nos meus olhos, nos olhos de outro.
Ele diz que está cansado da viagem e admite que é por isso que preferia ir levar as coisas a minha casa.
Não percebo.
Ele diz que assim não tinha tido o trabalho de tirar as coisas da mala do carro para o chão da garagem.
Continuo sem perceber; desta vez a lógica do pensamento. As coisas não podiam ter ficado no carro dele e depois nós passávamos para o nosso sem ser preciso ele levantar um dedo?
Colocamos as coisas no carro. Não são assim tantas.
Ele despede-se.
Uma palmada nas costas do homem.
Abraços às crianças.
Um encosto de face a mim, nas duas faces. Aquele proform que se faz com as pessoas.
Discretamente uma mão passa na minha cabeça.
Eu sei que é de apoio. Mas desvio.
Não preciso do consolo de ninguém. 
São anos e anos desta relação pouco emocional. Custa, mas já estou batida.
No carro idem. Não afasto, mas não revelo qualquer emoção. 
Já revelei emoções a mais por hoje.
Amanhã é um novo dia.
Siga.

Ser ou não ser...

 

Aqui há tempos vi um filme que adorei. O meu tipo de filme. Aqueles filmes leves e românticos que nos fazem sonhar e pensar que ainda há finais interessantes e óbvios.

Claro que estamos a falar de filmes com malta de 20 e tal anos. Sem filhos, sem grandes responsabilidades, que viajam e se divertem sem preocupações, para quem a grande questão é "será que ele/a gosta de mim".


Agora primeiro:

Sobre o que fala o filme? O filme acompanha acompanha Poppy e Alex, dois amigos que são praticamente opostos: Poppy é espontânea, aventureira e adora viajar. Alex é mais reservado, organizado e prefere uma vida tranquila. Apesar das diferenças, os dois tornam-se melhores amigos e, durante vários anos, decidem fazer uma viagem juntos todos os verões. Ela anima-o e incentiva as suas aventuras amorosas e ele idem. O problema é que, depois de uma viagem que corre mal, passam dois anos sem se falar. Quando ela percebe que não se sente feliz com a vida que tem, convence Alex a fazerem mais uma viagem juntos, numa tentativa de recuperar a amizade. Naturalmente, começam a surgir sentimentos que talvez sempre tenham estado ali restringidos… A clássica história da amizade que se transforma em amor.


Segundo, e sobre o que eu queria falar:

Pergunto-me muitas vezes sobre esta necessidade de ir para outro lugar, de temer ficar presa a algum sítio, de pensar sempre se haverá um outro sítio onde estaria melhor, este sentimento eterno de procura, de busca de algo que nunca sei bem definir o que é, daquele sentimento de que "assim é que vou conseguir estar em paz". (mas será que a alma humana está alguma vez satisfeita? se calhar algumas almas sim, eu desconfio que a minha não).  Enquanto via o filme quase tive a resposta a esta questão. A certa altura, a protagonista confessa ao amigo uma situação super embaraçosa que aconteceu quando era teenager. E refere: " No dia seguinte, na escola, todos se riam de mim". E continua: "Quando decidem quem és, acabou-se. É por isso que quero viajar (a profissão dela estava relacionada com isso). Podes ser quem quiseres, em vez de quem dizem que és."

Esta frase marcou-me. É isto.

Quando se passa muito tempo no mesmo lugar, com as mesmas pessoas, a mesma "comunidade", a mesma paisagem, os mesmos hábitos, as pessoas criam uma imagem tua na cabeça delas. Acham que te conhecem. E conhecem, até podem conhecer... mas conhecem a versão que lhes dás porque isso responde ao estímulo que elas também te dão, ao que te entregam. Se te entregam uma infinita possibilidade coisas (não falo em coisas materiais, falo em pensamentos, mentalidade, ações, vontades, etc) isso influencia-te de uma maneira e passas a ser um tipo de pessoa. Se te entregam outro tipo de coisas diferentes (ou até menos desafiantes), acredito que, por osmose, também te torna um bocado o reflexo disso. 

E assim, os outros definem o teu perfil. Decidem, mesmo sem querer e sem quereres, quem tu és, segundo o que elas próprias são e o que acham que conhecem de ti. E não consegues sair dali. Dessa imagem que fizeram de ti e que decidiu quem tu és para o mundo.

Quando sais dessa zona (mental e lugar físico) quando abres uma página em branco (o que acontece muitas vezes quando conheces pessoas novas, quando fazes coisas novas, ou quando visitas outros lugares) de repente estás livre. Livre para seres quem tu quiseres. És uma folha em branco para os outros (mesmo que a cor da tua página já tenha o tom que ficou impresso pelas tuas experiências passadas) e para ti próprio. Vês o mundo de outro modo, vês coisas novas, podes sacar outras versões que existem dentro de ti, de repente és infinito, poderoso e livre.

Por isso é que nos meus vintes quis sair de onde estava. Quis sair de casa dos pais, ir para outro lugar onde ninguém me conhecesse, provar(-me) do que era capaz, provar que era capaz de ir sem ajuda de ninguém, estar me myself and i, conhecer pessoas novas, mentalidades novas, realidades diferentes. Sempre achei que evoluir era ir andado aqui e ali. Mudando. E mudando de sítio também. Não conseguia perceber quem vivia na casa dos pais a vida toda, quem tinha o mesmo namorado (e casava com ele!) a vida toda, quem não saía do mesmo emprego a vida toda, quem ia aos mesmos lugares a vida toda, quem se resignava e não ia ver o que se passava além do seu perimetro confortável. Mas pior, quem ficava nesse perímetro e não conseguia sequer então apreciar as pequenas coisas belas que iam acontecendo mesmo que no mesmo lugar. Coisas essas que eram também pequenas mudanças e evoluções, mesmo que parecessem não o ser à primeira vista.

Quando voltei do sítio onde vivi fora algum tempo, regressar à casa dos pais sem ter nada mais em vista, foi um golpe no meu ego e esperança. Sim, tinha conforto, comida e cama lavada. Mas estava perdida e sem norte, e caí em depressão. Durou uns valentes meses e não sabia bem como dar a volta. Falava com amigas e nada de mais havia para contar. Elas não tinham saído da cidade onde moravam, ou das casas onde moravam, mas pior... não tinham saído da mentalidade do "ah, não se passa nada, tudo na mesma, tudo a andar". Epa se nunca há nada de especial para contar (pensamentos, algo que se viu ou leu, a aldeia que visitámos, o novo desafio que o trabalho nos trouxe, as flores que plantámos) epa é preferível morrer...

Eu queria crescer e fazer coisas. Viver.

Depois fui morar para um apartamento, saí da casa dos pais. Isso foi um marco: o meu segundo pseudo grito do ipiranga. Depois, anos mais tarde, em conversa sobre a casa onde cresci (a última) poder ser vendida, fiquei de pé atrás... Inicialmente o que era dito era "mas se ninguém vier para aqui... para quê um dia mantê-la". Porque ela é linda? (mesmo que a precisar de umas remodelações) e tem umas condições de condomínio incríveis? 

Mas eu não queria pensar sequer em voltar a viver lá. Na minha cabeça, isso era o retrocesso total. Era voltar ao espaço físico onde tinha sido criança, depois adolescente e depois adulta. Onde vi e vivi coisas que não adoro lembrar-me, onde também vivi momentos giros e caricatos. 

Mas a casa era o que a rapariga do filme dizia. Era o sítio onde quem eu era já tinha sido definido, por tudo o que se tinha passado ali. Aquela casa conhecia-me - pelo menos a minha versão dos 11 aos 21 anos (seguidos, depois mais tarde ainda passei lá mais ou menos 3 anos, às turras com a minha mãe). Aquela casa ditava quem eu era. Conhecia os meus medos, esperanças, amores e desamores, ilusões e desilusões. Portanto, aquela casa não era o futuro, não era quem eu queria ser (fosse isso o que fosse), aquela casa não era o mundo de possibilidades que eu queria à minha frente. Não era liberdade, seja isso o que for também...

Depois a vida correu e, apesar de ainda não me sentir confortável com o pensamento de voltar a viver em sítios onde já vivi (sinto sempre que voltei trás na vida), também aprendi que quem somos e queremos ser (e vamos ser) só está nas nossas mãos e não no espaço que habitamos. Não nos sítios que visitamos. Essas casas já não terão lá as pessoas que tinham antes, os móveis mudam, o chão muda, as decorações mudam, a vida muda. Percebi que a nossa mentalidade é que define tudo, indepentemente do local. Só temos de estar abertos a mudar esses sítios como nós queremos, à imagem do que queremos ser e do modo como queremos estar. Tudo depende da nossa perspectiva.

Eu não quero que decidam quem eu sou. Nem a sociedade, nem a minha idade ou género, nem nada. Quero continuar a acreditar ainda que "quando for grande" poderei ser quem eu quiser. A questão é que já sou grande. E ainda quero ser tanta coisa.

E agora? Sou quem eu quero ser ou sou quem dizem que eu sou?

E quem sou eu?




sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Not today

 


Ainda me falta a tal reflexão simples que queria escrever.
Mas escrevo amanhã. O dia hoje foi longo e ocupado.


Mas veio deste filme da Netflix, de um diálogo dela: 



"mores" da vida...

 

Ontem, apenas porque sim, e porque já imensa gente viu e comentou e eu quis ver e dar os meus palpites também, comecei a ver o documentário da família Patrocínio (sim, aquelas famosas manas portuguesas). No meio da filmagem a mostrar a vida de uma delas, a mais velha, ela e o marido (um segundo casamento com um pelos vistos conhecido "empresário da noite") eram filmados a jantar com os filhos todos, e outras situações random. E... era "mor" para aqui, "mor" para ali, "mor" para acolá. Não sei. Era estranho. 

Não me identifico com essa nomeclatura fofinha a toda a hora; não digo que não se diga Amor!, mas pessoalmente nunca me dirigi a ninguém assim (sim, devo ser traumatizada, ou então um coração de gelo) e então em substituição do nome próprio... lol... de todo mesmo. 

Pode-se chamar alguém carinhosamente claro, algum termo engraçado e fofo, ou o "inho" ou "inha" no fim (que, de qualquer modo, me lembra sempre a maneira como chamamos os nossos filhos ou seres mais indefesos, não propriamente o nosso par romântico que está ao nosso nível). 

Mas "mor" a toda a hora? A pessoa não tem nome?

É mais queque assim? Ou mais fino? Ou mais cool? Ou ama-se mais porque se diz essa palavra a toda a hora??

Ah!, isso lembra-me quem tem no telemóvel o nome do namorado ou marido etc escrito como "Amor" ou outras cenas do estilo. Tens um marido que se chama João, mas o nome que aparece no telemóvel é "Amor". Quem vir já sabe que a pessoa é o amor... ou um amor... ou isso tudo. Mas não sabe o nome. 

A pessoa tem um treco na rua, queremos ajudar, e vamos telefonar ao... Amor. E não ao João, António, José, Martim, etc... "Está lá? Sr. Amor? Era só para dizer que venha para casa, ou vá ter ao hospital, porque a Marta caiu redonda no chão, ou partiu uma perna, etc."

"Amor". "mor". "loves", etc...

É porque deve ser "suposto" tratar assim, imagino. Assim mostra-se ao mundo o quão apaixonado se está, o quanto se ama...


terça-feira, 30 de junho de 2026

Negrume

 

E há dias negros assim.

Um sufoco no peito.
O dia de sol lá fora que não anima nem uma célula do corpo. 
A solidão de mais um dia em casa, ao computador, no meio da incerteza que ele ainda me traz.
A seca do que vejo à frente na tela.
As notícias sobre o país que me chegam.
Aquela constante pergunta interior de se o que está noutro país talvez seja melhor do que aqui.
O já ter vivido mil vidas mas parecer que, por fora, regresso à mesma de sempre.
O ter tudo e sentir que ainda não tenho nada.
Aquela sombra que paira a toda a hora sobre mim, intercalada por dias em que, de repente, essa névoa escura se afasta e eu consigo estar leve e sorrir genuinamente.
Aquela ansiedade.
Aquele medo, nem sei eu bem de quê.
Aquela tristeza e vontade de chorar, pontilhada por momentos alegres.
Uma inconstância como eu nunca senti.
Aquela vontade forte de pegar na cabeça e batê-la violentamente na parede (re pe ti da men te) para ver se isto passa.
Aqueles dias em que tudo parece bem e confortável.
Aqueles dias em que nada parece bem e tudo é desconftortável.
E a angústia.
Meu Deus.
Nunca ninguém me tinha falado nela.
Já nem falo em nada especificamente (trabalho, amor, finanças, etc).
É algo que simplesmente um dia se acorda e está lá.
E passa um dia.
Passam 2 ou mais.
E a sensação continua lá.
E tenta-se rir, depois é-se agressiva, depois parva, depois leve, depois seca, depois sarcástica.
E não se acredita mais em nada.
Não há em fé em nada.
Tudo é negro.
Tudo é negro dentro da mente.
Depois saímos e tentamos distrair-nos.
Por vezes conseguimos.
Mas não podemos escapar da nossa mente.
E assim que nos encontramos sozinhas,
A escuridão desce.
Encontra-nos
por muito positivas que queiramos estar.
A vontade de lutar foi-se.
A vontade do que quer que seja foi-se.
Temos de curtir o silêncio.
Toda e qualquer pessoa a falar numa entrevista aborrece.
As redes sociais são mais do mesmo.
Sonhos, menopausa, ambição, finanças, ilustração, CV, como conseguir não sei o quê, relações, ser mulher, etc, etc, etc...
O cansaço mental é brutal.
É real.

Não sei se é isto que é a menopausa, a chegada dela.
Estou-me a borrifar se já não sou fértil. Já fiz o meu "suposto" nesse campo, biologicamente falando.
Se engordar uns kg engordo. Se ganhar umas banhas, ganho. Se ficar com mais rugas, fico. Se ficar com calores, fico. Dá para lidar com isso, diria. Até com aquela névoa mental que às vezes chega, aquele esquecimento do nada.
Mas este negrume mental que às vezes assola... É brutal. 

Depois chega o filho mais velho a casa, todo alegre a falar dos ensaios de hoje e da boa vida que anda a ter. Contagia um bocado. Salva um bocado.
Depois penso como deve ser bom sentir novamente que temos todo o tempo do mundo e simplesmente ir andando.
Depois sento-me ao computador e continuo esta seca de sempre que ando a fazer.
Estou tão farta. Não quero fazer isto o resto da vida.

Depois, é hora de ir buscar o mais novo.

A vida não espera por nós.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Tecnicalidades "pequenas"

 

Hoje consegui uma pequena grande façanha (para mim).

Talvez para alguém super técnico e tecnológico isto não fosse nada de mais... mas, hoje estava no carro com o iPad e precisava de aceder ao Google. Ali não tinha wi-fi, obviamente. 

Lembrei-me então de usar o hotspot móvel do meu telemóvel android. Já tinha visto malta usar aquilo para fornecer wi-fi, mas nunca tinha experimentado eu fazê-lo, especialmente sem ter alguém ao meu lado a dizer-me como o fazer (regra geral, as pessoas fazem, nós vemos, e 7 dias depois já não nos lembramos, porque não fomos nós a fazê-lo... é o eterno erro da minha vida - deixar que outros possam fazer aquilo que tenho de ser eu a fazer, para aprender).

E... viva o tio Google, viva o desenrascanço. 

Consegui! Consegui que o meu iPad se conectasse e recebesse rede do telemóvel. Ficou o meu servidor de rede durante uns minutos.

Uma pequena coisa para qualquer um de vós, um passo gigante para mim. Senti-me imbatível, independente, confiante! 

É o que eu quero este ano: ser eu a fazer as coisas, ser eu a pôr a mão na massa, ser eu. Não deixar para os outros. Quero provar a mim própria que consigo afzer tudo o que me propuser.