A velhice acontece quando paramos de aprender.
Sweets for my Sweets
Doces para os meus doces... Um diário bem docinho sobre a vida d.M (depois da Maternidade)
sábado, 10 de janeiro de 2026
Diálogos que oiço por aí
(...)
- ...na realidade nunca vemos os pequenos passos que damos, só o resultado final...
- A jornada de toda a gente começa embaraçosamente (para nós) pequena. (...) Ser humilde e ter compaixão pela nossa pessoa. Tomar ações que vão crescendo, mesmo que ao início não pareçam ser dignas de registo: ex. hoje fui andar. No dia a seguir: hoje aprendi isto. Etc. Fiz uma pequeníssima coisa que me fez andar em direção ao meu objetivo. É uma pequena vitória. Ao início não sabemos bem o que fazer, depois já sabemos o que fazer mas não sabemos como o fazer. Mas podemos sempre ir perguntar ao ChatGPT, pesquisar no Google, YouTube, telefonar a um amigo que sabemos que percebe daquele assunto e perguntar como se faz isto ou aquilo. A procrastinação muitas vezes vem quando sabemos o temos de fazer mas não sabemos como o fazer. É a questão de ação e de skills, e ambas geralmente são facilmente ultrapassáveis.
- Li algures que há quem procrastine porque têm medo do que vão descobrir sobre elas se experimentarem fazer aquilo...
- O aspeto "bom" de procrastinarmos algo, de nunca experimentarmos fazer algo, é nunca sentir peso de falhar. Ou o peso da rejeição. (...) Se eu disser a mim próprio que tudo é uma merda e que nada nunca irá melhorar sentir-me-ei dispensado de alguma vez tentar algo. É mais confortável ser fatalista do que ser pragmático, e assim achamos que ser positivo é apenas ser ilusório... Assim é mais fácil e confortável. Mas isso é cinismo. O oposto disto é ser entusiasta. E é ótimo rodearmo-nos de pessoas entusiastas.
......
- Li algures que a falta de confinaça mata mais sonhos do que a falta de skills. (...) A confiança é aquela primeira peça que permite depois que as outras peças do dominó comecem a mexer. A questão é: eu acredito que consigo fazer isto?
- Vou dizer isto: eu acho que muita gente acredita que o acreditar em nós é a resposta. Mas nós podemos apenas fazer coisas, podemos fazê-las de qualquer modo. Podemos fazê-las cansados, sem acreditar em nós, fazê-las quando não queremos, podemos fazer algo que não vai resultar. É só fazê-las. E eu aprendi que podemos não ter autoestima e fazer as coisas de qualquer modo, podemos não acreditar em nós e ainda assim as coisas correrem bem. O Ryan Holiday diz "self belief is overrated generate evidence" (A autoconfiança é sobrevalorizada; constrói evidências). Yap... evidências. Quero a prova de que sou quem digo ser. Pessoalmente sou a cara do síndrome de impostor. Nunca pensei estar onde estou hoje. Sou teimoso. E ser teimoso significou que continuei a mostrar e a fazer coisas. Isso passou a ser considerado consistência. Queres escrever um livro por exemplo. Todas as semanas escreves umas linhas, todos os meses escreves 500 palavras. Num ano e pouco tens um livro. Parabéns! Já podes dizer que és escritor. Podes até consegui-lo editar. Um dia mais tarde a Penguin até quer publicar o teu livro...e parabéns!! Já conseguiste ser um autor publicado! E tudo começou com o pensamento e a ação de: deixa comçar a fazer esta pequena coisa.
- (...) Às vezes fazemos as coisas porque se não as fizermos sentimos um vazio incrível. Não há como não fazer. (...)
. Sim. Outra coisa, um exemplo. Tens alguém que mora num sítio que não adora, uma casa minúscula, cheia de bolor - mas é perto do trabalho. Essa pessoa também trabalha num sítio onde tem uma chefia má, um ambiente razoável mas que não puxa, não pagam muito mas também não têm de trabalhar muito. Vou dizer isto: essa pessoa estaria melhor se estivessem em piores condições! Porque se sentiriam motivadas a melhorar as coisas, esta zona da complacência confortável vai assentar e ficar durante muito tempo e isso é perigoso. Porque é aquela zona em que as coisas não estão mesmo más para ficarem más, mas também não estão boas para serem mesmo boas. E esta zona cinzenta faz com que vás andando, mas não vás avançando mesmo.
(conversa entre Chris Williamson e Steven Bartlett, recomendo ouvir, conversa informal e brilhante no podcast Diário de um CEO)
sexta-feira, 9 de janeiro de 2026
terça-feira, 6 de janeiro de 2026
A luz que se foi
Olá meus amores,
Já há algum tempo que não venho aqui (faz sentido continuar a vir aqui?), por isso trago um momento que partilhei com uma amiga de longa data há uns dias. Não estavámos fisicamente presentes há muitos meses e, no que se está a tornar o sítio do café habitual, lá partilhámos a nossa vida atual e fizemos o update dos últimos meses. É um bom exercício e quase o sinto como uma espécie de terapia versão light (saímos dos encontros com amigas com pelo menos um destes sentimentos: mais leves, mais instrospectivas, mais divertidas, mais solidárias). Desta vez saí introspectiva.
Falámos dela e da sua vida atribulada nos últimos tempos e depois foi a minha vez. Contei-lhe a versão filtrada. A versão total... acho que ninguém acreditaria, é intensa e demasiado twilight zone.
A certa altura ela começou a suspirar. Ia pondo uma mão mais para cima e outra mais para baixo (a simular uma balança) consoante eu ia desabafando algumas coisas. Dizia-me: agora estás a pensar aqui, agora estás a pensar ali. Ela também partilhava as suas questões e iamos rindo, ela por vezes no seu tom quase profissional de quem já tem umas ferramentas extra (que as tem).
De repente - o tempo do nosso encontro já estava a acabar - ela dá um grande suspiro e diz: "Olha, queres saber o que eu sinto como amiga quando te oiço? É como se estivessemos numa sala vazia e às escuras, com uma vela acesa no meio. Essa vela dá luz, mas quando começas a falar, a pensar alto, a fugir... é como se essa vela se apagasse. Tu apága-la. E eu fico às escuras contigo. Fica tudo escuro."
Fiquei em silêncio e confesso que em choque. Não soube o que dizer.
Nesse dia estava bem e risonha. Sentia-me no meu modo prático e despachado, no modo "fazer coisas", com energia.
Aquela frase calou-me.
Até hoje não lhe quis perguntar o que queria exatamente dizer com aquilo.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2025
A imigrante
Agora que tanto se fala em imigração (e emigração, inerentemente) lembro-me sempre dos tempos em que por um período de tempo também fui um bocadinho assim... Emigrei para um país lindíssimo (para mim o mais bonito do mundo, perdoem-me os demais) e tornei-me imigrante para os que lá estavam. A minha vida lá foi sem um grão de luxo. Vivi 2 anos em quartos partilhados com quem não conhecia (um quarto só para mim era caríssimo) e tive de aprender a gerir dinheiro, pessoas e eu própria (a minha segurança, em quem confiava minimamente, o que devia ou não fazer, etc etc).
Foi uma aventura? Sem dúvida? Foi divertido? Sem dúvida? Foi difícil? Sem dúvida. Foi solitário por vezes? Muito. Mas sobrevivi. Aliás, vivi. Mesmo. Saborei a companhia de quem não conhecia, fiz amigos com quem às vezes ainda falo, visitei muitos sítios sozinha e acompanhada; saboreei a solidão. Aliás passei o aniversário dos meus 25 anos completamente sozinha (sem me cantarem os parabéns; sem ninguém lá - quem restava dos que conhecia - se lembrar sequer a não ser a minha família e amigas que estavam cá; zangada com uma suposta amiga de lá que me virou as costas sem eu ter percebido até ao momento; etc etc).
Mas apesar disso tudo era uma aventura. Sabia que podia regressar quando quisesse ou precisasse. Até que um dia senti um bocadinho na pele o que era ser olhada de lado por não ser dali, não ter aquela nacionalidade. Fizeram-me sentir a mais numa paragem de autocarro onde uma simples conversa com um senhor mais velho (já não sei quem a começou) que se adivinhava ser uma conversa que partia de puro interesse e curiosidade da parte dele, se transformou no que era apenas o intuito de perceber se eu ia ficar lá para sempre (isso existe?), ou se estava de passagem, porque estava eu lá, porque queria lá estar e então quanto tempo estaria. Ser turista era uma coisa, mas trabalhar lá era mau, percebi eu depois, porque isso tirava o trabalho aos jovens de lá. Não me esqueço daquela sensação de rejeição vinda do nada. Eu não lhe tinha feito nada. Estavamos na Europa, tinha havido a mudança para o Euro há pouco tempo e havia novidade e euforia.
Agora esse sentimento de rejeição voltou, passados estes anos todos. Eu que sempre me considerei sortuda e que nunca tinha estado mais de 1 mês sem trabalhar... Parece que a incerteza toca a todos. Bolas, se toca. A mim tem-me espancado e a todos os níveis.
Nunca a minha vida foi tão incerta, caramba. Admiro quem olha para estas coisas e pensa: quando portas se fecham, outras se abrem. Mas... onde estão elas? Ok, abriram-se umas janelas aqui e ali, mas mesmo essas são pouco. Sou filha de privilégio? Nunca o neguei. Mas sempre corri atrás e sempre fiz por ter as coisas por mérito e esforço.
Agora sou simplesmente rejeitada. Porque sim. Porque (imagino eu) já sou mais velha e querem sangue novo. Porque o mercado está saturado. Porque há milhares melhores do que eu. Porque se tento mudar de área não tenho experiência ou porque não tenho perfil.
Tenho tido acesso a contactos de contactos meus. Nem um serviu até agora.
Tudo daqui para a frente é incerteza na minha vida. Ou então há vislumbres de uma vida boa vivida, mas onde me falta uma parte que sei que existe. Mas não tenho.
Onde é que eu errei?
Acomodei-me demais?
Acomodei-me de menos?
Devia ter arriscado mais?
Devia aceitar e calar-me?
Deve ser porque sou mulher e estou com o período a vir algures - seja lá quando é que isso for... até isso é uma incerteza neste momento.
Apanhem-me sozinha e estarei a deitar umas lágrimas.
Apanhem-me com pessoas ao lado e estarei a tentar estar no meu melhor, a sorrir e "a estar presente".
Mas está difícil. Difícil esconder a frustração desta fase.
Lembro-me que quando voltei a Portugal, depois desses anos fora, tinha 27 anos e tive uma espécie de depressão valente. Não sabia o que seria da minha vida. Tudo era uma incógnita. Chorava a toda a hora. Lembro-me de ser tão evidente que a minha mãe não sabia já o que fazer comigo e me perguntou na altura se eu queria ir ao psicólogo. Disse-lhe que não. Se calhar devia ter ido, nunca saberei. Depois a vida lá foi acontecendo. E agora tenho milhares de histórias para contar a quem quiser ouvir. Não tem sido uma vida pálida e morna. De todo.
Mas fonix... às vezes sai-me bem do pêlo.
E sentir que chego a esta altura, em que devia estar no meu expoente máximo a nível de carreira e de vida no geral (não é o que dizem?... ou devia cagar no que se diz e fazer o meu percurso sem pressões do que os outros acham que deveria ser), aqui estou eu a duvidar de tudo, numa incerteza brutal. Admiro quem se contenta com pouco (o que quer que isso seja também). Aceitar o que se tem e não pensar mais além, no fundo é uma benção.
Será que estou a sofrer de FOMO da vida? Estou novamente com uma "depressão" de mudança de idade? É agora a crise de meia idade?... Que passe depressa...
Estou farta de ser rejeitada e de tudo ser uma incerteza.
Mas vá... é Natal e vamos lá todos fingir que gostamos das prendas que nos dão e dizer que sim isto é giro ou que não, isto não me serve e vou trocar.
É Natal e ninguém leva a mal.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2025
Novamente cansada
Olá meus caros,
Estou novamente cansada. Muito.
Depois de uns dias em que levei uma tareia valente a nível de (falta de) sono... a coisa ainda não melhorou muito. Acordo a meio da noite para ir ao WC (ok... a partir de certa hora não devia beber mais água, verdade) ou então sinto o gato a vir pé ante pé até às minhas pernas, na cama.
As interações com o meu gato ultimamente tem sido giras. Muito queridas mesmo. Ele anda mais mimoca, quer-se deitar em cima de mantas - nota-se que tem mais frio. E curiosamente tem vindo ter comigo à noite para dormir, o que nunca aconteceu... (vá, aconteceu há muito tempo quando ele veio cá para casa, mas eu mexia-me tanto que ele se ia embora e nunca mais dormiu ao meu lado).
Regra geral anda a dividir-se pelos miúdos. Ou dorme com um ou com outro. Depois, nos últimos tempos vem de madrugada dormir mais 2h comigo antes de eu me levantar. Mas, eis que nos últimos 2 dias tem dormido a noite TODA comigo. Ou ao lado das minhas pernas, ou entre as pernas; esta noite quando me deitei passados 10 minutos estava ele a vir e deitou-se quase em cima da minha barriga lol. Obviamente eu quis curtir o momento. Obviamente já estava com comichão de não me poder mexer passado um bocado. Obviamente não dormi nada um grande bocadão. E depois também não porque ele se colava a mim e eu não queria sair muito do sítio porque é muito giro sentir o corpinho dele ali, ou ele a deixar cair a cabeça e respirar fundo para relaxar. De manhã, quando o despertador tocou, ele estava ao meu lado de barriga para cima e braços e pernas para os lados - adoro o relaxe total dele!
Fico a pensar porque raio quer ele agora dormir ao meu lado. O que mudou?
Depois dou por mim a pensar no que uma pessoa uma vez me disse: que os gatos abosrvem as nossas energias negativas. Será? Estou assim com tantas que ele vem dormir comigo para me proteger e tirar isso tudo?
Depois leio que os gatos simplesmente querem a companhia dos tutores (embora ele nunca tenha querido a minha ao dormir lol). Ou então está mais velho e sábio.
Depois também leio que os gatos detetam doenças nos humanos. Que não é misticismo, é sensorial. Que há mudanças químicas no corpo das pessoas e eles aproximam-se como forma de cuidado "reconhecendo vulnerabilidade" (xiça! espero que não seja esta!!!).
Mas pegando na última palavra: vulnerabilidade. Sim, estou vulnerável. Muito. Há dias em que acordo e me sinto bem e imparável. Mas depois ao longo do dia esmoreço e veem-me as lágrimas aos olhos. Faço-me de forte e digo a mim própria que isto é só uma fase. Que tudo vai passar e melhorar. Digo que não tenho de estar sempre a elevar os outros. Tenho de me elevar e levantar a mim. Dar ânimo a mim. Não desistir e lutar por mim. Ninguém me vai salvar, só eu.
Sinto-me cansada e o pouco sono não ajuda.
Tenho a cabeça em papas. Farta de remar.
Vou ficar uns tempos só a dormir uma sesta no barco e borrifar-me para onde as ondas me levam. Vou à deriva.
Na realidade não vou. Mas era o que me apetecia.
Dormir e acordar e estar noutro século, noutra vida, esquecer um bocado esta.
Fazer reset.