terça-feira, 12 de maio de 2015

O Limite

Há dias Não. E hoje é um deles.
E hoje rebentei. Hoje abri a torneira. Chorei a manhã quase toda. Fui para o centro comercial e pedi comida de óculos escuros com medo que me vissem chorar; chorei à frente dos colegas (só não chorei à frente da chefia porque esta não estava lá, e ainda bem porque eu hoje estava para partir a loiça toda). Chorei onde quer que estivesse. As lágrimas escorriam-me e não conseguia parar. Mas acho que estava a precisar.
Não sei qual é o limite, se calhar não há. Mas pergunto-me cada vez mais qual é o limite humano do cansaço. Continuamos porque temos de continuar, mas não sei onde arranjamos forças.
Estou cansada. Não. Mais ainda. Estou exausta.

Dói-me a cabeça e já são semanas, meses sem conseguir descansar nada de jeito. Grito com o M., com o T., apetece-me rifar o mais novo. Enfim... não está bonito.
Hoje quase ameacei o M. de "pancada" se voltasse a acordar aos berros por causa de um simples mosquito... 6h da manhã (vá lá... já foi às 4h) e berraria da grande porque há um mosquito no quarto. Ou melga, ou o que raio era. Não era um pesadelo ou algo assim. Não. Apenas um mosquito. E basta abrir a goela uma vez e é 1h ou 2h que não se dorme mais nesta casa. É ver o P. de olho aberto e sem conseguir voltar a pegar no sono durante uma eternidade. Hoje não dormiu mais. E não dormiu ele nem nós. Quem dormiu??!!! O M. claro. Que depois de mosquito esborrachado voltou a deitar-se contente e aliviado e zzzzzz até às 7h.
O P. claro - dadadadadada gagagagagagagaga...buáá...dadadadadah.
Nestes dias este som é quase uma tortura para mim.
Estou cansada... O dente continua a doer-me e acordo às 4h para emborcar um BenUron. Ultimamente ando sempre nisto.

Noutros dias é porque o P. acorda simplesmente fresco e fofo às 3h ou 4h da manhã e palra o tempo que lhe apetecer. Tira a chucha, põe a chucha, volta a tirar. Choraminga, palra, etc. Umas vezes é porque tem cocó (não dorme se não estiver limpo), outras é porque simplesmente acorda e pronto. Outras é porque o M. tem algum pesadelo ou há mosquitos. Mas se fosse só isso... Não, claro que não. Mal ele acorda, acorda o irmão. E este sim é difícil de readormecer. Tão difícil. E enquanto não adormece ele, não adormecemos nós...

Deito-me cansada e acordo cansada. É duro.
Vou para o trabalho e tenho de estar o dia todo a dar 100% (especialmente porque ainda por cima tenho a "sorte" de sair mais cedo... como se eu fosse passear e divertir-me a seguir...) para se produzir o máximo, para haver produtos, para haver dinheiro que pague os nossos salários.
Se oiço esta expressão outra vez rebento!
Esforço-me por estar bem disposta mesmo estando a morrer de cansaço e sem força para levantar uma caneta. E até consigo porque a malta é bem fixe e o ambiente é descontraído. Esforço-me por estar atenta e concentrada. E acho que até consigo, mesmo que nunca tenha os créditos merecidos.
Mas há dias em que estar lá é difícil. O stress leva-me a melhor como hoje. Já não aguento ter trabalho pendurado (ou andar a arranjar soluções paralelas) por causa de problemas que nem sou eu que deveria solucionar. Mas se eu não o fizer, ninguém o faz por mim. Estou frustada e pronta a desatar à estalada.

Já não aguento mais otites e tosses e noites mal dormidas e o medo contínuo de que esteja de volta novo antibiótico. Sempre que oiço o P. tossir penso: pronto... a otite ainda não está resolvida. Ahhhhhhh que tortura!

O P. anda mais chapinho, exigente, a querer atenção, o M. igual. São uns fofos. Amo-os do fundo do meu coração, mas estou pronta para umas mini-férias sem eles.
E se pudesse umas mini-férias da empresa também.