quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Ontem foi o primeiro teste do M...

..., o primeiro teste da escola.
Tem 6 anos, já tem trabalhos de casa e ontem começou a primeira leva de testes.
Nós em casa andámos uns dias um bocado ansiosos, mas a tentar não passar isso ao rapaz. Afinal era o primeiro teste e ele tem-se mostrado bastante confiante nas suas capacidades. Para ele tudo é fácil, como ele tanto gosta de fazer e mostrar. Nós variávamos entre o "será que nos devíamos sentar mais uns bocados com ele e treinar as coisas?" e o "ele tem é de ir brincar e aproveitar o fim de semana e o resto do dia, até porque ele parece estar à vontade com os exercícios."
No fim, não insistimos muito com ele.

Ontem, já em casa à tarde, perguntámos-lhes como tinha corrido o teste.
Bem, disse ele.
E quando é que a professora vos diz a nota?
Qual nota?
Hum... então, quando vocês fazem um teste, no fim a professora depois diz-vos se estava tudo bem ou não. Mas pode dizer isso só no outro dia...
Ah... ok. Mas estava tudo bem.
Ela disse que os exercícios estavam todos certos?
Sim.

E assim foi. Para ele é como se nada fosse.
Para nós é sempre aquela sensação de que andamos a apanhar papéis. A professora vai dar nota? vê logo os testes na aula? Quando é que os pais sabem as notas?
Mas bom, é ir andando. E assim foi o primeiro teste.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Aniversários

O P. fez 2 anos.
Quinze dias depois eu fiz 40 anos. (vida começa aos 40, não é o que dizem?)
Um dia depois o meu pai fez 65 anos. (começa a ter desconto nos bilhetes dos transportes e museus, não é assim?)

Isso é que são números redondos!





















Falarei mais sobre tudo isto brevemente :)


quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Quando alguém nos diz que está cansado...

Quando alguém (geralmente sem filhos) me diz que está super cansado/a porque teve uma grande insónia nessa noite... dá-me vontade de rir histericamente.
Assim... de modo louco. E maníaco. Tipo Joker, sabem?
Faço-o mentalmente, mas por fora mostro a minha poker face e tento fazer um ar condoído. Tenho compaixão pela pessoa sim, claro. Ninguém gosta de não conseguir dormir.
Tento mesmo não ser condescendente ou ter a mania que tenho filhos e que isso só por si me dá a sabedoria única do que é não poder dormir dias a fio (ou meses até, ou anos!). Mas caramba... a verdade é que isso me dá esse direito sim.  Tenham dó. Sabem lá o que é quererem dormir e não poderem. Não é não CONSEGUEM, é NÃO VOS DEIXAREM dormir.

Vamos a uma história?

Este fim de semana ia ser de arromba, de festa. Depois como ia estar sol íamos dar muitos passeios. Mas como ter filhos significa uma vida cheia de surpresas e mudanças de planos, a coisa não foi bem assim :P

Ora resumindo: ficámos em casa 3 dias e sem dormir uma única noite!

Imaginemos:

O vosso filho mais novo faz anos. Passam o dia a comprar comida e preparar coisas para a festa no dia a seguir. Deitam-se optimistas e a pensar como a vida é bela. Lá pela 1h da manhã a vida deixa de ser assim tão bela quando o vosso pimpolho parece tossir uma tosse estranha e desata a chorar logo a seguir. Voam até lá e a cama está toda vomitada. Depois de o tentarem acalmar, ele vomita tudo e mais alguma coisa. Em cima de vocês, do chão, e de onde houver mais para vomitar. Limpam, consolam, tentam adormecê-lo. E ele até adormece. Vocês é que não.
Passada 1h, nova vomitadela. Mais 2h de semi-sono. Mais nova vomitadela.
Perto das 5h da manhã ele chora, quer ir para ao pé do papá, mas mal percebe que afinal vai ter de dormir (mesmo que seja ao pé dele) desata a berrar e lembra-se que tem fome. Quer o "titinho" e berra até mais não. Em plena discordância lá damos (a medo confesso) o leite para a cria se calar. Pode ser que acalme, que não vomite, e que durma. Mas não. Bebe e vomita logo a seguir a acabar e chorar por mais. Queremos acalmá-lo mas está difícil. O irmão é acordado às 7h com tanto choro...

O dia segue.
O rapaz mais novo vomita até a água que se lhe dá. Cancelamos a festa. Mas embora os amigos e os filhos deles não venham decidimos que a família próxima vem na mesma, já agora tentar comemorar um bocado, o rapaz também merece! (e temos carradas de comida!)
E passamos um bom momento! De paz, risos, conversa e hamornia. O miúdo alterna entre o mimo, o cansaço e a animação. Quando as pessoas se vão embora resolvemos que o melhor é dar uma saltada ao hospital. A febre não baixou muito e nada entra naquela boca. Felizmente a visita é curta, o hospital não tem muita gente, e é oficial - virose gastrointestinal. Nessa noite volta a vomitar (tinha comido 3 bolachas no hospital, aliciado por outro miúdo que parecia uma trituradora a comer bolachas). Nova limpeza, novos lençóis. Nova choradeira despegada de madrugada que já não deixa mais ninguém dormir.

O dia passa e nada entra na boca do rapaz. Começam a ver-se os ossos, está magrinho e estou preocupada. Mas não vomita e a febre começa a baixar.
De domingo para segunda respiramos fundo. O pequenino vai ter de ficar em casa, mas ao menos vamos poder dormir descansados essa noite, sem vomitanços. Estamos nas últimas e já não aguentamos muito mais.

Mas...

Isso pensávamos nós!!

Às 3h da manhã o mais velho começa a chorar.
Raios partam, penso eu! Que raio de pesadelo teve ele agora??!!! Nãoooooo... hoje não!!! 
O pai vai lá. Volta a dizer que ele se sente enjoado e que lhe dói a garganta. Ficamos na dúvida. A palavra enjoado não é boa. A "dor de garganta" já é comum quando quer que lhe demos atenção. Tentamos convencê-lo a dormir. Sem grandes resultados. Quer que eu durma com ele. Mas não dá.
Mas vamos ao que interessa. Resumindo: minutos mais tarde desata a vomitar. Vomita o nosso colchão, a parede e o tapete...
Nem conseguimos acreditar...

Passando à frente: no dia a seguir estamos assim: mãe em casa com os 2 filhotes doentes. No dia a seguir a esse está o pai com eles. E a melhor ainda: no dia a seguir a esses está o pai doente em casa!!!!

Xiça que estou contente por estarmos quase num novo fim de semana! É desta que vamos passear e gozar o bom tempo!

E quem voltar a dizer-me que está de rastos porque nessa noite teve uma insónia... Aiiii!!! SEGUREM-ME!!

:p

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Mudanças de luzes (do M.)

Não sei o que é que se passou, mas num período de poucos meses o M. decidiu que ia ser um menino crescido. De um dia para o outro deu a preciosa almofadinha dele (que tinha na cama desde bebé) ao irmão; há 2 dias não quis mais o ratinho (aquele azul do IKEA que dá luz) à noite; e ontem nem ratinho, nem "luzinhas" (uma tomada fluorescente que teve no quarto para o desparecimento do ratinho não ser tão drástico). Desde ontem que dorme às escuras!!! (o que me dificulta a tarefa de ir lá vê-lo antes de me deitar, mas bom, eu cá me amanho). Deve ser o fenómeno 6 anos!

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

O primeiro dia do 1º ciclo

E chegámos ao fim do primeiro dia da vida dele.
E das nossas.
O M. começou hoje a escola "a sério".

Ele estava bem. Nada surpreendido por só ter ficado com 5 meninos/as da turma anterior. Nada impressionado por já não conseguir estar a toda a hora com os outros amigos. Nada intimidado com a nova professora. Super à vontade com as novas rotinas que se vão seguir (embora ainda não tenha passado por elas, ou seja, agora ainda é fácil!). Excitado até, mas com moderação, com as novas responsabilidades.

Eu por outro lado...
Passo o dia ansiosa. Ansiosa por saber como tinha sido, dado que não pude ir lá. Se sempre tinha ficado na turma que lhe tinham atribuído. Se a professora era simpática. Se conheceria ele o resto dos meninos da nova turma. Preocupada com mais um ano em que é dos primeiros a chegar e dos últimos a sair. Preocupada por saber novas informações. Enfim... ansiosa por acertar as agulhas todas destes inícios de ano sempre algo confusos.

O P. na mesma. Está na escola que nem um rei. Corre para mim todo contente quando o vou buscar. Quer colo, quer abraços, quer mimo e atenção. Um fofo.

Mal entra no carro começa a impaciência do fim do dia. Pede incessantemente uma bolacha e enquanto não lhe passo uma para a mão não se cala. Resmunga, choraminga, acaba a bolacha e quer outra. Em casa enquanto janta é o filme de sempre. O filme contemporâneo chamado "Estou quase a fazer dois anos e sei o que quero, sou independente". Recusa-se a comer. Vira a cara para o lado. Lá vai comendo umas garfadas de sopa e prato principal misturadas porque finalmente me rendi e liguei a televisão para ele ver o Panda e comer sem dramas. Vê o Panda mas não come calmamente, excepto em alguns bocados. Agora já não quer o Panda. Quer o Pocoyo. Estica-se na cadeira, só não cai porque está preso. Quer tudo e não quer nada. A tudo o que lhe dizemos a resposta é "Nãoooooo".

Reconheço: está podre de sono.
Reconheço também: estou podre de cansaço e sem paciência.
Mas respiro fundo umas dez vezes em várias ocasiões porque sei bem que quando me descontrolo descontrola-se tudo. E preciso de calma, muita calma para que tudo corra bem e finalmente os dois miúdos se deitem rapidamente.

Os dois caiem na cama e dormem quase instantaneamente. E nem são nove da noite ainda.
Eu caio no sofá e tento ter dois minutos de silêncio e paz antes de recomeçarmos as lides a que já nos tínhamos desabituado: preparar a lancheira do dia a seguir do M.

Sobrevivemos!
Um dia de cada vez.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Um bom dia

Ontem foi um bom dia.

Foi daqueles dias em que acordo algo ansiosa. Está tudo mole e, incrivelmente, acordamos mais tarde (8h30 conta?) com uma data de coisas ainda para despachar antes de sairmos. Com 2 miúdos há sempre uma quantidade incrível de tralha que temos de levar mesmo quando vamos só passar 1 dia (!) fora. Mas ontem era também o dia em que íamos deixar o M. com os outros avós. E eles não estão mesmo aqui ao lado. A praia é outra, as rotinas são outras.
A roupa e brinquedos estão prontos.

O P. guincha de excitação por ter o irmão perto novamente, só quer brincadeira. Mal ele sabe que no final do dia voltamos só nós os 3, os trabalhadores. Dois para o emprego, um para a creche. É só mais uma semana... Talvez para o ano já dê para irem os 2 irmãos (o P. mais crescido e fácil de gerir) para estas mini-férias. Talvez.

O M. mal consegue esconder a felicidade de irmos para lá os quatro. Acho que gosta das férias com os avós (do meu lado e do lado do T.) mas gosta ainda mais quando estamos por perto. Porque somos os pais, porque se sente mais seguro, porque gosta de exibir as suas conquistas (seja dos Legos, seja das habilidades na piscina), porque sim. Somos o seu núcleo duro.

Eu estou ansiosa em deixá-lo lá, embora saiba que é bom para ele. Férias de nós, tempo de brincadeira com os avós, ter outras pessoas a tomar conta dele. Também estou ansiosa porque hoje vão estar concentradas muitas pessoas numa casa pequena e sei a barulheira que vai ser. E sei que o P. não adormece facilmente e Meu Deus como vai ser adormecer com panelas a bater, portas idem, conversas altas, etc.

Por outro lado, tento conter-me nas aflições. Ando melhor nesta parte ultimamente (acho eu). O treino mental (que afecta decididamente a parte física, da nervoseira e afins) é uma coisa fantástica. E eu tenho-me treinado para relativizar tudo na vida. A vida é boa e há que saber vivê-la. O miúdo fica bem na mesma se um dia dorme menos. A excitação vai compensar as birras de sono.

Assim a contrabalançar a ansiedade, sinto-me invadida de uma calma estranha. Estamos todos no carro finalmente (depois dos streks de última hora) e os miúdos estão contentes, o T. sorridente e tudo pronto a ir. Cantamos no carro, vamos decididos a ter um bom dia.

E o dia corre com muita conversa e rebuliço! Com o P. a andar atrás dos gatos e comigo a andar atrás dele para ver se não apanha nenhuma arranhadela e se não se espeta no chão novamente (no dia anterior caiu no quintal e ficou com uma das pernas num estado lastimável!), comigo a dar um olho - entre conversas com terceiros - ao P. que está com mais alguém da família mas que mesmo assim precisa de todos os pares de olhos possíveis.

O M. vai variando o seu tempo entre os seus amados Legos e o ir ter com o P. e os gatos (é um querido, lá vai tomando conta do irmão como sabe e pode). E vamos para a piscina e constato que tenho efectivamente 2 peixinhos na família! O peixe grande que quer estar horas na água a nadar, a dar mergulhos, a pendurar-se na prancha insuflável, etc e o peixinho pequeno que quer estar na água também, mesmo quando está a bater o dente literalmente há 30 minutos. Também ele "nada" e quer que o levemos de um lado para o outro, quer atirar água ao irmão, etc. Também ele se descabela todo quando decidimos que é hora de sair da água, o M. ainda lá está e ele quer lá estar também. Grita, esperneia, chora desconsolado.

À tarde voltamos a repetir a dose: piscina, muita brincadeira na água, alguns pirulitos engolidos, birras, gargalhadas. Ah e o P. lá dormiu a sesta com o pai (ele gosta e o pai também!) entre grande barulheira, e lá se almoçou e conversou.

Chegam as despedidas.
"Por favor metam-lhe sempre creme protetor no corpo todo, olhem que ele hoje apanhou um pequeno escaldão na zona do pescoço!"
"E não se esqueçam de lhe por sempre o boné."
"E têm de o lembrar de fazer xixi, ele nunca se lembra, fica até à última."
"E cuidado com este mar que não é de fiar, ele só pode ficar na beira da água."
"E cuidado com os saltos e correrias na piscina, não vá cair e aleijar-se."
"E ele que vá bebendo água que não bebe nenhuma."
"E é para deitar cedo!" (acho que esta já semi-desisti)

Eu sei que sou chata, vá. Mas é o my precious, o meu pintainho. Buóc!!

E depois estamos de volta a casa. Um calor de morrer, o ar a sufocar quando entramos. O P. deita-se mais tarde do que é costume mas não demora muito a adormecer (de manhã só esfregava os olhos e quando lhe pergunto se tem soninho diz do modo mais fofo possível: Xim!)

Deitamo-nos derreados. Tento esquecer aquela ansiedade (pequenina, lá no fundo) de ter o pintainho mais velho longe. Mas sei que ele ficará bem e ainda mais animado quando vier o padrinho. E mentalmente torno a agradecer à minha mãe e aos meus sogros a preciosa ajuda de nos ajudarem com o M. nesta altura. Não estamos nós de férias, mas quase que as conseguimos tocar. Ter um bebé em casa não é nada comprado a ter 2 crianças juntas em grande algazarra. O P. vai dormir e de repente parece que estamos de férias, mas daquelas mesmo de descanso a sério (e tanto que precisamos dele...). Silêncio. Por vezes surge aquela semi-liberdade repentina de "E se eu fosse buscar um sushi para nós os dois?". Ou estamos juntos ou estamos cada um para seu lado, nas suas coisas. Mas estamos ali a gozar aquele tempo só para nós. Parece que estamos de férias. E agradeço por isso.

 Lá que foi um dia bom, foi.