Depois de deitar o M. e passados quase 10 minutos de monólogo (quase aos berros) da parte dele. Ele no quarto, eu na sala.
- M.!! Agora é para dormir!
- Ahn?
- Dorme...
- Mas eu... eu...
- Agora é hora de dormir, não há mais cantoria.
- Mas...hum... eu quero ir fazer cócó! (desde há meses que esta é a sua tentativa preferida para o tirarmos da cama, depois de já estar deitado)
- Não vais nada! já sei que depois não fazes...
- Mas eu quero fazeeeeerrrrrr.
- Não queres não.
- Quero, quero!!
- Olha M., se te vou aí buscar e depois não fazes... zango-me a sério!
- Hum...
- pois...
- Mamã!!
- ... diz...
- Olha que eu não brinco mais contigo!!
loooollllll
- Então não brinques.
Silêncio.
- Olha que não brinco mais... (já sem muita convicção)
- Dorme mas é...
E calou-se. E lá dormiu. Ai paciência.
Doces para os meus doces... Um diário bem docinho sobre a vida d.M (depois da Maternidade)
quarta-feira, 17 de julho de 2013
terça-feira, 16 de julho de 2013
Música incrível / vídeo espantoso (e weird, não dá para todas as mentes)
Este tipo dos Faith No More não pára de espantar... (e isto já tem uns anos)
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Isto das redes sociais...
... tem muito que se lhe diga. Big brother is watching you e nós andamos a observar os outros também. Ontem, numa ida a um parque para a "cria" poder brincar ao ar livre e correr quem nem um maluco (a liberdade é uma coisa porreira), encontrei uma conhecida cujo blogue frequento (das poucas que conheço que tem um, o resto dos blogues que visito são de pessoas desconhecidas para moi). E de repente a conversa, agradável, fez-me pensar. Embora a veja muito raramente, dei por mim a falar com ela como se o fizesse frequentemente. Falei sobre os filhos, a escola deles, a nova gravidez dela, o nome da futura filha, etc etc. TUDO isto informação que vi no seu blogue... Dei por mim a pensar que esta nova era de tecnologias bloguísticas, facebooks, etc faz com que saibamos tudo em casa, sem sair do nosso conforto. Faz com que as amizades e conhecimentos sejam mais online do que em pessoa. Faz com que me sinta uma intrusa sem querer (porque as pessoas colocam essas informações na net de livre vontade, porque querem que os outros as vejam). Sinto-me estranha por saber tanta coisa de tanta gente que conheço pouco ou não conheço de todo. Mesmo no facebook... Sei mais coisas de amigos e conhecidos agora que tenho facebook do que quando nos limitávamos a falar apenas em encontros de café.
Se por um lado isto das redes sociais é bom, por outro faz-me falta as pessoas contarem coisas porque estamos juntas a fazer algo e surge em conversa. O que aconteceu às nossas vidas? Sabemos demasiado em relação a perfeitos desconhecidos e passamos a saber mais ainda do nossos amigos mas sem estarmos efectivamente com eles.
Só por isto vou marcar um jantar com as minha amigas para por em dia a conversa e ver aquelas caritas lindas e sorridentes!
domingo, 14 de julho de 2013
terça-feira, 9 de julho de 2013
Reading Sessions
E voltando a falar de livros: li recentemente 2 livros incríveis que de certo modo mudaram e ajudaram o meu eu interior e emocional a desenvolver-se. O Filho de Mil Homens do Valter Hugo Mae e o Sputnik, Meu Amor do Murakami.
E embora saiba que poucos são os que espreitam este meu humilde blogue, venho aqui para recomendar estes 2 poços de sabedoria. Escritas muito diferentes, mas ambas muito envolventes. Ambos mestres em descrever o Amor (e os vários tipos de Amor que podemos ter e sentir), em escrever sobre as relações humanas, sobre as sociedades, sobre as regras e padrões que nos são impostos e que muitas vezes não são verdadeiros e aos quais não sabemos escapar. Mestres em pôr em palavras o que muitas vezes sentimos mas não sabemos bem como expressar. A cada página pensamos "bolas, como eu gostava de ter escrito isto".
Leiam. Leiam e deliciem-se. Vale MESMO a pena.
E embora saiba que poucos são os que espreitam este meu humilde blogue, venho aqui para recomendar estes 2 poços de sabedoria. Escritas muito diferentes, mas ambas muito envolventes. Ambos mestres em descrever o Amor (e os vários tipos de Amor que podemos ter e sentir), em escrever sobre as relações humanas, sobre as sociedades, sobre as regras e padrões que nos são impostos e que muitas vezes não são verdadeiros e aos quais não sabemos escapar. Mestres em pôr em palavras o que muitas vezes sentimos mas não sabemos bem como expressar. A cada página pensamos "bolas, como eu gostava de ter escrito isto".
Leiam. Leiam e deliciem-se. Vale MESMO a pena.
Beleza / bullying
É um tema sobre o qual posso passar horas a falar. A beleza e o bullying. Sei umas coisas sobre ambos. Também sei como a falta de beleza pode servir para sermos bullyied à força toda. Ou seja, gozados/as à força toda. E dói. Mas crescemos.
Mas vou começar pelo início.
No outro dia, em pleno almoço com colegas de trabalho, já não sei a que propósito começou-se a falar das Kardashian, as famosas irmãs americanas que construíram um império porque são bonitas e celebridades. Também têm negócios e não são nada parvas... mas isso já ninguém quer saber. Eu, é escusado dizer, adoro o reality show delas. Aquilo é fútil, mas é giro, faz-nos esquecer a nossa realidade um bocado. É só malta bonita, dinheiro, facilidades, uma família grande e divertida. Passo na boa 1h volta e meia refastelada no sofá a ver aquilo só porque sim. Melhora o meu mundo? não. Mas lá que é entertaining é. Por isso até deve melhorar um bocadinho.
E a certa altura, um dos meus colegas diz à boca cheia: "ah aquela maior, a Khloe é tão feia, aquele mastodonte" (ou qualquer pérola do género). Fiquei parva. Aliás fico sempre parva quando as pessoas fazem afirmações dessas. Quem julgam elas que são?
A Kloe?
Sim, porquê, não me digas que a achas gira...
Sim, acho.
Mas ela é enorme!!
Ela é alta e grande sim, mas isso não tira que até seja bonita. Tem uma cara bonita.
As outras são bem mais giras!
Eu também acho, mas daí a dizer que acho essa feia... De todo, mesmo.
Ele pasmado e eu pasmada também.
Ok, se alguém não está a ver a rapariga, aqui vai:
Vêem a fotografia da direita? é uma fotografia tirada na prisão (não, não faço ideia do que fez a moçoila..., gosto de ver o programa, mas não sou fã acérrima de tudo o que lhes acontece). E isto para dizer que: quem me dera se algum dia for presa ter uma foto assim tão gira!! Não teria tanta pinta de certeza...
Não percebo a mania de julgar alguém só porque fisicamente é mais gordinha, ou é magra que nem um cão. O feio e o bonito são tãoooo subjectivos... E não se costuma dizer que quem ama o feio, bonito lhe parece?
Acham a Adele (a cantora) feia só porque é gorda que nem um cachalote? (sim, também sei sei mazinha se quiser, não sou nenhuma santa que acha tudo e todos a maior beleza do mundo). Pois eu acho a mulher um mulherão lindo!! Ok, tem bastantes kg a mais... mesmo. Mas tem uma cara digna de uma deusa e quando abre a boca para cantar é de desmaiar mesmo de tanta emoção que nos transmite. Se fosse gajo... marchava.
Isto para dizer que penso efectivamente que nenhuma mulher (ou homem já agora) é completamente feio. E não percebo o dizer logo para todos ouvirem que este ou aquele são feios. Acho uma atitude má, isso sim é algo feio, pouco simpático e digno da nossa parte. Como se nós não tivéssemos também 500 mil defeitos que todos podem apontar em 10 segundos.
Pronto, já sei. Está tudo a pensar - ela está a falar porque algo já se passou com ela. É uma recalcada. E claro que sim (não o recalcada, mas o já ter sofrido coisas destas). Tento ser boa pessoa, mas tudo tem uma razão de ser. E a minha história resumidamente é esta:
Sempre fui uma criança engraçada, gira até. Era como muitas miúdas: fofinha, sorriso bonito, charmosa. Não acho que fosse um deslumbre, mas era uma menina gira, com pinta. Até que um dia comecei a ouvir alguns comentários menos simpáticos de rapazes de turma. Tinha na altura uns 11 anos. A coisa já tinha começado a descambar há 1 ano atrás. A miúda gira e fofinha começara a ficar esquisita. Braços muito grandes para o corpo e uma cara de fugir. A adolescência tinha começado e as alterações físicas próprias dessa idade não foram generosas comigo. Passei de pintainho giro para pato feio. E não via nenhum cisne a vir assim tão cedo... E foi aí que começou o bullying psicológico (felizmente nunca me cruzei com malta fisicamente agressiva, também sempre me afastei de confusões).
Com o passar dos anos fui chamada inúmeras vezes de feia e outras coisa parecidas. Mas acho que o feia era o mais recorrente. Se doía?... Sim, claro que sim. Mas sempre fui uma pessoa forte (acho eu) e aguentava-me à bomboca. Não tinha outro remédio. Mas doía claro. Principalmente porque não percebia porque me viam assim. Na minha inocência (e talvez tivesse uma confiança relativamente elevada) olhava para o espelho e não via isso que os outros viam. Ficava espantada por os rapazes me dizerem aquelas atrocidades. E depois claro, era sempre a melhor amiga das "giras" o que ainda contrastava mais...
Eu era sempre aquela que assistia aos namoros das outras, a que ficava sentada numa festa de garagem enquanto as outras tinham sempre miúdos que as vinham buscar. Lembro-me de uma vez ninguém me ir chamar para dançar e eu tomar coragem e ir buscar um rapaz (amigo de bairro)... e ele hesitar.... Depois lá dançou comigo. Por pena. E isso sim doeu...
O que sempre me salvou, por assim dizer, foi o facto de ser elegante. E isso a família sempre mo disse, as amigas também. Sempre tive um corpo atlético, mas suave e feminino. Magro mas com curvas. E com o passar dos anos e acentuou-se. E isso salvou-me o ego. Bendito corpo. De repente percebi que podia tomar partido dele e comecei a arriscar com as roupas. Dos vinte e tal para cima foi sempre a subir, a tomar confiança.
Mas dizia eu que não me achava feia, quando todos os outros rapazes o achavam. E o dia chegou em que vi o que eles viram... Lembro-me bem. Eram os anos de alguém de família. Ou os meus, já não me lembro. E estava a olhar para o espelho e a pensar como estava linda. Tinha os olhos bonitos, sorriso quente e feliz. Gostei do que vi. Achei que estava o máximo. E tiraram-me uma fotografia. E quando vi a fotografia dias mais tarde tive o choque da minha vida... Estava tão feinha... Ou melhor era feia. Eles tinha razão. E vi finalmente o que eles viam.
Depois do choque recompus-me, como sempre faço quando as coisas me correm mal. É o meu modo de sobrevivência de "tudo vai correr bem". Pensei: sou feia agora, mas um dia serei bonita (lia volta e meia a histórias das super-modelos a contarem como eram gozadas na escola e depois ali estavam elas deslumbrantes e bem sucedidas anos depois). Jurei que um dia me iria vingar de todos os rapazes que me tinham chamado aquilo. Que iria encontrá-los e mostrar "estavas enganado, olha para mim agora". Claro que nunca mais os vi. Mas pelo caminho rejeitei um ou outro rapaz (um bem feinho... life is a bitch) que poderiam ter sido bem queridos comigo e que me poderiam ter amado. Rejeitei só porque sim. Porque queria ter o gosto que as bonitas tinham, de poder escolher e dizer: não te quero a ti porque quero um mais giro. Fui parva, claro. Mas estava no direito de o ser.
Na faculdade, embora nos primeiros anos tenha tido ar de geek de cabelo curto à rapaz, ganhei confiança, comecei a compor-me. Um ou outro rapaz gostaram mesmo de mim. Senti-me desejada numa ou noutra ocasião. Foi bom. Era divertida (embora mega mega tímida para quem não conhecia ou com quem não me sentia à vontade) e as minhas feições começaram a equilibrar-se. Comecei a saber tirar partido do que tinha. Passada a faculdade foi o meu pico. Fui para o estrangeiro uns tempos e senti que era uma deusa grega que todos admiravam e queriam. Foi fenomenal!
Em 36 anos já fui muito amada. Sei o que é amar e ser amada, sei o que é desejar e ser desejada com loucura. Fui mais amada do que amei é certo. Mas penso que a culpa foi de tanta "pancada" que levei. Aprendi a parecer distante e fria para me proteger. Aprendi a agir mais com a cabeça do que com o coração. Senão este era despedaçado. Tive muitas alturas em que me partiram o coração e parti eu também o coração a outros (coisa de que não me orgulho).
E neste momento sei que sou bonita (pelo menos aos olhos de alguns, e mais importante: aos meus). Não sou uma Miranda Kerr ou uma Monica Bellucci (essa sim uma Mulher com M grande, linda, voluptuosa até dizer chega, a sensualidade até lhe sai pelo nariz... Parva!). Mas sei quem sou e que tenho atractivos suficientes para parar o trânsito se assim o pretender. Mais engraçado ainda: ganhei o título de MILF e sinto-me mesmo assim. Quando me sinto o máximo ninguém me pára. Tenho classe, tenho piada, sou interessante (mas a timidez por vezes lixa-me as conversas), tenho fisicamente um corpaço, tenho uma cara gira e traços finos, gosto do meu cabelo.
Ou seja, ao fim de anos como "saco de pancada feio", finalmente sinto-me fantástica e sinto que os "rapazes" (agora já não sou rapazes, são homens) me vêm como tal.
Tenho dias claro. Mas isso acontece a todas nós, mulheres lindas e fantásticas!
Porque como alguém disse um dia - Não há mulheres feias, só há aquelas que não sabem fazer-se belas.
Mas vou começar pelo início.
No outro dia, em pleno almoço com colegas de trabalho, já não sei a que propósito começou-se a falar das Kardashian, as famosas irmãs americanas que construíram um império porque são bonitas e celebridades. Também têm negócios e não são nada parvas... mas isso já ninguém quer saber. Eu, é escusado dizer, adoro o reality show delas. Aquilo é fútil, mas é giro, faz-nos esquecer a nossa realidade um bocado. É só malta bonita, dinheiro, facilidades, uma família grande e divertida. Passo na boa 1h volta e meia refastelada no sofá a ver aquilo só porque sim. Melhora o meu mundo? não. Mas lá que é entertaining é. Por isso até deve melhorar um bocadinho.
E a certa altura, um dos meus colegas diz à boca cheia: "ah aquela maior, a Khloe é tão feia, aquele mastodonte" (ou qualquer pérola do género). Fiquei parva. Aliás fico sempre parva quando as pessoas fazem afirmações dessas. Quem julgam elas que são?
A Kloe?
Sim, porquê, não me digas que a achas gira...
Sim, acho.
Mas ela é enorme!!
Ela é alta e grande sim, mas isso não tira que até seja bonita. Tem uma cara bonita.
As outras são bem mais giras!
Eu também acho, mas daí a dizer que acho essa feia... De todo, mesmo.
Ele pasmado e eu pasmada também.
Ok, se alguém não está a ver a rapariga, aqui vai:
Vêem a fotografia da direita? é uma fotografia tirada na prisão (não, não faço ideia do que fez a moçoila..., gosto de ver o programa, mas não sou fã acérrima de tudo o que lhes acontece). E isto para dizer que: quem me dera se algum dia for presa ter uma foto assim tão gira!! Não teria tanta pinta de certeza...
Não percebo a mania de julgar alguém só porque fisicamente é mais gordinha, ou é magra que nem um cão. O feio e o bonito são tãoooo subjectivos... E não se costuma dizer que quem ama o feio, bonito lhe parece?
Acham a Adele (a cantora) feia só porque é gorda que nem um cachalote? (sim, também sei sei mazinha se quiser, não sou nenhuma santa que acha tudo e todos a maior beleza do mundo). Pois eu acho a mulher um mulherão lindo!! Ok, tem bastantes kg a mais... mesmo. Mas tem uma cara digna de uma deusa e quando abre a boca para cantar é de desmaiar mesmo de tanta emoção que nos transmite. Se fosse gajo... marchava.
Isto para dizer que penso efectivamente que nenhuma mulher (ou homem já agora) é completamente feio. E não percebo o dizer logo para todos ouvirem que este ou aquele são feios. Acho uma atitude má, isso sim é algo feio, pouco simpático e digno da nossa parte. Como se nós não tivéssemos também 500 mil defeitos que todos podem apontar em 10 segundos.
Pronto, já sei. Está tudo a pensar - ela está a falar porque algo já se passou com ela. É uma recalcada. E claro que sim (não o recalcada, mas o já ter sofrido coisas destas). Tento ser boa pessoa, mas tudo tem uma razão de ser. E a minha história resumidamente é esta:
Sempre fui uma criança engraçada, gira até. Era como muitas miúdas: fofinha, sorriso bonito, charmosa. Não acho que fosse um deslumbre, mas era uma menina gira, com pinta. Até que um dia comecei a ouvir alguns comentários menos simpáticos de rapazes de turma. Tinha na altura uns 11 anos. A coisa já tinha começado a descambar há 1 ano atrás. A miúda gira e fofinha começara a ficar esquisita. Braços muito grandes para o corpo e uma cara de fugir. A adolescência tinha começado e as alterações físicas próprias dessa idade não foram generosas comigo. Passei de pintainho giro para pato feio. E não via nenhum cisne a vir assim tão cedo... E foi aí que começou o bullying psicológico (felizmente nunca me cruzei com malta fisicamente agressiva, também sempre me afastei de confusões).
Com o passar dos anos fui chamada inúmeras vezes de feia e outras coisa parecidas. Mas acho que o feia era o mais recorrente. Se doía?... Sim, claro que sim. Mas sempre fui uma pessoa forte (acho eu) e aguentava-me à bomboca. Não tinha outro remédio. Mas doía claro. Principalmente porque não percebia porque me viam assim. Na minha inocência (e talvez tivesse uma confiança relativamente elevada) olhava para o espelho e não via isso que os outros viam. Ficava espantada por os rapazes me dizerem aquelas atrocidades. E depois claro, era sempre a melhor amiga das "giras" o que ainda contrastava mais...
Eu era sempre aquela que assistia aos namoros das outras, a que ficava sentada numa festa de garagem enquanto as outras tinham sempre miúdos que as vinham buscar. Lembro-me de uma vez ninguém me ir chamar para dançar e eu tomar coragem e ir buscar um rapaz (amigo de bairro)... e ele hesitar.... Depois lá dançou comigo. Por pena. E isso sim doeu...
O que sempre me salvou, por assim dizer, foi o facto de ser elegante. E isso a família sempre mo disse, as amigas também. Sempre tive um corpo atlético, mas suave e feminino. Magro mas com curvas. E com o passar dos anos e acentuou-se. E isso salvou-me o ego. Bendito corpo. De repente percebi que podia tomar partido dele e comecei a arriscar com as roupas. Dos vinte e tal para cima foi sempre a subir, a tomar confiança.
Mas dizia eu que não me achava feia, quando todos os outros rapazes o achavam. E o dia chegou em que vi o que eles viram... Lembro-me bem. Eram os anos de alguém de família. Ou os meus, já não me lembro. E estava a olhar para o espelho e a pensar como estava linda. Tinha os olhos bonitos, sorriso quente e feliz. Gostei do que vi. Achei que estava o máximo. E tiraram-me uma fotografia. E quando vi a fotografia dias mais tarde tive o choque da minha vida... Estava tão feinha... Ou melhor era feia. Eles tinha razão. E vi finalmente o que eles viam.
Depois do choque recompus-me, como sempre faço quando as coisas me correm mal. É o meu modo de sobrevivência de "tudo vai correr bem". Pensei: sou feia agora, mas um dia serei bonita (lia volta e meia a histórias das super-modelos a contarem como eram gozadas na escola e depois ali estavam elas deslumbrantes e bem sucedidas anos depois). Jurei que um dia me iria vingar de todos os rapazes que me tinham chamado aquilo. Que iria encontrá-los e mostrar "estavas enganado, olha para mim agora". Claro que nunca mais os vi. Mas pelo caminho rejeitei um ou outro rapaz (um bem feinho... life is a bitch) que poderiam ter sido bem queridos comigo e que me poderiam ter amado. Rejeitei só porque sim. Porque queria ter o gosto que as bonitas tinham, de poder escolher e dizer: não te quero a ti porque quero um mais giro. Fui parva, claro. Mas estava no direito de o ser.
Na faculdade, embora nos primeiros anos tenha tido ar de geek de cabelo curto à rapaz, ganhei confiança, comecei a compor-me. Um ou outro rapaz gostaram mesmo de mim. Senti-me desejada numa ou noutra ocasião. Foi bom. Era divertida (embora mega mega tímida para quem não conhecia ou com quem não me sentia à vontade) e as minhas feições começaram a equilibrar-se. Comecei a saber tirar partido do que tinha. Passada a faculdade foi o meu pico. Fui para o estrangeiro uns tempos e senti que era uma deusa grega que todos admiravam e queriam. Foi fenomenal!
Em 36 anos já fui muito amada. Sei o que é amar e ser amada, sei o que é desejar e ser desejada com loucura. Fui mais amada do que amei é certo. Mas penso que a culpa foi de tanta "pancada" que levei. Aprendi a parecer distante e fria para me proteger. Aprendi a agir mais com a cabeça do que com o coração. Senão este era despedaçado. Tive muitas alturas em que me partiram o coração e parti eu também o coração a outros (coisa de que não me orgulho).
E neste momento sei que sou bonita (pelo menos aos olhos de alguns, e mais importante: aos meus). Não sou uma Miranda Kerr ou uma Monica Bellucci (essa sim uma Mulher com M grande, linda, voluptuosa até dizer chega, a sensualidade até lhe sai pelo nariz... Parva!). Mas sei quem sou e que tenho atractivos suficientes para parar o trânsito se assim o pretender. Mais engraçado ainda: ganhei o título de MILF e sinto-me mesmo assim. Quando me sinto o máximo ninguém me pára. Tenho classe, tenho piada, sou interessante (mas a timidez por vezes lixa-me as conversas), tenho fisicamente um corpaço, tenho uma cara gira e traços finos, gosto do meu cabelo.
Ou seja, ao fim de anos como "saco de pancada feio", finalmente sinto-me fantástica e sinto que os "rapazes" (agora já não sou rapazes, são homens) me vêm como tal.
Tenho dias claro. Mas isso acontece a todas nós, mulheres lindas e fantásticas!
Porque como alguém disse um dia - Não há mulheres feias, só há aquelas que não sabem fazer-se belas.
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