terça-feira, 9 de julho de 2013

Reading Sessions

E voltando a falar de livros: li recentemente 2 livros incríveis que de certo modo mudaram e ajudaram o meu eu interior e emocional a desenvolver-se. O Filho de Mil Homens do Valter Hugo Mae e o Sputnik, Meu Amor do Murakami.
E embora saiba que poucos são os que espreitam este meu humilde blogue, venho aqui para recomendar estes 2 poços de sabedoria. Escritas muito diferentes, mas ambas muito envolventes. Ambos mestres em descrever o Amor (e os vários tipos de Amor que podemos ter e sentir), em escrever sobre as relações humanas, sobre as sociedades, sobre as regras e padrões que nos são impostos e que muitas vezes não são verdadeiros e aos quais não sabemos escapar. Mestres em pôr em palavras o que muitas vezes sentimos mas não sabemos bem como expressar. A cada página pensamos "bolas, como eu gostava de ter escrito isto".
Leiam. Leiam e deliciem-se. Vale MESMO a pena.




Beleza / bullying

É um tema sobre o qual posso passar horas a falar. A beleza e o bullying. Sei umas coisas sobre ambos. Também sei como a falta de beleza pode servir para sermos bullyied à força toda. Ou seja, gozados/as à força toda. E dói. Mas crescemos.

Mas vou começar pelo início.
No outro dia, em pleno almoço com colegas de trabalho, já não sei a que propósito começou-se a falar das Kardashian, as famosas irmãs americanas que construíram um império porque são bonitas e celebridades. Também têm negócios e não são nada parvas... mas isso já ninguém quer saber. Eu, é escusado dizer, adoro o reality show delas. Aquilo é fútil, mas é giro, faz-nos esquecer a nossa realidade um bocado. É só malta bonita, dinheiro, facilidades, uma família grande e divertida. Passo na boa 1h volta e meia refastelada no sofá a ver aquilo só porque sim. Melhora o meu mundo? não. Mas lá que é entertaining é. Por isso até deve melhorar um bocadinho.
E a certa altura, um dos meus colegas diz à boca cheia: "ah aquela maior, a Khloe é tão feia, aquele mastodonte" (ou qualquer pérola do género). Fiquei parva. Aliás fico sempre parva quando as pessoas fazem afirmações dessas. Quem julgam elas que são?

A Kloe?
Sim, porquê, não me digas que a achas gira...
Sim, acho.
Mas ela é enorme!!
Ela é alta e grande sim, mas isso não tira que até seja bonita. Tem uma cara bonita.
As outras são bem mais giras!
Eu também acho, mas daí a dizer que acho essa feia... De todo, mesmo.

Ele pasmado e eu pasmada também.
Ok, se alguém não está a ver a rapariga, aqui vai:















Vêem a fotografia da direita? é uma fotografia tirada na prisão (não, não faço ideia do que fez a moçoila..., gosto de ver o programa, mas não sou fã acérrima de tudo o que lhes acontece). E isto para dizer que: quem me dera se algum dia for presa ter uma foto assim tão gira!! Não teria tanta pinta de certeza...

Não percebo a mania de julgar alguém só porque fisicamente é mais gordinha, ou é magra que nem um cão. O feio e o bonito são tãoooo subjectivos... E não se costuma dizer que quem ama o feio, bonito lhe parece?
Acham a Adele (a cantora) feia só porque é gorda que nem um cachalote? (sim, também sei sei mazinha se quiser, não sou nenhuma santa que acha tudo e todos a maior beleza do mundo). Pois eu acho a mulher um mulherão lindo!! Ok, tem bastantes kg a mais... mesmo. Mas tem uma cara digna de uma deusa e quando abre a boca para cantar é de desmaiar mesmo de tanta emoção que nos transmite. Se fosse gajo... marchava.
Isto para dizer que penso efectivamente que nenhuma mulher (ou homem já agora) é completamente feio. E não percebo o dizer logo para todos ouvirem que este ou aquele são feios. Acho uma atitude má, isso sim é algo feio, pouco simpático e digno da nossa parte. Como se nós não tivéssemos também 500 mil defeitos que todos podem apontar em 10 segundos.

Pronto, já sei. Está tudo a pensar - ela está a falar porque algo já se passou com ela. É uma recalcada. E claro que sim (não o recalcada, mas o já ter sofrido coisas destas). Tento ser boa pessoa, mas tudo tem uma razão de ser. E a minha história resumidamente é esta:
Sempre fui uma criança engraçada, gira até. Era como muitas miúdas: fofinha, sorriso bonito, charmosa. Não acho que fosse um deslumbre, mas era uma menina gira, com pinta. Até que um dia comecei a ouvir alguns comentários menos simpáticos de rapazes de turma. Tinha na altura uns 11 anos. A coisa já tinha começado a descambar há 1 ano atrás. A miúda gira e fofinha começara a ficar esquisita. Braços muito grandes para o corpo e uma cara de fugir. A adolescência tinha começado e as alterações físicas próprias dessa idade não foram generosas comigo. Passei de pintainho giro para pato feio. E não via nenhum cisne a vir assim tão cedo... E foi aí que começou o bullying psicológico (felizmente nunca me cruzei com malta fisicamente agressiva, também sempre me afastei de confusões).
Com o passar dos anos fui chamada inúmeras vezes de feia e outras coisa parecidas. Mas acho que o feia era o mais recorrente. Se doía?... Sim, claro que sim. Mas sempre fui uma pessoa forte (acho eu) e aguentava-me à bomboca. Não tinha outro remédio. Mas doía claro. Principalmente porque não percebia porque me viam assim. Na minha inocência (e talvez tivesse uma confiança relativamente elevada) olhava para o espelho e não via isso que os outros viam. Ficava espantada por os rapazes me dizerem aquelas atrocidades. E depois claro, era sempre a melhor amiga das "giras" o que ainda contrastava mais...
Eu era sempre aquela que assistia aos namoros das outras, a que ficava sentada numa festa de garagem enquanto as outras tinham sempre miúdos que as vinham buscar. Lembro-me de uma vez ninguém me ir chamar para dançar e eu tomar coragem e ir buscar um rapaz (amigo de bairro)... e ele hesitar.... Depois lá dançou comigo. Por pena. E isso sim doeu...
O que sempre me salvou, por assim dizer, foi o facto de ser elegante. E isso a família sempre mo disse, as amigas também. Sempre tive um corpo atlético, mas suave e feminino. Magro mas com curvas. E com o passar dos anos e acentuou-se. E isso salvou-me o ego. Bendito corpo. De repente percebi que podia tomar partido dele e comecei a arriscar com as roupas. Dos vinte e tal para cima foi sempre a subir, a tomar confiança.
Mas dizia eu que não me achava feia, quando todos os outros rapazes o achavam. E o dia chegou em que vi o que eles viram... Lembro-me bem. Eram os anos de alguém de família. Ou os meus, já não me lembro. E estava a olhar para o espelho e a pensar como estava linda. Tinha os olhos bonitos, sorriso quente  e feliz. Gostei do que vi. Achei que estava o máximo. E tiraram-me uma fotografia. E quando vi a fotografia dias mais tarde tive o choque da minha vida... Estava tão feinha... Ou melhor era feia. Eles tinha razão. E vi finalmente o que eles viam.

Depois do choque recompus-me, como sempre faço quando as coisas me correm mal. É o meu modo de sobrevivência de "tudo vai correr bem". Pensei: sou feia agora, mas um dia serei bonita (lia volta e meia a histórias das super-modelos a contarem como eram gozadas na escola e depois ali estavam elas deslumbrantes e bem sucedidas anos depois). Jurei que um dia me iria vingar de todos os rapazes que me tinham chamado aquilo. Que iria encontrá-los e mostrar "estavas enganado, olha para mim agora". Claro que nunca mais os vi. Mas pelo caminho rejeitei um ou outro rapaz (um bem feinho... life is a bitch) que poderiam ter sido bem queridos comigo e que me poderiam ter amado. Rejeitei só porque sim. Porque queria ter o gosto que as bonitas tinham, de poder escolher e dizer: não te quero a ti porque quero um mais giro. Fui parva, claro. Mas estava no direito de o ser.

Na faculdade, embora nos primeiros anos tenha tido ar de geek de cabelo curto à rapaz, ganhei confiança, comecei a compor-me. Um ou outro rapaz gostaram mesmo de mim. Senti-me desejada numa ou noutra ocasião. Foi bom. Era divertida (embora mega mega tímida para quem não conhecia ou  com quem não me sentia à vontade) e as minhas feições começaram a equilibrar-se. Comecei a saber tirar partido do que tinha. Passada a faculdade foi o meu pico. Fui para o estrangeiro uns tempos e senti que era uma deusa grega que todos admiravam e queriam. Foi fenomenal!

Em 36 anos já fui muito amada. Sei o que é amar e ser amada, sei o que é desejar e ser desejada com loucura. Fui mais amada do que amei é certo. Mas penso que a culpa foi de tanta "pancada" que levei. Aprendi a parecer distante e fria para me proteger. Aprendi a agir mais com a cabeça do que com o coração. Senão este era despedaçado. Tive muitas alturas em que me partiram o coração e parti eu também o coração a outros (coisa de que não me orgulho).
E neste momento sei que sou bonita (pelo menos aos olhos de alguns, e mais importante: aos meus). Não sou uma Miranda Kerr ou uma Monica Bellucci (essa sim uma Mulher com M grande, linda, voluptuosa até dizer chega, a sensualidade até lhe sai pelo nariz... Parva!). Mas sei quem sou e que tenho atractivos suficientes para parar o trânsito se assim o pretender. Mais engraçado ainda: ganhei o título de MILF e sinto-me mesmo assim. Quando me sinto o máximo ninguém me pára. Tenho classe, tenho piada, sou interessante (mas a timidez por vezes lixa-me as conversas), tenho fisicamente um corpaço, tenho uma cara gira e traços finos, gosto do meu cabelo.
Ou seja, ao fim de anos como "saco de pancada feio", finalmente sinto-me fantástica e sinto que os "rapazes" (agora já não sou rapazes, são homens) me vêm como tal.
Tenho dias claro. Mas isso acontece a todas nós, mulheres lindas e fantásticas!
Porque como alguém disse um dia - Não há mulheres feias, só há aquelas que não sabem fazer-se belas.

Corri!

E pronto. Foi hoje oficialmente a minha primeira corrida. Até tenho vergonha de dizer... mas foram apenas uns meros metros lol Comecei a andar e depois (sem documentos pendurados ao pescoço ou coisas assim) lá me animei e comecei lentamente a correr. Mas estou mesmo em baixo de forma. Corri 200 metros e e já não aguentei mais... Tinha as pernas tão pesadas... o corpo a fraquejar... E isto mesmo correndo devagar! Que vergonha... Depois andei mais um bocado (aí sim, andei com vigor e rápido) e passado um bocado resolvi que não ia ligar aos metros, mas sim a pontos do percurso. E decidi que ia "até lá ao fundo a correr". Depois de uma curva do percurso voltei a correr mais um bocado. E assim, no total, devo ter feito uns 500 metros a correr. Eu sei que para entendidos isso é peanuts... mas sinto-me A MAIOR!! :D 




sábado, 6 de julho de 2013

A cor azul

Pelos vistos hoje as cores correram. Curiosamente, apesar de já estar tudo divulgado há muito, só soube dessas cores todas na sexta-feira. Foram cores brilhantes, organizadas há muito, e muito sorridentes, que vi em fotografias. As minhas fotografias foram outras: as minhas cores de fim-de-semana resumiram-se a duas: amarelo e azul.
Amarelo da areia.
Azul de praia e piscina. Azul do biquini. Azul dos olhos de um menino que brincou com o M.
Azul do céu. Azul que sabe a férias mesmo que daí a um dia tenhamos de ir trabalhar.
E mesmo no trabalho... o azul do céu, o amarelo do calor. Adoro o verão (mesmo quando o calor sufoca os sonhos e quase não se consegue dormir).
Adoro ver o M. a nadar na piscina pequena, a bater com os pés e as mãos enquanto o seguro pela barriga. O M. meio aflito / meio a achar piada quando o "mergulho" na água. O M. a dizer que é um tubarão, depois de mais outra volta já é um golfinho, depois de mais umas quantas já é um menino que treme de frio mas diz que não, não tem nada frio, e quer continuar na água.
Espero mesmo que o amarelo e o azul tenham chegado de vez.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Era bom estar agora a fazer isto...

Mas quem é que disse que este era o verão mais frio??


Instabilidade política

Em dias de grande instabilidade política, em que vieram ao de cima as minhas angústias de "o que vai ser do país, o que vai ser de nós, será melhor aguentarmo-nos aqui que isto vai melhorar, será melhor ir para fora, será melhor isto e aquilo", recebi um grande conselho que foi mais ou menos assim:
 
"Isto tudo está um bocado fora do nosso controlo, concentra-te agora é em fazer o que podes para melhorar e ir mais além, aquilo que puderes fazer para melhorar, o que puderes fazer que esteja ao teu alcance faz."
 
E é isso. Ommmmmmm....