Quase todos os fins-de-semana, enquanto o M. dorme a sesta, tenho-me dedicado a ver os episódios que a Sic Mulher passa às 13h da tarde, de uma série drama/comédia chamada The Big C. É sobre uma mulher, nos seus 40, que descobre que tem cancro e decide viver o melhor que pode com isso. É sobre a sua jornada, sobre a relação com a família e amigos, sobre relacionamentos. Muito bom! Ah e não é pesada embora fale de assuntos sérios. Tem-me conquistado aos poucos e poucos.
Pois é, tal como na história do mundo, cá em casa vive-se atualmente um período mauísta...
Ora vejamos:
- "tu és má mamã"
- "tu és mau papá"
- "cócó mau"
- "o pépé mau"
- "a colher má"
- "história má"
- "chulé mau"
Desde há umas 2 semanas... tudo é mau LOL E, não dá para levar a mal :P
Simplesmente acho que o rapaz aprendeu esta palavra há uns tempos e agora acha giro dizê-la. Nem zangado está quando diz isso, simplesmente diz. Adora dizer que tudo é mau.
Quando será que este período mauísta acaba e passa a ser tudo bom? ou bonito? ou fantástico?
Ai... vida! Haja paciência para estas pulgas com a mania que são espertinhas :)
Há um programa curioso na BBC One que se chama Who Do You Think You Are. Embora o título à primeira vista tenha um som um bocado agressivo, é dos programas mais giros que tenho visto ultimamente (dentro do género). Neste caso o programa convida pessoas importantes de várias áreas (músicos, atores, escritores, etc etc) e dedica a cada pessoa o estudo de parte da sua árvore geneológica. Umas vezes pretende-se a origem da família materna, outras da paterna. Já cheguei a ver programas em que cobriam ambas as famílias. Chegam a ir a quatro gerações atrás.
Bem sei que aquelas famílias não nos dizem nada. Não são a nossa. Mas há qualquer coisa de entusiasmante e sherlokiano em acompanhar (mesmo que seja só pela televisão) uma pessoa (mesmo que não familiar) na sua demanda por saber quem são os seus antepassados. Quem já viu algum destes programas sabe que por vezes chega a ser enternecedor, chegando-se mesmo à lagrima a par com os protagonistas. A emoção passa da tela para nós. Pelo menos passa-me a mim.
Acredito que ao "conhecer" as pessoas que nos deram origem, passamos a conhecer-nos a nós próprios, a compreender mais sobre que massa somos feitos. Consigo perceber de onde vêm as lágrimas dos protagonistas sempre que lêem que a sua tetravó teve de fugir do seu país numa altura de guerra, que passou fome, e que entretanto se passaram anos sem saber do seu paradeiro. E que, finalmente, após dezenas (e centenas) de anos, alguém se lembra de novo delas, e após semanas a percorrer registos, é "encontrada", revisitada, lembrada por quem poderia nem se incomodar em lembrar.
É fascinante saber que um dia, daqui a centenas de anos, alguém pode querer voltar atrás e querer saber quem éramos nós. É reconfortante. É igualmente bonito podermos fazer isso em relação aos nossos antepassados, se quisermos mesmo.
No último programa que vi, calhou-me a estrela de TV Rosie O'Donnell. Esta atriz e apresentadora americana, orfã de mãe aos 10 anos, pretendia conhecer mais a sua origem irlandesa por parte da mãe. Não sabia nada sobre essa parte da família, tudo rodava à volta apenas da progenitora. Mas quis saber mais, saber de onde vinha, que vidas tinham vivido os seus antepassados.
A certa altura do programa, ela está perante um edifício (na Irlanda) onde parte dos seus antepassados viveram anos, antes de emigrar para o Canadá. Esse edifício é um asilo onde se colocavam os pobres dos pobres, aqueles que morreriam de fome se não fossem acolhidos. Vivia-se a época da Grande Fome, uma altura devastadora na Irlanda (de 1845 a 1849) vitimada pela fome, pelas doenças e pela emigração. A fome na altura foi causada pela doença da batata (quando um fungo atingiu as batatas, alimento dos quais os irlandeses dependiam) entre outras causas.
A certa altura uma parte da família dos antepassados de Rosie, um casal e os seus filhos, vão para esse asilo. É evidente o choque da atriz quando percebe que o asilo não era um novo lar acolhedor para a família... Era sim uma espécie de casa (a certa altura o nome que salta à vista é: campo de concentração) onde (à chegada) as mulheres eram separadas para um lado, os homens para outro, e as crianças de 2 a 15 anos para outro... Era comum estarem anos sem se verem. Acho que fiquei tão chocada quanto ela quando ouvi esta informação.
Veio-me à mente a imagem de uma criança de 2 anos a ser arrancada à mãe e ir para uma ala com mais 30 ou 40 crianças sem qualquer amor, atenção e higiene... É um choque. Sou mãe de um fofinho de 2 anos e meio (e mais um bocadinho) e só de imaginar o meu bonequinho a chorar baba e ranho e a sofrer daquele modo... Fiquei de coração apertado...
Acho que só faltava à atriz começar a chorar desalmadamente; eu por mim foi choradeira certa (ainda por cima estava sozinha, ou seja, deu para verter tudo cá para fora sem vergonhas).
Fiquei a pensar na vida das outras pessoas que já cá estiveram antes de nós. Fico a pensar nas vidas agrestes que os nossos avós, bisavós e os outros antes, já viveram até chegarmos nós e termos o privilégio de viver bem, com saúde, sem fome, com os nossos pequenos privilégios de vidas algo consumistas. Penso no que eles fizeram para que nós tenhamos o que temos agora.
Fico agradecida por viver num país sem guerra, onde apesar da crise (não falo obviamente dos que infelizmente se encontram em desespero total...) ainda se consegue viver com dignidade e sem medo. Fico agradecida por não estar em algum campo de refugiados algures no mundo; de não viver num país onde as mulheres são violadas sem apelo nem agravo mal metem o pé na rua; onde os nossos filhos podem ter a maioria das vacinas gratuitas e disponíveis a toda a hora; de ter a liberdade de educar o meu filho do modo que quero e de ele poder ter todo o amor a que tem direito.
Fico agradecida pelos privilégios todos que tenho (embora saiba bem que nos dias de hoje amanhã podem ser uma miragem). E fico com vontade de saber mais sobre os meus bisavós. Sei algumas coisas. O que os meus pais se lembram ainda. Mas nada sei sobre os meus trisavós, por exemplo. O máximo que sei são os rostos meio apagados deles nas fotografias antigas e amareladas. Fotografias essas que nem sei onde estão. Aliás sei. Ainda estão esquecidas algures numa gaveta na casa silenciosa dos meus avós. Qualquer dia, quando lá for de novo, irei espreitar (e talvez guardar) essas fotografias para que as suas vidas não se percam algures numa gaveta.
Hoje começo uma nova etiqueta: as futilidades. Como qualquer mulher que se preze também as tenho e não são poucas. Mas como não se pode ter tudo... umas vezes sonha-se, outras encontram-se saldos que permitem fazer de algumas futilidades realidade.
A minha mais recente paixão, derivada de uma bela compra de última hora (o meu olhar foi atraído pelas letras garrafais da montra, onde estavam escritas as palavras mágicas - liquidação total) são agora... as malas da Guess.
Meu Deus! Euzinha que nunca liguei a malas (completamente maria-rapaz nesse campo) dei por mim a reparar nesse dia numa mala linda e fashion da marca. Gosto da Guess em geral, mas nunca liguei muito dado que... a modos que... é bem carota!
Mas nesse dia houve um click. Entrei curiosa e saí da loja com uma bela mala por metade do preço original, e desde então está no meu quarto e pisco-lhe orgulhosamente o olho volta e meia. É bonita demais para levar para o trabalho. Mas é excelente para qualquer outra saída.
O pior é que agora dou por mim a cobiçar todas as montras da Guess sempre que vou a algum lado. Será mal da idade? Será que finalmente começo a ser uma senhora? lol Alguns centros comerciais têm lojas só da Guess e... Mon Dieu, já viram que malas lindas as da coleção 2013? Se pudesse comprava-as TODAS! :P
Aiiiii esta veia consumista que é completamente abafada pelos preços incomportáveis da marca! Parvos... Enquanto isso lá me vou babando com as malas.
Recentemente descobri esta pérola.
O tom de voz desta rapariga é simplesmente incrível: parece o cruzamento de uma criança e de alguma ninfa perdida no mundo. Partilho:
Ontem fiquei a saber que a Joana Joaquim da Sala Laranja não tempilinha!
Depois perguntou-me se eu também não tinha LOL Lá tive de lhe explicar sucintamente a diferença básica entre os rapazes e as raparigas :) Espero que as conversas sobre as abelhas e as flores e afins ainda não esteja para breve ahahahahahahahaah