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terça-feira, 2 de dezembro de 2014

O dia da nuvem negra...

Hoje apetece-me deitar tudo pelos ares. Rifar o mundo por assim dizer, zangar-me com este estilo de vida que não nos permite gozar a família ou os amigos, ou até gozar o nosso próprio tempo.
Comecei o dia com a notícia de que ia ficar sem mais uma colega. Tudo a rumar para ventos mais favoráveis porque esta casa está gasta. Vou ficar sem um dos meus grandes apoios, sem a minha parceira de risos e fofocas, sem aquela que aliviava o ambiente sempre que havia tensão. Vou voltar mais triste e menos sorridente...

E depois este ritmo de vida idiota e frustrante... A sério que até sou uma moça agradecida por tudo o que tenho. A sério que sou. A sério que até acho que tenho alguma qualidade de vida e sou profundamente agradecida por isso. E tenho uma família linda e com saúde, e com quem me divirto.

Mas ultimamente fico frustrada com a correria dos nossos dias. Passo o dia a cuidar de um bebé lindo que me dá o trabalho normal que os bebés dão, e com saudades de ver todos em casa e de partilhar o resto do meu dia. Mas esses momentos são tão, mas tão curtos que começo a andar frustrada.

Que vida é esta que temos neste país, em que mal se chega a casa é uma correria imensa para, no fundo, acabar o dia? Os meus seres queridos chegam a casa a partir das 18h30/19h. Isto porquê? porque o pai trabalha em Lx, onde demora 1h30 por vezes a chegar a casa (e a ir de manhã para o trabalho) e ir buscar o mais velho. Por sua vez o mais velho anda a arrastar-se porque acorda sem excepção às 7h em ponto da manhã, para estar na escola criteriosamente às 8h, para o pai poder estar no trabalho às 9h. Que nunca está. Chega sempre atrasado, às 9h30. Chega sempre a correr e volta para casa sempre a olhar para o relógio. A correr também. E a correr chega à escola do M. (que anda sem sestas, porque aos 4 anos a maioria das escolas acha que eles já têm 30 anos...) que é dos últimos a ir embora na sala onde ficam os miúdos cujos pais chegam tarde. Ou seja, se eu não o for buscar o rapaz fica lá quase 11h...

E depois, a melhor parte - chegam a casa e é uma correria para dar banhos, para fazer e dar o jantar. Tudo bem cronometrado e sempre apressado, para o M. ir para a cama cedo, para descansar o mais possível. Mas se por um lado queremos estar com ele e conversar e saber como foi o dia, por outro lado apressamo-lo para comer (demora séculos...). E por vezes irrito-me com a parvoíce dele (parece um pré-adolescente respondão que só diz coisas parvinhas dignas da sua idade ("tens cocó na cabeça", etc etc) e por vezes sou uma sombra da mãe paciente que sempre fui com ele. E a coisa descamba claro. E o cansaço e a birra abate-se, e é choradeira dele, e impaciência nossa. E é lavar os dentes à pressa, e contar a história sem apreciar efetivamente o momento, e deitá-lo, que já é tarde e no dia a seguir ele levanta-se cedo. Nem o gozamos. Cada vez que penso que apenas passo basicamente 2 ou 3h diárias com ele até me dá uma coisa. E quando penso que essas horas são passadas a prepará-lo para comer e dormir... até se me dói o coração.
Ah! e claro que agora esse tempo é partilhado com o irmão que exige a nossa atenção, ou porque chora por colo e atenção, ou porque quer comer.

E depois de deitado o M. um de nós continua a tratar do P. E ultimamente o P. chora a combater o sono. Não quer dormir, quer ficar acordado. Mas já está tão overloaded do dia (em que também não dorme muito...) que se agita de excitação e cansaço. E lá se passam "horas" à volta dele. E por vezes sucumbe-se e lá lhe damos mais colo ainda para nós próprios termos alguma calma. Mas depois deitamo-lo... e a fera acorda, claro! e chora ou então quer conversa.

E no meio disso tudo ainda há que arrumar a cozinha que ficou a meio para deitar o M. e atender o P., há que preparar a lancheira do M. para o dia seguinte, etc. E de repente já são 23h da noite e começo a entrar em stress porque já é tarde e o P. vai acordar às 2h ou 3h da manhã e tenho de dormir.
E cada vez que penso que isto já é assim agora e o M. ainda não traz trabalhos de casa nem nada... dá-me vontade de chorar...
E cada vez que penso que ainda não comecei a trabalhar e que, quando o fizer, estarei eu própria a olhar constantemente para o relógio para ir buscar 2 crianças e despachar o resto do dia...

E depois finalmente chega o fds e em vez de descansarmos e estarmos cheios de energia para o gozar, não. Estamos cansados, mas desta vez temos de ir buscar o triplo da energia para acompanhar o nosso filho de 4 anos que quer a nossa atenção e que como é óbvio quer ir passear (se estiver tempo para isso) ou quer brincar às lutas, ou quer fazer puzzles ou quer desenhar ou quer brincar com o que for. Mas quer obviamente fazê-lo connosco... E ainda bem! e adoramos todo esse tempo com ele. Mas deitamo-nos à noite rebentados.

Depois chega 2ª feira e o T. vai trabalhar. O stress de acordar cedo, o stress de chegar o mais depressa possível ao trabalho, o stress dos stresses que as empresas acarretam, o stress de voltar rápido para casa. Chega 2ª feira e eu até penso: ah vou descansar um bocado e vou estar sozinha só com o P.
Mas qual quê... é um bebé! e não me deixa esquecer isso :P

E quero sair e espairecer (até pode ser com ele, aliás costuma ser, não há mtas hipóteses) mas por vezes não tenho a energia ou o tempo (pasme-se quem acha q as mães que ficam em casa têm todo o tempo do mundo...). E chega o final da tarde e é o que já descrevi em cima.

E isto é o que eu e todos os pais passam. Esta correria insana que não deixa aproveitar nada nem ninguém. Que nos deixa cheios de saudades dos filhos e maridos/mulheres, mas que passado um bocado nos deixa a pedinchar apenas descanso.
Os empregos deveriam ser todos ao pé das escolas dos filhos. E não se deveria trabalhar 8h por dia + as horas que são precisas para ir e vir do trabalho. Como é possível que passemos a maior parte do tempo com os colegas e chefes e não com a família!?
E isto até é um cenário bom. Porque muita gente trabalha por turnos e nem 20 minutos tem para ver os filhos/conjugues por dia. Porque muita gente tem de trabalhar horas extra para chefes que olham de lado o facto de se sair a horas, chegando-se assim às 21h ou mais a casa.
É triste neste país isto acontecer...

O tempo de qualidade com o meu filho mais velho neste momento é aquela horazita em que faço o jantar e o tento convencer a ficar comigo na cozinha enquanto ele monta uns legos ou desenha, e lá vou falando com ele, em vez de ele ir ver os seus amados desenhos animados.
O tempo de qualidade com o T. é quando sobram minutos ou meias horas depois de despachados os miúdos. O tempo em que se tenta respirar.

Eu não quero essa treta do tempo de qualidade. Isso é uma tanga que inventaram para não nos sentirmos culpados por não estar tanto tempo com quem queremos porque temos tudo o resto para fazer. O que todos deveríamos ter era tempo de quantidade! eram horas a fio para distribuirmos com quem queremos. Isso sim é qualidade.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Carinha laroca

Haverá algo mais fofinho do que uma carinha laroca de mês e meio que, depois de muito se espreguiçar ao acordar, olha para nós e nos dá um mega sorriso do estilo "olá mamã! és tu!"?
Não, não há :)

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Vários | maternidade

Veio-me agora um rasgo de genialidade à mente sobre os primeiros tempos de maternidade (lembro que ainda só vou no 1º mês):
Penso que existem 3 primeiras etapas nesta fase:
- 1ª- Fase super mulher. Os primeiros dias são de pura energia (e alegria, o deslumbre ajuda). A adrenalina do parto e a excitação do novo bebé dão-nos uma grande energia (falo por mim claro), mesmo que o numero de horas dormidas seja zero ou quase.
- 2ª - Fase tartaruga. Ao fim de 15 dias, e mesmo continuando a dormir uma média de 4 horas por dia (por vezes com intervalos pelo meio) pensamos: ah não tenho dormido nada mas consigo funcionar, raciocinar, fazer coisas, etc. (um bocado lenta mas tudo se fazzzzzzzzz...) Maravilha! Isto de ser o 2º é logo outra coisa - já tenho "calo", já me habituei a descansar/dormir menos e consigo. Espetáculo.
- 3ª - Fase Pausa / Stop / Não aguento mais. Atinge-se o primeiro mês finalmente! Já ultrapassámos um pequeno susto de mega constipação e alterno entre os dias em que me sinto com alguma energia depois de o bebé ter dormido finalmente 5h à noite (e nós umas 3h e tal seguidas), e os dias em que choro copiosamente por já não aguentar mais este ritmo há tantos dias e semanas... (nem vou falar das aventuras da amamentação...)
Passar 24h a dar de comer, por a arrotar, dar colo, dar consolo e, de repente, mal tivemos tempo de aquecer uma sopa para comer, e voltamos a fazer o mesmo... é obra. Psicologicamente uma pessoa começa a bater mal por estar tanto tempo em casa (as saídas resumem-se a médicos, centros de saúde e por aí) e fisicamente às vezes sente-se que não há energia para levantar um braço, quanto mais um ratinho (ou será ratão) de 4,350 kg... 
Sair sem o bebé para ir fazer compras ao supermercado (obrigada querida mãe ;)) é o máximo, uma excitação. Ir 1 ou 2h ao centro comercial faz-nos sentir leves e livres (mas depois voltamos a correr para casa para tocar e olhar a nossa bolinha de mel).

A licença ainda mal começou. E as peripécias de um novo bebé ainda vão no adro. Espero sinceramente que não chova muito este outono/inverno porque se fico fechada em casa a maior parte do tempo vou dar em maluca :P Quero fazer algumas saídas com o P., ele precisa de respirar ar puro e eu preciso de ar puro em todos os poros.

Depois volto a pensar nas coisas mesmo boas e deliciosas: qualquer dia já se vira sozinho, depois vai-se sentar, depois vai interagir mais connosco, sorrir, gatinhar. Vai começar a balbuciar coisas. Vou ouvir novamente o "mamã" dito por um ser pequenino. E mal posso esperar por ver novamente o mundo através dos olhos de um bebé :)




Curiosidades de 1 mês de vida:

- O meu cabelo é fascinante para o P. Sempre que olha para mim, não olha para os meus olhos, olha é fixamente para o meu cabelo acima da testa. Consegue estar horas nisto. Acho que me anda a tirar as medidas ;)
- No outro dia fomos brindados com uns sorrisos gigantes deste ratinho. Assim do nada... Foi o que lhe valeu senão rifavamo-lo ;)
- Hoje quando acordou e fui lá (ja esperneava e chorava de fome) brindou-me com novo sorriso do estilo Olá mamã :D Foi o máximo!! é simplesmente delicioso!
- A noite passada incrivelmente dormiu pela primeira vez das 11h da noite às 6h da manhã!!!!!!!!!!!!!!!!!!! E tem 1 mês!!! Deve ter sido porque no dia anterior mal dormiu durante o dia... O mais curioso é que eu às 4h e tal já estava acordada a pensar porque raio é que ele não acordava (não tem fome?, não lhe faz mal tantas horas sem comer? pobre T. lol.... e quem não dormiu fui eu (e ele)... a parva.
- Já faz birras de sono. Chora que se farta, depois se está com a chucha faz aqueles sons que eu adoro (são mesmo fofos) do oinhoinhoinhnnnn, e depois de se remexer todo, etc etc... lá começa a adormecer.
- Curiosamente até agora não tem tido as famosas (e tortuosas) cólicas (deixa-me bater na madeira). Sempre que come fica um bocado incomodado do estômago porque é um alarve e o leite cai-lhe quem nem uma bomba no estômago (e depois engole litradas de ar), mas aqueles episódios que tivemos com o M. de ele berrar durante horas, não. Dou graças aos céus! A ver se isso se mantém.


O P. está portanto a ser complacente aqui para connosco. Tudo neste processo (parto e agora a rotina de recém nascido) tem sido mais relaxado (cansaço normal à parte).

Conclusão: o P. é mesmo um fofinho! :)

(mesmo assim gostava - aliás precisoooooo mesmo - de umas 8 horinhas de sono. Mesmo, mesmo, mesmo!)

terça-feira, 21 de outubro de 2014

O dia em que o P. nasceu

O que sentir quando nos dizem, uma semana depois de termos ido à consulta e de estar tudo bem, tudo normal, que o líquido amniótico diminuiu consideravelmente e por isso perdemos quase 1kg, e que por isso o melhor é o bebé nascer o quanto antes? no dia seguinte para sermos mais precisos?
Indução foi a palavra chave e a que me deu arrepios. Já ouvi falar muito em induções e o que oiço nunca foi fantástico (mega dores, etc etc). Mas o médico assegurou-me que não ia ser nada de mais, ainda por cima com o colo do útero favorável (dilatação já de 1,5 cm) - provavelmente o corpito já sábio e a saber o que ia acontecer, 2º filho.
Amanhã??!!
Bom... eu sabia que daquela semana não passava - estava de 39 semanas e o meu obstreta não é fã de passar para mais do que as 40 semanas. E o M. tinha nascido com esse tempo. Com ajuda dos famosos toques... E eu odeio o raio dos toques (atenção - aqueles que é para fazer nascer as crianças, não os toques só para ver e coisa e tal).
O meu estomago deu reviravoltas de nervosismo.
Amanhã...
Lá ligámos o piloto automático e em poucas horas estava o esquema montado para nos assegurarmos das coisas do M., acabar a mala dele, juntar as coisas da escola, e preparar tudo para que no dia seguinte a avó avançasse com a sua rotina.
O nosso dia seguinte começou cedo (curiosamente nessa noite até dormi bem, embora tenha quebrado antes de me deitar e os nervos tenham dado lugar as umas quantas lagrimitas) e às 8h30 estávamos no hospital.
Nova nervoseira, mais lágrimas. O M. ia deixar de ser o meu filhote único e querido e nem lhe tínhamos dito que a partir desse dia o irmão ia chegar (sou supersticiosa... é deixar ver como as coisas se desenrolam e só depois dar a notícia), que o seu mundo ia mudar mais uma vez (1º foi a casa, depois foi a escola e agora o irmão... hajam acontecimentos!). E depois o parto... Caramba, quem disser que da 2ª vez tudo é mais fácil mente. Os medos estão lá na mesma, a lembrança de um primeiro parto bem doloroso (embora até curto segundo a "norma"). Cada nascimento é um mundo novo e tudo pode acontecer. E essa incógnita deixava-me nervosa (e angustiada até).
Mas controlei-me e a equipa que me acompanhou foi simplesmente espetacular. E vivam os partos induzidos!!

Às 10h fui para a sala de dilatação (adoro esse nome hehe). E... colocação de gel no útero para início de contrações. Observação: é do caraças!! foi o que mais me custou no parto todo... No fim chorava baba e ranho como uma criança pequena. Fosga-se... mulher sofre pá... Não é justo.
Mas tinha uma enfermeira que foi 5 estrelas e que me tratou como se trata uma princesa. Muito calma, explicava tudo. Picou-me, colocou-me tubos, etc e trinta por uma linha - aquelas maravilhas que quem já teve filhos sabe...

Para quem não sabe as induções com gel são quase tiro e queda. E passados poucos minutos já a máquina acusava umas belas contrações e eu a começar a queixar-me... E de repente eram contrações quase seguidas. Não houve aquele processo lento das contrações normais que se vão encurtando e doendo cada vez mais. De repente nem respirava, nem tinha tempo. O meu corpo era uma máquina em funcionamento. Passo uma gravidez inteira sem contrações, sem notar nada (à excepção de algo mto leve quase no fim) e de um momento para o outro... zás... vamos lá para a frente com isto.
A minha querida enfermeira lá entrou em ação, anestesista venha cá, epidural para a veia (ou seja para as costas - também doeu que se fartou, bolas...), e de um momento para o outro... o paraíso!! O meu sorriso voltou e eu era toda paz e amor em vez de guerra e cara de má (ou de dor). Fabuloso! Nem queria acreditar! desta vez a epidural tinha funcionadoooo!! iupiii! Soube finalmente o que era a maravilha de levar uma epidural e conseguir dormitar de seguida, mesmo que na máquina os valores das contrações estivessem a rebentar com a escala.

Passado um belo bocado - novas dores - e zuca... toma lá mais droguinha que não precisas de sofrer.
Nisto já eram 13h e tal, quase 14. Mais um toque para ver como estava a minha máquina a funcionar. E pelos vistos estava muito bem. Faltava pouco para a dilatação completa. Eu nem queria acreditar.
E a minha querida enfermeira lembra-se da bola de pilates que estava nesse quarto (da outra vez não me lembro nada daquilo, nem queriam que eu me levantasse). Vamos para a bola vá, essa bacia tem de acabar o trabalho, a cabeça do bebé está super bem posicionada e só falta mais um bocadinho. Segui as instruções dela. Sentei-me na bola e gira devagar para aqui e para ali. Passados nem 2 minutos aconteceu o que ela previra. Um peso gigante a abater-se lá em baixo. Pensei: caraças! vai sair agora! ai, ai, ai, ai...
Mas... na! :) Isto não é assim meus amigos e amigas :) (a não ser para aquelas mulheres dos vídeos do youtube)
Mas toca lá de carregar na campainha e dizer que algo se estava a passar. Venham rápido. Entram novamente o meu médico e enfermeira, vamos lá a ver, humm... faça lá força um bocadinho, pronto, páre. Vamos para a sala de partos.

14h25 Vamos lá a isto então.
14h26 Faça lá força. Isso. Outra vez.
14h27 Mais uma vez, o tempo que conseguir aguentar. (O médico: "querem ver que eu não estou aqui a fazer nada, está a conseguir fazer isto sozinha, o bebé está basicamente a nascer sozinho com o seu trabalho.")
14h29 Sinto a cabeça do bebé a sair. Muita pressão mas zero dor, bendita epidural. Começo a ver o médico a agarrar em algo.
14h30 O P. está cá fora :))
Aquela visão novamente de um gato esfolado a chorar desalmadamente. O céu.

Desta vez - e ao contrário do que aconteceu com o M. (que nasceu de ventosa e desapareceu da minha vista segundos depois de mo mostrarem, para ver se estava tudo bem), o P. foi colocado sobre mim calmamente, sem pressas. Lembro-me do tempo abrandar. Lentamente passei o olhos por aquele ser tão pequenino que se agitava. Era perfeito. Um corpinho lindo. E o mais curioso: uma cabeça redondinha como se não tivesse passado por lado nenhum. E uma cara fofíssima, zangadita e confusa de quem vê o mundo pela primeira vez. Uma carita que me lembrava de já ter visto antes. Meu Deus! Ele era igual ao M. lol Tão, mas tão parecido!
E o tempo parou mais um bocado. Com calma pude fazer-lhe festas, passar a mão por aquele corpito pequenino que ainda agora estava dentro da minha barriga. Desta vez apreciei o milagre da vida com outra calma. Foi... magnífico. Muito, muito especial. Pude olhá-lo com calma, bebê-lo, respirá-lo, cheirá-lo, tocá-lo.

Era mãe de novo.

E o mano lá saiu...

... às 14h30 do dia 16 de setembro de 2014, um par de semanas antes do meu aniversário. Uma bela prenda, não é? ;)


domingo, 24 de agosto de 2014

Como é que ele vai sair??

... esta já seria de esperar. Mas o M. parecia-me sempre tão afastado do assunto que eu já nem pensava nisso ou numa possível resposta:

(ao deitar, ele encostado a mim, no último mimo do dia antes de dormir, e sem aviso)

- Mamã, o maninho está aí dentro da barriga, não é?
- Sim.
- E como é que ele vai sair?
- Hummm... ahh... bom... sabes aquele médico da mãe? ele vai ajudar-me, vai ajudar a que o mano saia (e imito os gestos de alguém a mexer na barriga).
- Ah! vai mexer com ferramentas?!
- Isso mesmo!
- Ah está bem.

E pronto, pelos vistos a mecânica, os carros e a mala de médico que ele tem no quarto servem para ajudar em qualquer explicação médica :)
Lá me safei desta por agora! :)

Perguntas...

- Mãe, o que é perdoar?



(Ai.. ainda agora fez 4 anos e já está com perguntas destas :) E de onde vinha tal coisa? - filme A Bela e o Monstro. Lá tentei explicar o que era tal acto. Acho que me consegui safar.)

terça-feira, 15 de julho de 2014

Momentos

No carro:

- Mãe, quero ter um cãozinho.
- Ah... queres?... pois... são giros não é?
- São, gostava muito de ter um. Assim pequenino.
- ... Humm... pode ser que um dia... agora não...
- Mas eu queria.
- Mas já viste que agora vamos ter um maninho. Já vamos ter de cuidar dele, e olha que ele dá muito trabalho.
- Mas fazemos assim: tu cuidas do maninho e eu cuido do cãozinho.

E pronto, solução rápida e lógica :)

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Hoje sinto-me...

(e nos últimos dias)
... com o peito e garganta a queimar-me numa azia constante.
... cansada e sem grande energia.
... com dor na perna  - presente de uma caibra monumental esta madrugada.

(ai estas coisas maravilhosas da gravidez, só me faltam as hemorroidas, mas tenho esperanças de me safar!)

... com quantidades ridículas de culpa de deixar o meu filho quase sozinho na creche, enquanto os seus amigos vão para a praia e outros passeios, porque a maioria dos pais decidiu que iriam pagar a quantidade ridícula extra de dinheiro para que pudessem fazer isso e eu não.
... com alguma esperança que o rapaz se esqueça rapidamente desta "maldade" quando também se juntar às atividades com os amigos daqui a 1 semana e uns dias.
... frustrada com o rapaz que provavelmente é como os "gajos" normais a quem temos de sacar quase tudo a saca-rolhas, e que por vezes não me deixa perceber como se sente verdadeiramente.

... não muito animada com o trabalho.


Ai... a ver se me animo.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

A "vida perdida"

O que fazer quando perdemos a nossa vida numa mala? O que fazemos quando nessa mala está toda a nossa identidade: chaves de casa e carro, comando de garagem, carteira com todo o tipo de documentos (cartão de cidadão, carta de condução, cartões do banco, etc etc, ), telemóveis com fotos e vídeos... TUDO.
O que sentimos enquanto vamos ao local da mala perdida e (obviamente) não está lá nada? O que sentimos quando estamos na polícia a dar parte da nossa "vida perdida"? O que sentimos enquanto telefonamos para o banco a cancelar cartões? O que sentimos quando de repente pensamos que a nossa identidade pode literalmente ser roubada e usada por alguém com intenções menos boas?
Pânico meu caros. Medo. O corpo a gelar. Vemos a nossa vida a andar para trás. Pensamos "Nãooooooo... se eu ao menos tivesse parado para confirmar se tinha tudo comigo..."
Quem tem uma mala tem tudo - e quem tem tudo, tudo pode perder, porque qualquer um pode aceder a tudo na nossa vida. Não me lembro de um dia tão pavoroso como este domingo...
 
Mas... também não me lembro de uma tão grande sensação de alívio quando o nosso antigo vizinho nos telefona passadas umas (extenuantes) horas :D Parece que um senhor passou pelo antigo prédio (morada ainda antiga em alguns documentos) e teve a gentileza (humanidade, solidariedade, honestidade? essas coisas todas também serviam) de ir lá entregar a mala - que não entregou ao meu vizinho por ter medo e por achar que com ele (o próprio) as coisas estavam mais seguras. Eu que achava que já não se fazem pessoas destas... afinal estava errada!! E ainda bem! Só me apetecia dar um beijo ao homem e gritar: salvaste-me a vida!!!
 
Depois deste final feliz (ou quase, o meu telemóvel cheio de contactos, fotos e vídeos - que não tinha arquivado - foi mesmo roubado)... e para tornar o fim de semana mais saboroso... no final do dia percebi que tinha um prego gigante espetado numa roda do meu carro...
 
Há dias...

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Era uma vez uma chucha

Era uma vez um menino de 3 anos, quase, quase 4, que gostava muito da sua chucha. Não conhecia outra coisa desde que nascera, e o afeto e dependência sobre tal objeto eram verdadeiramente ternurentos. Com o tempo, e também porque via os meninos da sua turma a desprenderem-se das suas chuchas, o menino começou a abdicar da sua "amada" durante as brincadeiras; depois durante as brincadeiras e as sestas; depois durante o dia quase inteiro. Na escola.
Mas em casa o apego continuava mais "apegado". Não a dispensava nas sestas, na sua cama querida, e muito menos à noite, onde nem era preciso dizer que mimo = chucha + colo + beijinhos + histórias (por aí e sem ser por esta ordem).

Um dia os pais do menino descobriram a existência, algures por aí neste mundo, de uma "fada das chuchas". Até então desconheciam tal ser, mas uma amiga confidenciou-lhes que esta existia e que em troca das chuchas das crianças, dava prendas escolhidas por elas. O sucesso da fada era garantido.
A mãe pôs o menino a par disso. Inicialmente a fada não o convenceu. Por muita conversa que lhe desse, ele não gostava dessas fadas, aliás, nem existiam na opinião dele e não a queria na casa dele. A mãe não insistiu, mas passados uns dias voltou a mencioná-la e desta vez o rapaz não pareceu tão avesso à ideia da fada - especialmente quando questionado sobre que presente gostaria que a fada lhe trouxesse. A lista de presentes nunca era consistente e a mãe voltou a não insistir. Tinha de perceber qual o presente que ele queria MESMO. E um dia ele deu-lhe a resposta mágica: "quero o boneco do tree fu tom, era mesmo o que eu queria". Ela nem queria acreditar - esse era o boneco que ela já havia comprado (aproveitando uma bela promoção) e que estava há meses guardado, à espera do aniversário do menino. E desta vez a resposta era consistente passados 2 dias. Aí ela montou a sua estratégia de ataque e conquista, e prometeu que se ele quisesse mesmo o boneco, ela falaria com a fada. Mas já sabia: a prenda só era dada quando os meninos entregavam as suas chuchas à fada, para ela as reciclar e dar novas chuchinhas aos bebés. Era uma decisão muito importante. E dado que o menino já só tinha uma chucha (e a ficar cada vez mais estragada, segundo a mãe) tinha mesmo de pensar bem, porque uma vez entregue não haveria mais tal objeto nas sestas, nem à noite. Não dava para voltar atrás. O menino tinha de ter mesmo a certeza.

Uns dias depois, a mãe perguntou ao filho se ele sempre queria dar a chucha à fada. Ele respondeu que sim. Mas ela tinha algum receio que ele não entendesse bem a seriedade da coisa e no fundo, temia a tristeza e choro do petiz quando este se apercebesse que depois já não haveria volta a dar. No entanto, avançou e nessa noite os pais foram com o menino à janela da cozinha e deixaram-na do lado de fora, para que a fada a pudesse ir buscar durante a noite. Segundo a "lenda", no dia seguinte de manhã, lá estaria a prenda desejada e a chuchinha levada.

Logo depois o menino foi-se deitar, e mesmo afirmando categoricamente a toda a hora que não tinha sono, nunca pediu a chucha. Demorou muito a adormecer. Sem a sua ajuda extra e emocional para relaxar e se deixar amolecer, o colo foi mais agitado, a conversa não parava e o processo de adormecer foi mais complicado. Mas adormeceu e nunca acordou durante a noite a pedir a sua chucha perdida (que era o que os pais temiam que acontecesse).

Nesse momento a sua mãe compreendeu que ele tinha de facto interiorizado que a chucha não voltava, que era a última vez que a usava, e que a partir daí seria oficialmente um "crescido" (com direito a prenda e tudo). Nesse momento, a mãe, que andava tão absorvida a ajudar o filho a crescer e a ultrapassar um marco na sua vida (a chucha foi o objeto mais importante na vida dele, sem dúvida) percebeu que ele não era mais um bebé. O seu filhote lindo era já um rapazinho que entendia as consequência de um ato simples mas muito importante na sua vida. De repente, não iria mais tê-lo nos braços, com aquele barulho tão característico do movimento das chuchas, a amolecer, e portar-se ainda como um bébé aninhado ao colo. Daí em diante o deitar seria mais irrequieto, mais conversador, menos descansado, porque não havia aquele elemento pacificador, que amolecia quase instantaneamente o filho.

A mãe sempre conhecera o seu filho de chucha e quando, nessa noite, de repente o viu sem ela "para sempre", uma melancolia profunda abateu-se sobre ela. Tinha acabado. Tinha acabado uma Era. Uma Era muito doce. A Era do Bébé que ela sempre tinha adorado. Ele era, seria (e sempre será) "o seu bébé"; mas já não era "um bébé".

Parte do seu coração inchou de orgulho pela conquista e pelo passo independente do filho, mas a outra parte sangrou implacavelmente. De repente, instalou-se uma perda avassaladora. Aqueles momentos cheios de ternura em que olhava para ele, já crescido e vestido para ir para a escola, ainda a ver TV, de chucha, à espera que o chamassem para o carro, não se repetiriam mais. O colinho à noite "à bébé" não seria mais o mesmo. O ar incrivelmente fofinho que fazia com a chucha não se reproduziria mais. Reproduziriam-se outros igualmente fofos com certeza. Mas não aquele. E doeu. E a mãe chorou. Chorou a noite inteira. Sentiu-se espantada ao perceber que a tristeza que alguém sentiria pela perda da chucha não seria a dele. Para ele era apenas mais um passo, que no fundo andava a interiorizar há muito tempo e que naturalmente iria ultrapassar porque cada vez mais se sentia crescido, grande e a ceder o lugar aos verdadeiros bébés. Era uma questão de tempo.

A tristeza afinal era a da mãe. Ela com a perda da chucha tinha perdido muito mais do que ele. (embora soubesse que não era bem uma perda: era mais uma transformação, o desenvolvimento.)

No dia seguinte de manhã, o menino lá descobriu na janela da cozinha, do lado de fora, o seu desejado boneco. O êxtase na sua carita foi impagável. Estava tão contente e orgulhoso. A fada tinha cumprido a sua promessa. E ele cumpriria a sua.

E no dia seguinte, os novos vizinhos do menino (uns 5 miúdos muito giros e despachados dos 3 aos 10 anos) foram chamá-lo para brincar com eles na rua. O sorriso do menino ao ir com eles, a correria, as brincadeiras, o ar de rapaz independente fez mais um sorriso na mãe ainda melancólica.

Uma nova fase na vida do filho estava em marcha.

terça-feira, 13 de maio de 2014

O melhor do meu dia!

Já mexe!! Aliás: já sinto mexer, porque mexer já ele mexe há muito tempo que eu bem vi nas ecos! Mas agora a realidade está mais palpável - tenho um alien (ai... um bonequinho 2) na barriga e ele está vivo e mexe-se bem! yeahhh!!

Um dia no Zoo

Alguns dos animais que vimos:
 









 
O meu "animal" preferido: :)
 
 
Resumo do dia:
Muito sol e vento. Muita animação. Alguma impaciência do bidu, que por vezes estava mais interessado em fazer macacadas do que ver os macacos propriamente ditos... Ah e o delírio a ver o mapa sempre que podia. Ah e mexer na máquina fotográfica do avô. Hamburgueres bons. Gelados. Brincadeira nos insufláveis. Muitos felinos (a maior parte a dormir à sombra por causa do calor). Muitos répteis (yak). Golfinhos rule!(os adultos ao rubro, o piqueno mais interessado no farol e no barco). O zoo "muito à frente", boas instalações e bons programas. Daqui a uns anos há mais :)

domingo, 20 de abril de 2014

Só para dizer...

Boa Páscoaaaa!!!! :)


Eu por aqui ando numa boa tentativa de zapping contínuo entre o The Voice Portugal e o filme Brave (já vi antes mas gostei tanto que não me importo de ver de novo). Tento também perceber se hoje dá o Shark Tank (Lago dos Tubarões) - o meu novo vício diário (!!!) E espirro, espirro, espirro... Já há muito que não tinha uma crise tão longa (1 semana, 2 semanas?) de alergia. Não percebo se é do tempo ou se é destes caixotes todos e roupa cá fora (daquela guardada durante anos que nunca se usa e depois vê a luz do dia já cheia de bolor...) Atchimmmm!!

Mas pronto: agora segue-se uma semana inteira para acabar os ovos todos de chocolate que o M. recebeu ;)

Boa Páscoa a todos/as!

segunda-feira, 14 de abril de 2014

As incongruências dos 3 anos

Depois de uma birra gigante porque eu e o pai não o deixámos fazer algo:
(Eu) - Bom, agora são horas de deitar...
(Ele) - Sim... unf...
(Enquanto me sento na cama dele, recostada na parede) - Queres colo?
(Lá vai subindo para o meu lado) - ... sim...
(Ainda de trombil, senta-se nas minhas pernas e prepara-se para encostar) - Não gosto de ti... és feia...
E com esta aninha-se bem. E bem aconchegado, dá daqueles suspiros felizes de quem está regalado e pronto para uns mimos antes de ir dormir.

Ai estas mentes minorcas... Pensei que não gostava de mim e que era feia :)
Não soubesse eu mais do que tu e estava frita :)

sábado, 12 de abril de 2014

Comidinha boa!

E é assim, volta e meia o T. surpreende-nos cá em casa com as suas receitas super especiais. A sua especialidade são as quiches e a última tinha este aspecto nham:


Bis!! Bis! :))

domingo, 6 de abril de 2014

A fé e o cepticismo... aos 3 anos

Conversa (entre o T. e o M.) e explicação a propósito de uma estatueta pequena que representa um Arcanjo e que está no quarto do petiz (e que lhe foi dada há muito tempo pelos avós):
- Isto é o quê?
- É o Arcanjo, está aqui a proteger os meninos como vês, com a sua espada.
- Ah... protege?
- Sim, ele é bom e protege os meninos dos maus, também te protege a ti, e... hummm... faz com que tenhas bons sonhos e não sonhos maus...
- Protege-me?
- Sim...
- Mas... é só uma estátua!!!

Ahahahahahahahahahaha Nunca me ri tanto. Nunca nos rimos tanto loll Que dizer mais depois de uma tirada brilhante destas? lolll

sábado, 15 de março de 2014

O melhor do meu dia

Estamos numa loja e o meu filhote:
- Mamã, descobri estes óculos giros para ti! Mamããããã, vou escolher um vestido bonito para ti, está bem? olha este aqui com corações!

:) :) Opa, isto faz ganhar-me o dia sem dúvida. É por demais de fofo! :))

(M. com 3 anos e meio)

domingo, 2 de março de 2014

Sem título

Há dias em que tudo parece estar bem, estamos de bom humor, é mais um dia de fim de semana em que se tenta aliviar a cabeça dos desafios semanais. Depois, de repente, uma história vira-nos de cabeça para baixo...

Hoje é um bom dia. Vamos levar o M. à festa de uma amiga da escola. Ela faz anos, já temos a prenda e aí vamos nós deixar o rapaz (é a primeira vez em que nos vamos embora para o ir buscar mais tarde). Chegamos, tudo animado, a boneca faz 4 anos e, penso eu, tudo é uma alegria.
A conversa segue-se mais ou menos assim:
- Olá, estás bom? Muitos parabéns! - digo eu sorridente para o pai.
- Olá, tudo bem, então temos aqui mais um homem-aranha!
- Hehe sim, já sabes como é... A tua mulher?
- Ah está ali, acabou de chegar à bocado, esteve com o M. (o irmão mais novo da aniversariante).
- Hum... esteve com ele... ele estava a dormir era? - digo eu a tentar não parecer confusa.
- Ah... vocês ainda não sabem...
- Ah... não, acho... O que se passa? - perguntamos à espera de tudo menos aquilo que ouvimos de seguida.
- Ele está no IPO internado... Na outra semana descobrimos que tem um Linfoma de Burkitt (já não me lembro bem, mas acho que era este o nome). Começou com sintomas agressivos num dia, no outro já estava no IPO... Ele é pequenino e até está bem, mas custa-nos um bocado...
Tento conter-me e não desatar a chorar. Estou completamente chocada. O M. é um ano mais novo que o meu M. e é um menino fofo com todos os outros, lindo, querido e com ar maroto, despachado como são os segundos filhos.
- Mas como é que descobriram isso assim de repente? - nunca sei se hei de fazer mais perguntas, mas parece-me que mostrar interesse (e estava de facto interessada) é sempre bom para os pais. A estes cabe depois desenvolver o que acharem melhor, o que quiserem e o que conseguirem.
- A barriga dele começou a ficar muito inchada, anormalmente inchada. De repente tinha a barriga muito dura e grande e achámos estranho. Depois de mostrar isso a uma médica amiga fomos com ele para o hospital. Alguns exames depois e estava no IPO. Vai ter de levar um tratamento bastante agressivo (este tipo de cancro também é agressivo e rápido) durante uns meses, mas as hipóteses de cura são muitos boas. Está tudo confiante.

Entretanto vejo a mãe, dou-lhe um abraço, os parabéns pelos anos da princesa e lamento também o que se está a passar. Não fazia ideia, pergunto se posso ajudar, se querem que tome conta da boneca em alguma situação, algo assim. Ela está abatida, mas está ali inteira, com fé nas boas notícias que tem tido desde que o rapaz está internado. Mas sinto-a cansada e a tentar não desanimar. Caramba, admiro-a!, está a portar-se como uma super mulher! De repente percebo porque é que a festa foi organizada pela mãe (ou mães, acho q foram 2) de outro menino da turma deles. Para não terem de cancelar a festa dos 4 anos da menina, elas tomaram as rédeas e ajudaram a fazer as coisas, mesmo que a mãe não pudesse ajudar muito. É isto que ainda me dá fé nas pessoas. Tivesse eu sabido a tempo e entraria na ajuda.

Não quis continuar mais a conversa (depois de um bocado deve ser demasiado doloroso para os pais), é bom saber o que se passa, mas aquele momento era de festa (pelo menos o mais possível) e era nisso que se tinham todos de concentrar. Os miúdos brincaram, comeram guloseimas a tarde toda, cantaram-se os parabéns. Foi giro. Espero que aqueles pais (os quais conheço há muitos anos, mas não intimamente) se tenham conseguido abstrair durante uns momentos da sua dor.
Quanto a mim, claro, já me conheço, fui para casa deprimida, a dar muitas festinhas ao M. e agradecer aos céus a saúde que temos e a rezar para que assim se mantenha. Estas doenças repentinas assustam-me... Espero e rezo também que o filhote daqueles pais se cure rapidamente e que o sofrimento da quimioterapia não seja agressivo de mais naquele corpinho miúdo. Espero que o mundo e as pessoas mandem boas vibrações para aquela família que bem precisa neste momento.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Segredos

Aqui há alguns fins de semanas deparei-me no youtube com um vídeo, uma canção de deitar para miúdos com 2 ursinhos, super giro que resolvi partilhar com o M. Desde então, volta e meia, ele pede-me para o ver, muito aconchegado e sorridente. Adora ver o vídeo.
E desde então o meu nome é Mamã Ursinha e eu chamo-o carinhosamente de Ursinho Bébé. Claro que ele sabe que o nome (quase ofensivo agora) de "bébé" só se aplica nessa exceção, dado que ele é um "crescido", claro!
Hoje de manhã, na ida para o carro, chamou-me o nome e eu chamei-o de volta a rir. E ele diz-me com ar maroto:
"Mas não vamos dizer à P., pois não?" (a P. é a educadora dele)
"Não, meu amorzinho, isto fica só entre nós. Não dizemos a mais ninguém, é uma coisa só nossa."

:)
 
O vídeo é este:



E este também é outro favorito lá em casa: