terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Ansiedade

Ando dividida entre os bocejos e os semi-ataques de pânico.
O projecto onde me encontro inserida já não é o projecto original e luto contra as horas em que penso que isto vai mudar para melhor e ando positiva, e as horas em que penso "quem estás a querer enganar, tu detestas estes trabalhitos que te têm dado a fazer". Luto entre o "não ganho mal, estou perto das escolas dos miúdos, etc etc" e o "o que é que eu ainda aqui estou a fazer".

No outro dia sonhei que estava no início da minha "carreira". E a sensação era horrível. Era aquela sensação de quando acabamos a faculdade, não temos emprego, ninguém nos dá uma hipótese e temos aquela sensação de insegurança de "o que é que vai ser de mim no futuro". 

E passados uns 15 anos de trabalho pergunto-me quase diariamente agora o que vai ser de mim. O problema é que isto já não comporta aquela excitação, que existe apesar de tudo, quando se tem 20 anos. Não. Agora à beira dos 40 pergunto-me o que correu mal, como é que um trabalho que parecia tão giro e promissor se transformou num trabalho mais ou menos e numa empresa que faz tudo e mais alguma coisa menos dedicar-se ao seu propósito inicial. Tento conversar sobre estes projetos e manter a conversa animada, mas no fundo não me identifico com isto, com toda esta filosofia. 

Estou a viver um sonho que não é o meu. Estou a trabalhar para sonhos que não são os meus. Eu quero outras coisas, mas por força das circunstâncias vi-me numa empresa que já não sei o que é mais.

Dizem que a vida começa aos 40. Mas terei eu forças para mudar de vida aos 40? Existe mercado para mim? Se eu saísse iria ficar no desemprego? Iria arrepender-me? Iria até pensar "aquilo não era assim tão mau, o que foste tu fazer?".

O problema é que sofro défice de companhia. Sempre estive acompanhada por muita gente. Mesmo estando calada, adoro sentir o frenesim à minha volta. E isto agora é uma pasmaceira o dia quase todo. As pessoas entram e saem disto e eu começo a desistir de investir em relações no trabalho. Para quê?

Preciso de pessoas à minha volta, de me rir, de comentar um trabalho. 
Este silêncio e esta solidão matam-me.