segunda-feira, 11 de junho de 2012

A Traça

Desde que o meu pai me trouxe cerejas e nozes lá do Norte, coincidência ou não, tenho assistido a uma verdadeira invasão de traças novinhas na cozinha. São pequenas e magrinhas. 
E tem sido o massacre total.
Já cheguei a matar uma. Depois passados uns minutos viro-me e zuca...outra! E mais tarde mais outra sapatada. Já estou farta delas. Mas quando é que aquilo pára?! o cesto das cerejas já está vazio e limpo, mas elas continuam a aparecer nem sei bem vindas de onde. É só na cozinha felizmente. Conforme as vou matando, se ficam bem esmigalhadas limpo-as completamente com um pano molhado. Mas há uma que ficou bem presa na parede... 
Levou com um sapato e só a parte de trás ficou colada à parede, o resto ficou quase levantado, é como se ela estivesse ali presa a olhar. Não consigo tirá-la dali... Cada vez que passo e dou com ela estremeço de nojo. Arghhhhhhhh é mesmo horrível aquela traça... Parece que está sempre a olhar para mim. Vejo-lhe as antenas, as patas. Está mesmo ao nível dos meus olhos e persegue-me. Ahhhh! Chego a sentir arrepios. É como se estivesse num filme de terror. 
De repente ela regressa dos mortos, começa a descer lentamente a parede, a coxear tipo zombie, e implacavelmente segue-me para onde vá. Não consigo escapar e finalmente, à medida que ela se vai aproximando, começa a crescer ao ponto de ficar do meu tamanho e a sua bocarra agarra-me a cabeça. R.I.P Exterminadora de Traças. É a vingança por tanta maldade a tanta traça.