quinta-feira, 19 de abril de 2012

Perfection



A perfeição são momentos, flashes de felicidade em que tudo se conjuga e se cria um momento ou algo perfeito.
Este fim-de-semana visitei uns vizinhos meus que têm agora um recém-nascido de uma semana. E tal como outros me visitaram com crianças mais velhas, também visitei eu este novo bebé e os seus papás babados.

Foi perfeito. O bebé. Os pais com olheiras. O beijo leve e íntimo que ela deu ao companheiro, espelho do momento especial e perfeito que estão a viver.
Claro que são tempos cansativos, mas é em nome da coisa mais perfeita que existe - um bébé. O milagre da vida, sem dúvida. Continuo a achar surreal como é que um ser se desenvolve dentro da nossa barriga. E de um momento para o outro não há nada e de repente está um bebé à nossa frente. Surreal. Nunca me vou habituar a isso.

Tal como outros comentaram comigo na altura, também eu comentei desta vez: "é tão pequenino, nem acredito que o meu filho também já foi assim deste tamanho". Se dantes ficava espantada como é que eles cabem dentro de uma barriga... agora vejo claramente - claro que cabem! são minúsculos! uma perfeição minúscula, microscópica.

É engraçado que à medida que o tempo passa reparo que vou dizendo e fazendo coisas que os outros já fizeram comigo. É tudo um ciclo. Por mais que não queiramos repetir-nos isso acaba por acontecer. Há experiências que são universais. E a experiência de ser pais é universal, as sensações destrambelhadas e ao rubro quando nascem, o cansaço e o maravilhamento, o crescente divertimento, etc etc etc.
Tal como me disseram a mim, eu digo também: ah mas vais ver quando ele começar a falar e interagir contigo...loll

O engraçado é que isso já eles fazem desde que nascem. Interagem sempre. Simplesmente isso torna-se mais fluído e compreensível com o passar do tempo. Antes de ir ver este bebé andei a ver vídeos do M. Tenho dezenas dele de todos os meses da vida dele. Ultimamente ando mais desleixada com as filmagens, mas hei-de retomar, porque vou seguramente continuar a apreciar revê-los volta e meia.

Desta vez vi uns vídeos curtos de quando estava sozinha em casa em licença de maternidade. Lindo! Ele com 2 meses e meio. Movimentos meio robóticos e pouco coordenados. Pequenos sorrisos quando eu me metia com ele. Sons estranhos sem nexo, mas já que espressavam felicidade, expressavam qualquer coisa. O babete sempre molhado de tanto bolsar leite. Uma cara redonda e sorridente, as perninhas a dar cheias de energia. Meu Deus. Como o tempo passa :) 

Agora está um miúdo safado, que percebe o que lhe digo, tem sentido de humor, e que consigo fazer rir em 30 segundos, passando do choro ao riso por vezes. Acho que temos de disciplinar e orientar as crianças com sentido de humor e mostrar-lhes que rir é o melhor remédio.

Hoje estava no elevador com o M. Como já aqui disse o M. é o senhor fitas, dramático da ponta dos pés à ponta dos cabelos. Felizmente o drama tanto vem como vai. E hoje mal saímos do carro ele começou a mendigar uma bolacha. Eu sempre a dizer que não tinha ali, que lhe dava quando chegássmos a casa, que estava no armário da cozinha. Mas não, eu estava seguramente a ludibriá-lo e a bolacha estava na minha mala (assim demonstravam as tentativas de a abrir) e eu não lha queria dar. E bolacha, bolacha, bolachaaaaa! Paciência, paciência, paciência LOL No elevador a choradeira começava já a ter lágrimas, cara feia, bolacha, bolachaaaaaa. Até que o virei para o espelho e disse a rir: olha o M. a chorar por causa de uma bolacha, olha ali! ai que cara feia que tenhoooo, ai o M.! olha, olha! Claro que aquela amostra de gente percebeu logo que eu estava a gozar com ele pelo tom de voz e começou também a rir-se. Sabia bem que estava a fazer teatro. Chegámos a casa e já nem se lembrava da bolacha lolll

Perfeição é isto. Momentos só nossos, momentos que nos unem. Perfeição é conceber uma criança e criá-la. Perfeição e felicidade é termos o privilégio de passar por isso. 

Cheira-me que vou visitar o bebé S. e a mamã S. só pelo puro prazer de observar os momentos de perfeição deles. É bom ter os nossos. Mas também é bom ver o dos outros.
É contagiante.